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Dicionário Bíblico

DICIONÁRIO BÍBLICO: DE A - Z
Fonte: http://www.clerus.org/

DICIONÁRIO BÍBLICO - LETRA A

AARÃO
Membro da tribo de Levi, irmão de Moisés e de Maria (Êxodo 4,14 Êxodo 15,20). Foi um notável colaborador de Moisés (Êxodo 17,8-15 Êxodo 24,1-11), seu porta-voz perante os israelitas e o Faraó (Êxodo 4,14-16 Êxodo 4,27-30 Êxodo 5,1-5). Foi pecador, por isso seu sacerdócio foi caduco (Êxodo 32,1-6 Êxodo 32,25-29; Números 12,1-13 Atos 7,39-41 Hebreus 7,11-14). A tradição sacerdotal vê nele o primeiro Sumo Sacerdote (Êxodo 29,1-30) e o antepassado da classe sacerdotal (Êxodo 28,1 Levítico 1,5). Dentro da tribo de Levi, Aarão e seus descendentes concentram em si o sacerdócio (Levítico 13-14 Números 18,1-28 Êxodo 30,19-20). No Novo Testamento o sacerdócio de Cristo é considerado mais perfeito que o de Aarão (Hebreus 7,11 Hebreus 7,23-27).

ABEL
Segundo filho de Adão e Eva. Era pastor e de seu rebanho oferecia sacrifícios agradáveis a Deus. Seu irmão Caim, que era agricultor, construtor de cidades (Gênese 4,17) e pai da civilização (Gênese 4,22), o assassinou por inveja (Gênese 4,2-8). Por causa de sua fé e justiça Abel tornou-se modelo do mártir cristão (Hebreus 11,4 1João 3,12). Seu sangue lembra o sangue purificador do justo Jesus (Hebreus 12,24 Mateus 23,35).

ABIRAM
Era membro da tribo de Rúben. Com seu irmão Datã e o apoio de Coré, revoltou-se contra a liderança de Moisés e os privilégios do sacerdócio de Aarão. Mas foram punidos por Deus e tragados pela terra (Números 16,1-40 Salmo 106,16-18).

ABLUÇÃO
A impureza legal do Antigo Testamento nada tem a ver com a impureza moral (Êxodo 19,10-14 Levítico 15,5-13 Deuteronômio 23,1-12 Ezequiel 44). Mas os profetas insistem mais na pureza de coração (Isaías 1,16-17 Ezequiel 36,25-27). Jesus e os apóstolos estavam em conflito com as abluções dos judeus (Marcos 7,1-8). A palavra de Deus é que purifica (João 15,3) e o sangue de Cristo nos lava de toda a mancha (João 13,6-15 Hebreus 10,19-22 Apocalipse 7,14). Ver "Puro-Impuro".

ABOMINAÇÃO
Termo de desprezo para indicar uma estátua de um ídolo (Deuteronômio 7,25 Cântico dos Cânticos 12,23). Em Ezequiel indica as práticas idolátricas em geral.

ABOMINAÇÃO DA DESOLAÇÃO
Nome desonroso que os livros de Daniel e Macabeus usam para designar o altar pagão que Antíoco Epífanes (168 a.C.) mandou erigir no templo de Jerusalém em homenagem a Baal Chamem (Senhor dos Céus), equivalente aramaico de Zeus Olímpico (cf. 1Macabeus 1,54 Daniel 11,31 e nota). No Novo Testamento o termo caracteriza a atividade blasfemadora do Anticristo antes da segunda vinda de Cristo (1Tessalonicenses 2,3-8 Lucas 21,14 Lucas 21,20).

ABRAÃO
É o mais antigo dos patriarcas e antepassado do povo de Israel (Gênese 11-25). Atendendo à ordem de Deus, deixou Ur dos caldeus e, na primeira metade do segundo milênio a.C., emigrou para Canaã. Ali Deus fez com ele uma aliança, prometendo uma terra e uma grande descendência. Quando estava em idade avançada, Sara sua esposa lhe deu um filho, Isaac. Mas Deus o submeteu à prova pedindo que lhe sacrificasse o filho único. Justificado por sua fé (Gálatas 3,6s; Romanos 4,1-13), Abraão tornou-se um modelo de fé e o pai de todos os crentes (Romanos 4,18-22 Hebreus 11,8-19).

ACÁIA
Província romana que compreende a parte central da atual Grécia (Atos 18,12 Atos 18,27), onde Paulo pregou o Evangelho durante a segunda e a terceira viagem missionária (Atos 17-19).

ADÃO
É o nome do primeiro ser humano (Gênese 4,25-5,5), criado à imagem de Deus. Em hebraico adam significa "ser humano", "gênero humano", e adamah, "terra". Este sentido coletivo do termo está presente no relato de Gênese 2-4. Mas os LXX e a Vulgata o interpretaram erroneamente como nome próprio, a partir de Gênese 2,19. Por sua origem o homem é terra (Gênese 2,7) e, ao morrer, voltará a ser terra (Gênese 3,19); enquanto vive deve cultivar a terra que é a sua morada (Gênese 2,5 Gênese 3,17 Gênese 3,23). Criado para viver no jardim do Éden, em companhia de Eva e na presença de Deus, Adão de lá foi expulso por causa de sua desobediência. Com esta desobediência o pecado e a morte entraram no mundo. Mas Cristo, o novo Adão, por sua obediência obteve a graça e a ressurreição de todos os homens (Romanos 5,12-21 1Coríntios 15,20-22 1Coríntios 15,25-49). Ver Gênese 2,7 e Gênese 4,26.

ADOÇÃO
São raros os casos de adoção no Antigo Testamento. E são reservados aos filhos da concubina (Gênese 30,1-13 cf. Gênese 49,1-28). Colocar o filho sobre os joelhos era um rito de adoção (Gênese 48,1-13 Gênese 50,23 Rute 4,16-17). O povo de Israel é o filho adotivo de Deus (Êxodo 4,22s; Jeremias 3,19 Oséias 11,1 Deuteronômio 14,1 Romanos 9,4). Oséias profetas lembram a Javé sua paternidade (Isaías 63,16-18 Isaías 64,7-9). O "nascer do alto", mediante a água e o Espírito Santo, é o sinal da adoção divina (João 3,3-7). Cristo resgatou os que estavam escravizados pela lei de Moisés e lhes deu uma adoção filial, que supera a jurídica, mediante o Espírito (Gálatas 4,4-7 Romanos 8,14-29 2Pedro 1,4). Devemos viver, portanto, como filhos de Deus (Filipenses 2,15-16 1Pedro 1,13-17), deixar-nos corrigir por ele quando pecamos (Hebreus 12,5-11) e a ele voltar como o filho pródigo (Lucas 15,11-32). Na oração devemos importuná-lo como a um pai (Mateus 6,7-15 Mateus 7,7-11). Ver "Batismo".

ADORAÇÃO
Somente a Deus se deve adorar (Êxodo 20,3-5 2Reis 17,36 Mateus 4,10 Atos 10,25-26) e Jesus Cristo (Mateus 28,17 Filipenses 2,9-11 Hebreus 1,6). Ver "Culto".


ADULTÉRIO
É toda relação sexual extraconjugal do homem ou da mulher casados. No Antigo Testamento,a mulher é considerada propriedade do marido e a virgem, antes do noivado, propriedade do pai. Por isso o adultério da mulher e a defloração duma virgem são um crime contra a lei e contra o direito da propriedade (Êxodo 20,14 Êxodo 22,15-16), punível com a morte (Deuteronômio 22,22-29). O povo eleito, infiel a Deus, é comparável à mulher adúltera (Oséias 1-3 Jeremias 2-3 Ezequiel 16). Jesus condenou o adultério, até o simples desejo de cometê-lo (Mateus 5,27s; Mateus 19,3-9), mas perdoou à mulher adúltera (João 8,1-11). O cristão é membro de Cristo, templo do Espírito Santo e vive uma vida nova na luz; por isso não deve profanar-se com o adultério e a fornicação (1Coríntios 5 1Coríntios 6,12-19 Efésios 4,17-5,20). Ver "Divórcio".


AGRIPA
São dois os personagens conhecidos por este nome:

1. Herodes Agripa I, neto de Herodes o Grande e Mariamne I. Nascido no ano 10 a.C., em 37 tornou-se tetrarca da Ituréia e Abilene; em 39, da Galiléia e Peréia; em 41, da Judéia e Samaria, e recebeu o título de rei. Em 44 morreu de repente em Cesaréia, após ter perseguido a comunidade cristã (Atos 12,1-23).

2. Herodes Agripa II (27-29), filho de Agripa I. Em 53 tornou-se tetrarca da Ituréia e Abilene e, como tal, escutou a defesa de Paulo reconhecendo sua inocência (Atos 25,13-26 Atos 25,32).



ÁGUA
Sendo a água indispensável para a vida dos homens (Êxodo 23,25), animais (Gênese 24,11-20) e plantas (1Reis 18,41-45), é vista como um dom salvífico de Deus. Ele a concede abundante aos que deseja salvar (Êxodo 17,5s; Isaías 12,5). Mas ela lhe serve também de instrumento de punição para os inimigos, como no dilúvio (Gênese 6-8) e no êxodo (Êxodo 14-15).

Usada na limpeza física, a água serve também na purificação cultual (Êxodo 30,17s; Levítico 16,4 Levítico 16,24) e ritual (Números 19,11-22). Para os tempos escatológicos Deus promete derramar sobre o povo águas purificadoras, acompanhadas de seu Espírito (Êxodo 36,25-27 Isaías 44,3 Zacarias 13,1s).

No Novo Testamento João Batista se serve da água para o seu batismo de penitência (Marcos 1,8-11). O batismo cristão é fonte de regeneração e renovação do Espírito Santo (Tito 3,5). Oséias que a ele se submetem são purificados de seus pecados e recebem o Espírito Santo (Atos 2,38 1Coríntios 10,1s). Cristo promete fazer jorrar a água viva de seu Espírito para os que nele crêem.


ALELUIA
É uma exclamação litúrgica em Tobias 13,22 e especialmente nos Salmos (Salmo 111-112 Salmo 104-105 Salmo 115-117 Salmo 146-150). O termo significa "louvai ao Senhor". É pois um convite do salmista para participar no alegre louvor de Deus, que passou para o uso da liturgia cristã.


ALIANÇA
Na época da monarquia de Israel (1030-587) a relação entre Deus e o povo passou a ser vista como um pacto de mútuo amor e fidelidade. Mas não como um pacto entre duas partes iguais, pois a iniciativa cabe unicamente a Deus. É ele quem escolhe gratuitamente Israel como seu povo. Em virtude desta eleição e aliança, Israel contrai obrigações.
O historiador sacerdotal (séc. VI a.C.) descreve a história salvífica desde a criação até à época de Moisés como uma sucessão de alianças divinas. Após o dilúvio, Deus faz com Noé uma aliança de caráter universal, que tem como preceito a proibição de comer sangue (cf. Gênese 9,1-17 e nota). Após a dispersão de Babel, Deus faz aliança com Abraão, restringindo o seu plano salvífico aos descendentes do patriarca, que são obrigados a praticar a circuncisão (cf. Gênese 17,3-14 e nota). Esta aliança inclui a promessa de descendência e duma terra (Gênese 12,3-7 Gênese 15,1s; Gênese 22,16-18 Gênese 50,24 Salmo 105,8-11). Depois da opressão do Egito, Deus sela com Israel a aliança do Sinai (cf. Êxodo 24,3-8 e nota), por meio do rito de sangue. Assim Israel nasceu como povo livre (Levítico 26,42-45 Deuteronômio 4,31 Eclesiástico 44,21-23) e comprometido em observar os mandamentos e a Lei (Êxodo 20,1 Êxodo 20,22-23,33 e nota; Deuteronômio 5,1-21). Em contrapartida, Deus promete fazê-lo seu povo particular (Êxodo 19,4-8) e cercá-lo com sua proteção (Deuteronômio 11,22-25 Deuteronômio 28,1-14).
Mas o povo foi muitas vezes infiel aos compromissos desta aliança. Oséias profetas denunciaram a infidelidade e anunciaram o exílio como castigo. Ao mesmo tempo, porém, prometeram uma nova aliança para os tempos messiânicos; ela será como um novo vínculo matrimonial entre Deus e Israel (Oséias 2,20-24), e a Lei será inscrita nos corações humanos transformados (Jeremias 31,33s; Jeremias 32,37-41 Ezequiel 36,26s).
Esta aliança cumpriu-se com a vinda de Cristo e foi selada pelo seu próprio sangue (Mateus 26,28 Hebreus 9,20 1Coríntios 11,25). Na nova aliança o pecado será apagado (Romanos 11,27), os corações humanos serão transformados pelo Espírito Santo (Romanos 5,5) e Deus passará a habitar entre os homens (2Coríntios 6,16).
Em grego o termo "aliança"significa também " testamento", ou última vontade que entra em vigor com a morte do testador. Por isso, a nova aliança inaugurada por Cristo é chamada também "Novo Testamento", em contraposição com a antiga aliança ou "Antigo Testamento" (Hebreus 9,16). Ver: Testemunho ou documento da aliança em Êxodo 25,16 e nota; o matrimônio como aliança em Malaquias 2,14 e nota.

ALMA
Não é noção bíblica, mas grega. Ver "Carne", "Homem".

ALTAR
Feito de terra ou de pedras (Êxodo 20,24), o altar servia em geral para oferecer sacrifícios; ocasionalmente é um monumento que lembra experiências religiosas dos patriarcas (Gênese 12,8 Gênese 13,8 Gênese 26,25 Gênese 33,20). O altar tinha nos ângulos quatro pontas salientes, chamadas também "chifres"; elas simbolizavam o poder e a força de Deus (Êxodo 27,2 Êxodo 37,25). Um criminoso agarrando-se nelas poderia garantir para si o asilo (Êxodo 21,14 1Reis 1,50) e escapar à vingança de sangue. No templo havia o altar dos holocaustos e o altar do incenso.
No Novo Testamento o altar perde sua importância, pois Cristo aboliu com seu sangue os sacrifícios cruentos do Antigo Testamento (Hebreus 9,28). Em seu lugar ganhou importância a mesa, pois a eucaristia celebra a ceia do Senhor (1Coríntios 11,20).

ALTÍSSIMO
Ver "Deus".

AMALEC
É o neto de Esaú e antepassado dos amalecitas. Esta tribo nômade do sul da Palestina tentou impedir a passagem de Israel rumo à Terra Prometida (Êxodo 17,8-16).

AMÉM
Termo hebraico que significa "certamente", "verdadeiramente" (cf. Deuteronômio 27,15 e nota).

AMON
É um clã que vive na Transjordânia, nas cabeceiras do rio Jaboc, onde está a atual cidade de Amã. Oséias amonitas tentaram barrar a passagem de Israel à Terra Prometida (Deuteronômio 23,5). Desde a época dos juízes se tornaram inimigos do povo eleito (Juízes 3,13 Juízes 10,6-9) e foram derrotados por Jefté (Juízes 11,1-12,4), Saul (1Samuel 11,1-11) e Davi (2Samuel 12,26-31). Segundo uma anedota popular são descendentes de Ben-Ami, nascido de um incesto de uma das filhas de Ló com o pai (Cf. Gênese 19,30-38 e nota).

AMOR
O amor a Deus é o primeiro e o maior dos mandamentos (Deuteronômio 6,5 Josué 22,5 Marcos 12,28-30). É a resposta do ser humano à iniciativa de Deus, que nos amou primeiro (Oséias 9,10 Oséias 11,1-4 Jeremias 2,2-4 Jeremias 31,3 Isaías 63,9 Gálatas 2,20 1João 4,19). O amor imenso de Deus se manifesta na cruz de Cristo (1João 3,1-16 1João 4,7-19 Romanos 5,8 Romanos 8,32).
O amor a Deus implica obediência à vontade de Deus (Deuteronômio 5,8-10 Deuteronômio 10,12-21 Mateus 7,21-28 João 15,9-11 1João 2,3 1João 5,3 Deuteronômio 5,8-10), o desapego ao mundo (Mateus 6,24 Romanos 8,7-11 Tiago 4,4 1João 2,15-17) e o amor a Jesus (Mateus 10,37 João 14,21-23 1Coríntios 16,24 Filipenses 1,21-23 Atos 5,41).
O amor ao próximo, junto com o amor a Deus, resume a Lei e os Profetas (Levítico 19,16-18 1Tessalonicenses 4,9-12 Gálatas 5,13-15 Romanos 13,8-10 Mateus 22,35-40 1João 2,7); é o "nó"da perfeição (Colossenses 3,14) e apaga os pecados (1Pedro 4,7-11). O amor aos inimigos foi revelado progressivamente (Deuteronômio 15,1-3 Levítico 19,33-34 Provérbios 25,21-22 Romanos 12,20 Mateus 5,43-48).
O amor ao próximo conhece degraus:
a) amar o próximo como a si mesmo (Mateus 22,26);
b) amar o próximo como a Cristo (Mateus 25,31-46);
c) amar o próximo como Cristo o ama (João 15,9s; 1João 3,16-19 1Pedro 1,22-23 João 15,9s); d) amar o próximo à imagem do amor trinitário (João 17,21-23 1João 4,7-16).
O amor fraterno é um sinal de contradição para o mundo (1João 3,11-15 João 15,18-21); é um sinal de que amamos a Deus (1João 2,3-11 1João 4,19-21 Tiago 2,1-3 Tiago 2,14-26). Ver "Próximo".

AMORREUS
Nome de um dos povos pré-israelitas que ocupavam a Palestina e a Transjordânia. Foram derrotados pelos israelitas ao iniciarem a conquista de Canaã, após a saída do Egito (Números 21,21-35). Na Cisjordânia, Josué derrotou cinco reis amorreus (Josué 10,1-14).

ANANIAS
O nome em hebraico significa "o Senhor compadeceu-se". São conhecidos três personagens do Novo Testamento com esse nome:
1. o marido de Safira (Atos 5,1-11);
2. o cristão que acolheu Paulo em Damasco, por ocasião de sua conversão (9,10-17; 22,12-16);
3. o Sumo Sacerdote que mandou esbofetear Paulo frente ao tribunal (23,2-5). Nesta ocasião, Paulo profetizou sua morte violenta; de fato, ele foi assassinado em 66 d.C. pelos zelotes.

ANÁS
Sumo Sacerdote, nomeado por Quirino, que exerceu o cargo entre 6 e 15 d.C. (Lucas 3,2). É o sogro do Sumo Sacerdote Caifás, com quem presidiu ao interrogatório de Jesus (João 18,13-24) e ao de Pedro e João (Atos 4,6).

ANÁTEMA
Ou "extermínio" (em hebraico herem), significa uma pessoa, animal ou coisa que alguém subtrai do uso profano, consagrando-a a Deus (Deuteronômio 12,12-14 Josué 11,11 Josué 11,14). Tal "anátema"não podia ser resgatado, e muitas vezes devia ser destruído (cf. Josué 6,17 e nota). Com o tempo, "anátema"indicava apenas objetos oferecidos a Deus (Levítico 27,28 Ezequiel 44,27 Marcos 7,11 Lucas 21,5). Neste sentido Paulo diz que desejava ser "anátema"de Cristo em favor dos judeus (cf. Romanos 9,2-5 e nota). Mas no Novo Testamento "anátema"podia significar também exclusão temporária ou definitiva de uma pessoa do culto e da comunidade (João 9,22 1Coríntios 16,22 Gálatas 1,8-9 cf. Esdras 10,8).

ANCIÃOS
No período tribal de Israel a autoridade era exercida pelos chefes das tribos, em geral os mais velhos. Em princípio, todos os chefes de família gozavam de iguais direitos, mas na realidade eram os poderosos que exerciam a autoridade na tribo. Assim, o termo "ancião"ficou vinculado mais à dignidade do que à idade. Aos anciãos cabia a chefia em tempos de guerra e o poder judicial em tempos de paz.
No período da monarquia perderam sua importância, graças à centralização do poder administrativo e judiciário em Jerusalém. Mas continuavam a organizar a vida cotidiana nas pequenas localidades, função que também exerceram após o exílio (Esdras 7,25 Esdras 10,8 Esdras 10,14). Junto com os sacerdotes e escribas faziam parte do Sinédrio (Mateus 27,41 Marcos 11,27 Marcos 14,43-53). Nas primeiras comunidades cristãs os anciãos governavam as igrejas locais (Atos 11,30 Atos 14,23 cf. 1Pedro 5,1 e nota).

ANJO
Significa "mensageiro", "enviado". Neste sentido Deus pode enviar profetas (Isaías 14,32) ou sacerdotes (Malaquias 2,7) como seus mensageiros. Em textos anteriores à monarquia, o anjo é às vezes identificado com o próprio Deus (cf. Gênese 16,7 e nota; Gênese 22,11-18 Gênese 31,11-13 Êxodo 3,2-5 Juízes 2,1-4). A preocupação com a transcendência divina (Deus, um ser distante e diferente), leva a falar dos anjos como intermediários (Êxodo 14 Êxodo 23,20-23 Números 22,22-35 Juízes 2,1-4 Juízes 6,11-24 Juízes 13,3-23 Gálatas 3,18-22 Êxodo 14,19-20). Eles são, portanto, os mediadores da Aliança. À maneira de um monarca oriental, cercado de cortesãos, Deus passa a ser visto como rodeado de anjos (Gênese 28,12 João 1,51 1Reis 22,19-23 Isaías 6,2-6 Jó 1,6-12 Mateus 16,27), organizados numa verdadeira hierarquia (Gênese 3,24 Isaías 6,2 Efésios 1,21 Colossenses 1,16 1Pedro 3,22 1Tessalonicenses 4,16).
A crença nos anjos se desenvolveu muito após o exílio. Por isso, o Novo Testamento insiste na superioridade da mediação de Cristo sobre a dos anjos (Hebreus 1,4-6 Hebreus 2,5-16 Efésios 1,20-23 Colossenses 1,15-20).

ANO SABÁTICO
Era o último de um período de sete anos. Nele o escravo hebreu tinha direito de recuperar a liberdade (Êxodo 21,2-6); os campos, vinhas e olivais deviam ficar inexplorados (Êxodo 23,10s). Ver Levítico 25,2 Deuteronômio 15,1 Jeremias 34,8.

ANTICRISTO
Ou "homem da iniqüidade" (2Tessalonicenses 2,1-11), é tudo o que se opõe a Cristo, ao Messias. É um personagem que se dedica totalmente ao mal (cf. 1João 2,18 2João 1,7) e que se atribui honras divinas. Em Mateus e Marcos parece ser um personagem coletivo (Mateus 24,23s; Marcos 13,14-20). É a encarnação das forças políticas e religiosas que se opõem ao reino de Deus inaugurado por Cristo (Apocalipse 13,1-18). Cristo, iniciando o combate escatológico contra o mal, já se encontrou com o anticristo, "o príncipe deste mundo" (João 12,31-32 João 14,30 João 16,11), a quem aniquilará no fim dos tempos (2Tessalonicenses 2,8 2Tessalonicenses 1,7-10). Ver "Parusia".

ANTIOQUIA
Cidade fundada por Seleuco I, que se tornou um rico centro comercial, foco da cultura helênica e residência dos Selêucidas. Em 64 a.C.tornou-se capital da província romana da Síria. Ali foi fundada a primeira comunidade cristã mista, composta de judeus e pagãos convertidos. Oséias membros desta comunidade pela primeira vez foram chamados cristãos. Dela partiram Paulo e Barnabé para as suas viagens missionárias (Atos 13,1-3 Atos 14,26-28 Atos 15,35-40 Atos 18,22). Na Ásia Menor, na Pisídia, havia outra Antioquia, onde também Paulo e Barnabé fundaram uma comunidade cristã (Atos 13,14-52).

ANTIPAS
Ou Herodes Antipas, um dos filhos de Herodes o Grande, que de 4 a.C.a 39 d.C. governou a tetrarquia da Galiléia e da Peréia. Nos Evangelhos é chamado simplesmente Herodes (Lucas 3,19 Lucas 9,9 Lucas 13,31-33) e foi denunciado por João Batista por ter tomado a mulher de seu irmão, Herodes Filipe. Instigado por Herodíades, Antipas mandou degolar o Batista (Mateus 14,1-12). Ver "Herodes".

APARIÇÃO
Ver "Teofania".

APOCALÍPTICA
Ou gênero literário apocalíptico. Amplamente difundido no judaísmo do séc. II a.C.ao II d.C.. Tal literatura se caracteriza por uma fantasia exuberante e mesmo bizarra. Nela, animais simbolizam pessoas e povos; números têm valor simbólico e a revelação sobre a história futura é feita por meio de visões explicadas por anjos intérpretes, apresentados como homens. Exemplos deste gênero literário já aparecem em Isaías 24-27; Ezequiel 38-39; Zacarias 9-14. Mas ele é amplamente usado no livro de Daniel, no Apocalipse e na literatura apócrifa judaica e cristã.

APÓCRIFOS
São escritos judaicos ou cristãos não usados na liturgia e na teologia. Promovem muitas vezes doutrinas estranhas e mesmo heréticas. Para recomendá-las aos leitores são apresentados como pretensas revelações de personagens bíblicos do Antigo Testamento e do Novo Testamento. Mas não foram inseridos entre os livros canônicos. Há livros apócrifos tanto do Antigo Testamento como do Novo Testamento. As Igrejas protestantes chamam de apócrifos aqueles livros do Antigo Testamento que os católicos consideram deuterocanônicos. Oséias que os católicos chamam apócrifos, os protestantes consideram pseudepígrafos. Para o Novo Testamento adotam a mesma terminologia dos católicos.

APOLO
Cristão de Alexandria que pregou o Evangelho em Éfeso e Corinto, mas no começo conhecia apenas o batismo de João Batista (Atos 18,24-28 1Coríntios 1,12).

APÓSTOLO
Significa "enviado", " mensageiro". Nos evangelhos o termo é reservado aos doze discípulos escolhidos por Jesus (Marcos 3,13-19 Lucas 6,13-16), para agir em seu nome (Mateus 10,5-8 Mateus 10,40). Oséias apóstolos são escolhidos por Deus para pregar o Evangelho (Romanos 1,1 2Coríntios 5,20), são a base da Igreja (Efésios 2,20 Apocalipse 21,14) e constituem o novo Israel de Deus, recordando as doze tribos (Gênese 35,23-26 Atos 7,8 Mateus 19,28 Lucas 22,30).
Duas são as condições para ser apóstolo: Ter participado na vida pública de Jesus e ser testemunha da ressurreição (s; Atos 2,32 Mateus 28,19 João 20,21). Por isso, contemporâneos de Paulo negavam-lhe a categoria de apóstolo, pois não pertencia aos Doze, nem havia compartilhado da vida pública do Senhor (1Coríntios 9,1-2 1Coríntios 15,3-9 2Coríntios 11,5 2Coríntios 11,13 2Coríntios 12,11-13). Mas Paulo responde que também viu o Ressuscitado, dele recebeu o Evangelho e a investidura no apostolado. Por isso, ele se considera apóstolo de Cristo (1Coríntios 1,1 1Coríntios 1,1 Gálatas 1,1 Efésios 1,1) distinguindo-se dos apóstolos (enviados) das igrejas (Filipenses 2,25 Filipenses 4,3 2Coríntios 8,23 Romanos 16,7), ainda que não pertença aos Doze e não seja testemunha da ressurreição (1Coríntios 12,28 1Coríntios 15,7-11 Gálatas 1,15s).
Pedro aparece como o primeiro dos apóstolos (Lucas 6,14 Lucas 12,41 Lucas 8,45 Lucas 9,32-33. Ele é a "rocha" e o portador das chaves da casa de Deus (Mateus 16,17-18 João 1,41-42); é a primeira testemunha da ressurreição (Atos 1,15-20).

ÁQÜILA
Judeu que se converteu com sua esposa Priscila em Roma, donde foi expulso por decreto de Cláudio, junto com outros judeus. Nesta ocasião Paulo o encontrou em Corinto, trabalhou e hospedou-se em sua casa (Atos 18,2s). Áqüila e Priscila acompanharam Paulo a Éfeso, onde encontraram Apolo e o instruíram na doutrina do Apóstolo (Atos 18,18-26). Paulo os tinha em grande estima como cooperadores no apostolado (Romanos 16,3-5).

ARCA DA ALIANÇA
Ou "arca de Deus" (1Samuel 3,3), era um cofre de madeira recamado de ouro (Êxodo 25,1-22), sinal visível da presença do Deus invisível no meio do povo. Aos israelitas não era permitido representar a divindade por meio de imagens ou esculturas. No entanto a fé precisa de suportes sensíveis e a arca preenchia tal necessidade. Tanta era a fé do povo na arca sagrada, que por vezes a levavam ao campo de batalha, persuadidos de que assim Deus mesmo lutaria a seu lado (1Samuel 4,2-11). Era chamada "da aliança"ou também "do testemunho", porque nela estavam guardadas as tábuas da Lei, base da aliança de Deus com Israel. A arca foi colocada no recinto do Santo dos Santos do templo de Jerusalém (2Reis 8,1-9). Perdeu-se com a destruição de Jerusalém em 587 a.C.(2Reis 25,1-21). Sobre o destino da arca da aliança veja a lenda em 2Macabeus 2,4-8 (nota). Ver "Imagem".

AREÓPAGO
Colina de pedra junto à Acrópole de Atenas, onde havia santuários pagãos. Ali se reunia o Supremo Tribunal de Atenas. Paulo, no ano 50 d.C., dirigiu um discurso aos membros do Areópago (Atos 17,19-34).

ARQUELAU
Etnarca da Judéia, Samaria e Iduméia (4 a.C. a 6 d.C.), mencionado em Mateus 2,22. Escandalizou os judeus por sua vida particular e pelas nomeações de sumos sacerdotes, que fez. Foi denunciado em Roma e deposto. O seu território passou a ser governado pelos procuradores romanos.

ASCENSÃO
Tradições bíblicas populares falam da ascensão de personagens que voltariam no fim dos tempos (Gênese 5,21-24 2Reis 2,11-13 Jud 1,14). Ressurreição e Ascensão de Jesus são um e o mesmo mistério (Lucas 24,1 Lucas 24,13 Lucas 24,50-53 João 20,17-23 Romanos 8,34). Somente Atos 1,1-11 fala de um intervalo de 40 dias entre a Ressurreição e Ascensão. O binômio descida-subida ilumina o sentido da ascensão (Atos 2,29-36 Filipenses 2,6-11 Efésios 4,10 1Pedro 3,19-22 Romanos 10,5-7); João concentra estes dois aspectos na palavra exaltar (João 3,12-15 João 8,27-29 João 12,31-34). Afirma a divindade de Cristo e tem uma dimensão escatológica (Lucas 24,26 Atos 1,9-11 Efésios 1,20 Hebreus 9,24 1Pedro 3,22 cf. Mateus 24,30-31). É garantia da nossa salvação (João 14,2s; Romanos 8,17 Romanos 8,34 Efésios 2,5s; 1Pedro 1,3-4).

ASERA
Divindade feminina dos fenícios, companheira de Baal, representada por um árvore ou por uma estaca sagrada. Ver "Astarte".

ÁSIA
Correspondia ao reino dos Selêucidas, que abrangia a Ásia Menor e o Médio Oriente (1Macabeus 8,6 1Macabeus 11,3 1Macabeus 12,39 2Macabeus 3,3 2Macabeus 10,24). Mais tarde a província romana da Ásia, cuja capital era Éfeso, abrangia a Mísia, a Frígia, a Lídia e a Cária, ou seja, a parte oeste da atual Ásia Menor (Romanos 16,6 1Coríntios 16,19 2Coríntios 1,8 2Timóteo 1,15). Paulo evangelizou esta região durante a sua terceira viagem (Atos 18-21). A Primeira Epístola de Pedro é dirigida também aos cristãos da Ásia e o Apocalipse envia cartas às sete principais comunidades da Ásia (Apocalipse 2-3).

ASSEMBLÉIA
Ver "Igreja".

ASSIDEUS
Ver 1Macabeus 2,42

ASSÍRIOS
Semitas, descendentes de Assur, um dos filhos de Sem (Gênese 10,22). Estabeleceram-se no curso médio do rio Tigre, na Mesopotâmia. Eram um povo guerreiro, que herdou a cultura hurrita e suméria e fundou um grande império no séc. VII a.C., destruído pelos medos e babilônios em 605 a.C.. Foram eles que destruíram o reino de Israel (722 a.C.) e exilaram sua população (2Reis 17).

ASTARTE
Deusa semítica da vegetação e da fertilidade, associada a Baal. Era cultuada em toda a Ásia Menor, especialmente na Fenícia (1Reis 11,5 1Reis 11,33 2Reis 23,13). Seu culto também foi muito apreciado pelos israelitas, arrastando-os à idolatria (cf. Juízes 2,13 e nota). Ver "Asera".

AUGUSTO
Nome do primeiro imperador romano, sob o qual nasceu Jesus (Lucas 2,1). Significa "abençoado, sublime". Mais tarde passou a ser o nome comum dos imperadores reinantes, como expressão do sentido religioso da dignidade imperial. Por isso no Apocalipse se diz que o nome da "besta" é blasfemo (Apocalipse 13,1 Apocalipse 17,3).

AUTÊNTICO
Ou "genuíno", diz-se de um escrito que é realmente do autor a quem se atribui, ou de um texto traduzido enquanto é fiel ao original. O fato de um livro da Bíblia ser falsamente atribuído a algum determinado personagem bíblico não lhe tira a autoridade de escrito inspirado e canônico.

AUTORIDADE
Oséias israelitas conheceram apenas uma única forma de estado nacional : a monarquia. Na Bíblia havia uma corrente hostil à monarquia (1Samuel 8,1-22 1Samuel 10,18-27 Deuteronômio 17,14-20 Oséias 7,3-7 Oséias 13,9-11 Ezequiel 34,1-10); e outra favorável (1Samuel 9,1-10 1Samuel 9,16 1Samuel 11,1-11 1Samuel 11,15 Salmo 2 Salmo 20 Salmo 21).
Antes da monarquia havia juízes, salvadores das tribos em momentos críticos, chamados por isso "maiores" (Juízes 3,9-10 Juízes 3,15 Juízes 4,7 Juízes 8,22-23); ao lado deles havia os "juízes menores", ou governantes que se encarregavam de administrar a justiça (Juízes 10,1-5 Juízes 12,8-15). Depois dela, após o exílio, são as autoridades locais, tradicionais (Esdras 5,9 Esdras 6,7 Esdras 7,1-26 Lucas 22,66-23,1). Entretanto, Deus é o único e o verdadeiro rei das nações (Êxodo 15,8 Juízes 8,23 1Reis 22,19 Isaías 6,5 Isaías 41,21 Isaías 43,15 1Crônicas 17,14). Ele é também o dono de todas as nações (Isaías 14,21-23,18; 45,1-6; Provérbios 8,15-16 Eclesiástico 10,1-4).
Oséias profetas criticam os abusos das autoridades civis e religiosas (Miquéias 3,1-4 Amós 6,1-4 Oséias 4,1-5 Oséias 4,14 Oséias 7,1-7 Oséias 13,10s; Isaías 3,1-15 Isaías 10,1-4 Ezequiel 34), como Jesus o fará em relação aos escribas e fariseus (Mateus 23). Anunciam o reino de Deus (Isaías 7,14 Isaías 9,5-6 Isaías 11,1-5 Jeremias 23,5 Miquéias 5,1 Zacarias 9,9-10 cf. Salmo 47 Salmo 93 Salmo 96-99 Daniel 10,13 Daniel 10,20-21).
Jesus escolhe o caminho do Servo Sofredor e recusa a realeza temporal (Mateus 4,8-11 João 6,14-15 Atos 1,6) Sua realeza não é deste mundo (Mateus 21,1-9 Lucas 17,20-21 João 12,12-19 João 12,31-32 João 18,36-37 Efésios 1,9-10 Efésios 1,15-23).
Na Igreja, a autoridade está a serviço do próximo (Marcos 9,33-35 Mateus 23,11-12 João 13,12-17 Efésios 4,11s).

ÁZIMOS
São pães sem fermento que se comiam na semana da Páscoa. A festa dos Ázimos celebrava-se no princípio da colheita da cevada e do trigo (cf. Êxodo 12,15-20 Levítico 23,5-8). Ver "Festa".



DICIONÁRIO BÍBLICO - LETRA B

BAAL
Termo hebraico que significa "senhor". É o nome do deus mais importante e mais popular da Síria, Fenícia e Canaã. Este deus era considerado o senhor do céu e, conseqüentemente, o deus da chuva, da vegetação e da fertilidade em geral. Seu culto sempre atraiu os israelitas (1Reis 16,31-33 18,20s), apesar de combatido pelos profetas (Jeremias 2,23 Jeremias 11,13 Ezequiel 6,4-6 Oséias 13,1-6). Baal é também o nome genérico das divindades de Canaã (cf. Juízes 2,11).

BABILÔNIA
Ou "Babel", é a capital da Babilônia. Babel significa "porta de Deus". Mas a etimologia popular da narrativa da torre de Babel (cf. Gênese 11,1-9 e nota) deturpou o sentido para "confusão". Para a Babilônia foram deportados os judeus ao ser destruída Jerusalém em 587 a.C.(2Reis 25). Na literatura apocalíptica, Babilônia-Jerusalém se contrapõem como Anticristo-Cristo (Gênese 11,2-9 e Atos 2,5-12). Babilônia é a cidade da técnica, Jerusalém da graça; Babilônia é a prostituta, Jerusalém, a esposa (Apocalipse 17,1-5 Apocalipse 19,2 Apocalipse 21,2). Esta Babilônia, nome simbólico de qualquer nação hostil a Deus, está constantemente em luta com a Igreja (Apocalipse 17,18 1Pedro 5,13).

BALAÃO
Profeta pagão, muito famoso na Transjordânia (cf. Números 22,5), contratado pelo rei de Moab para amaldiçoar os israelitas, prestes a conquistar Canaã (Números 22-24). A narrativa popular mostra como Deus se serviu de uma mula para levar Balaão a abençoar Israel.

BARNABÉ
Apelido, que significa "filho da consolação" (Atos 4,36), dado a José, um levita de Chipre, convertido ao cristianismo. Era um modelo de generosidade e vivia em Jerusalém. Foi ele quem acolheu Saulo, recém-convertido, e serviu de intermediário entre Saulo e os apóstolos (Atos 9,27). Foi companheiro de apostolado de Paulo até o concílio dos apóstolos (Atos 11,22-30 Atos 13-14 Atos 15,2-30; Gálatas 2,1 Gálatas 2,9). A partir da segunda viagem separou-se de Paulo (Atos 15,36-39), com quem voltou a colaborar mais tarde (1Coríntios 9,6).

BARTOLOMEU
Nome de um dos doze apóstolos (Mateus 10,3 Atos 1,13). Provavelmente deve ser identificado com Natanael (João 1,45).

BATISMO
Banhos sacros de purificação de impurezas morais ou rituais, ou para conceder forças vitais, eram conhecidos por vários povos antigos. Na religião israelita a imersão na água era usada para a purificação da lepra curada (Levítico 14,8), para tirar a impureza sexual (Levítico 15,16-18) ou resultante do contato com um cadáver (Números 19,19). Tal rito purificatório, aplicado aos prosélitos, tornou-se uma espécie de rito de iniciação do judaísmo, quase tão importante como a circuncisão. Semelhante ao batismo dos prosélitos é o batismo administrado por João Batista. Mas sua característica é o forte apelo à conversão moral, que prepara a vinda do Reino de Deus (Marcos 1,4). João Batista batiza apenas em água, sem o espírito. Por isso seu batismo é imperfeito (Mateus 3,11 Atos 1,4s), o mesmo acontecendo com o batismo que os Doze administravam, antes do dom do Espírito (João 4,1-2 João 7,37-39).
O batismo cristão é considerado superior ao de João porque não é feito apenas com água, mas com o Espírito Santo (Mateus 3,11 João 1,33 Atos 1,5 Atos 11,16). A associação água-espírito já aparece nos profetas (Ezequiel 36,25-26 Joel 3,1-2 Isaías 32,15-18 Isaías 55,1-10), e se verifica no Batismo de Jesus, que constitui a sua investidura messiânica (Mateus 3,13-16 João 1,29-34).
Batismo e fé: Para salvar-se é preciso ter fé (João 3,36 Romanos 10,9-11 Marcos 16,16) e ser batizado (Romanos 6,3-7 Tito 3,4-5 João 3,5 João 4,2-30). Por isso se batizavam até os mortos (1Coríntios 15,29). Daqui o trinômio: Pregação, Fé, Batismo (Hebreus 6,1-2 Hebreus 10,22 Mateus 28,19).
Batismo e Igreja: o batismo incorpora à Igreja (1Coríntios 12,12-13 1Coríntios 10,1-2); é o sacramento das bodas de Cristo com a Igreja (Efésios 5,25-27); é um revestimento de Cristo (Gálatas 3,27); é um sepultar-se com ele (Romanos 6,1-11 Colossenses 2,11-13); perdoa os pecados, concede o dom do Espírito e a participação na Ressurreição de Cristo (Atos 2,38 Colossenses 2,2 Romanos 6,3-11 1Pedro 3,21). Ver "Ablução", "Penitência".

BELZEBU
Significa "senhor do esterco", isto é, dos sacrifícios oferecidos aos ídolos. É o nome do deus cananeu, chamado no Antigo Testamento Baal-Zebub ("senhor das moscas"), divindade da cidade filistéia de Acaron. No Novo Testamento "Belzebu"era o nome que os fariseus davam ao príncipe dos demônios (Marcos 3,22 Mateus 12,24s).

BEM-AVENTURANÇAS
As bem-aventuranças são um tema da literatura sapiencial. São a ciência da felicidade. Bem-aventuranças aplicadas à felicidade humana (Salmo 127 Salmo 128 Eclesiástico 25,8-11 Eclesiástico 26,1-4).
Israel é feliz por ter a Deus como o rei (Salmo 33,12-17 Salmo 144,15 Baruc 4,4 Deuteronômio 33,29). O rei era considerado fonte de felicidade para os seus vassalos (1Reis 10,8).
A observância da Lei torna o homem feliz (Salmo 1 Salmo 119,1-2 Salmo 106,3 Isaías 56,2 Provérbios 29,18). O mesmo sucede com a meditação da sabedoria (Provérbios 3,13 Provérbios 8,32-33 Eclesiástico 14,2); ou com o temor de Deus (Salmo 119,1-2 Salmo 128,1 Eclesiástico 25,8-11); ou com a confiança nele (Salmo 2,12 Salmo 34,9 Salmo 84,13 Provérbios 16,20).
Partindo da experiência de que nem o justo é, às vezes, feliz neste mundo, os profetas proclamam a bem-aventurança dos que virem os últimos tempos (Daniel 12,12 Isaías 32,20 Eclesiástico 48,11 Tobias 13,14-16 Malaquias 3,12-15).
No Novo Testamento,muitas bem-aventuranças declaram que a felicidade está à porta, pois chegaram os últimos tempos (Mateus 13,16 Lucas 1,45 Lucas 11,27-28 João 20,29). Neste sentido Jesus proclamou as bem-aventuranças: O Reino traz a felicidade aos cegos, aos que choram, etc. Lucas 6,20-26 deu-lhes uma feição social (cf. Lucas 4,18-19 Lucas 14,13s; 1Pedro 3,14 1Pedro 4,14) e Mateus, uma dimensão moral, a justificação (Mateus 5,3-11).
As bem-aventuranças do Apocalipse conservam a sua característica escatológica (Apocalipse 14,13 Apocalipse 16,15 Apocalipse 19,9 Apocalipse 20,6 Apocalipse 22,7 Apocalipse 22,14).

BÊNÇÃO
Pode ser entendida como louvor do homem que bendiz a Deus por suas obras ou benefícios recebidos. Tal tipo de bênção (bendição) é freqüente nos Salmos. Bênção é também a ação de Deus em relação ao homem, enquanto objeto de seus benefícios, como a vida, a fecundidade, a paz e o bem-estar em geral (cf. Salmo 131 Salmo 134). Na Bíblia a bênção pode ser pronunciada pelo homem. Assim, os sacerdotes abençoam diariamente os israelitas (cf. Números 6,23-27 e nota); os patriarcas abençoam os filhos antes de morrer (Gênese 9,26s; Gênese 27,27-29 Gênese 49 Deuteronômio 33). O homem pode ser também intermediário da bênção divina, como Abraão, escolhido para nele ser abençoada toda a humanidade (Gênese 12,1-3).
No Antigo Oriente as fórmulas de bênção ou de maldição eram consideradas eficazes, no sentido de que realizavam o que diziam, sobretudo quando escritas (cf. Números 5,23). Por isso, os códigos de leis e tratados de aliança eram concluídos com fórmulas de bênção e maldição (cf. Levítico 26 Deuteronômio 28). Sua finalidade era impedir o desprezo das leis ou a violação dos tratados e promover a fiel observância dos mesmos.
A vontade de Deus é que a bênção tome o lugar da maldição (Ezequiel 34,24-30 Zacarias 8,13 Isaías 44,3 Isaías 53,1-12). Isto se deu em Jesus: fazendo-se por nós maldito, cobriu-nos de bênçãos divinas (Gálatas 3,10-11 1Pedro 2,22-24 cf. Romanos 8,3 2Coríntios 5,21).

BERSABÉIA
O nome hebraico significa "poço dos sete"ou "poço do juramento". É uma antiga cidade cananéia do sul da Palestina, onde se prestava culto ao Deus Eterno (Amós 5,5 Amós 8,14). O santuário foi venerado por Abraão (Gênese 21,21-23), Isaac (Gênese 26,23-33) e Jacó (Gênese 46,1-4). Ali os filhos de Samuel foram juízes (1Samuel 8,2). Bersabéia marca o extremo sul do limite de Israel (2Samuel 3,10).

BETÂNIA
Subúrbio de Jerusalém, vizinho de Betfagé, na estrada romana que na encosta do monte das Oliveiras descia pelo deserto até Jericó. No vilarejo, existente até hoje ("túmulo de Lázaro"), moravam Lázaro, Marta e Maria (Lucas 10,38 João 11,1) e Simão o Leproso (Mateus 26,6); lá passou Jesus na entrada em Jerusalém (Mateus 21,17 João 12,1-8) e na Ascensão (Lucas 24,50).
Uma outra Betânia, lugar de atividade de João Batista, ficava na margem oriental do Jordão (João 1,28); sua localização é discutida: ou no sul do vale do rio Jordão, na altura de Jericó, ou no norte, na altura de Betsã.

BETEL
Em hebraico "casa de Deus". Nome de um antigo santuário cananeu, antes chamado Luza. Tornou-se famoso, pois ali Abraão prestou culto a Deus (Gênese 12,8 Gênese 13,3s) e Jacó teve a visão da escada que unia a terra ao céu (Gênese 28,10-22 Gênese 31,13 Gênese 35,1-16). O rei Jeroboão I, após a divisão do reino de Salomão, mandou colocar em Betel a estátua de um bezerro de ouro (1Reis 12,26-30). Por isso os profetas passaram a chamar o lugar de Bet-Áven, "casa da iniqüidade"ou da nulidade, isto é, dos ídolos (cf. Oséias 4,15).

BÍBLIA
Nome dado ao conjunto dos livros inspirados do Antigo Testamento e do Novo Testamento,originariamente escritos em hebraico, aramaico e grego. O termo vem do grego tá Biblia, "os livros". Estes livros são o patrimônio espiritual do judaísmo e das igrejas cristãs.
A Bíblia foi escrita ao longo de mil anos, mas sua inspiração é atestada só pelo final do I século, em 2Timóteo 3,16s e 2Pedro 1,21. Mas bem cedo se recomendava sua leitura (Êxodo 24,7 Deuteronômio 17,19 Josué 1,8 Isaías 34,16 João 5,39 Atos 8,28 Romanos 15,4 2Coríntios 1,13 Efésios 3,3s). Sendo um livro inspirado, deve ser lido com piedade e humildade (Eclesiástico 32,15 Mateus 11,15 Mateus 13,11 1Coríntios 2,12-14 2Timóteo 3,7 2Timóteo 3,16). Sendo um livro antigo, escrito por um povo de cultura diferente da nossa, que trata dos planos de Deus a respeito dos homens, a Bíblia carece de interpretação (Cântico dos Cânticos 9,16-18 Mateus 13,11 Marcos 4,34 Lucas 24,45 Atos 8,30s; 1Coríntios 12,30 2Pedro 1,20 2Pedro 3,15s. Sendo um livro assumido pela Igreja como fonte de revelação, necessita também de sua interpretação oficial (Malaquias 2,7 Mateus 16,18 Mateus 28,19s; Lucas 10,16 João 14,16 João 14,26 João 16,13 João 20,22s; Efésios 2,20 1Timóteo 3,13). Ver "Revelação".

BISPO
As Igrejas judeu-cristãs parece que eram governadas por um colégio de presbíteros ou anciãos, ao estilo das sinagogas (Atos 11,29-30 Atos 14,23 Atos 15,2 Atos 15,4 Atos 15,6 Atos 15,22s, Atos 20,17 1Pedro 5,1-4 Tiago 5,14). Tiago, em Jerusalém, aparece como o presbítero dum colégio de presbíteros ou anciãos (Atos 12,17 Atos 15,13 Atos 21,18 Gálatas 1,18-19 Gálatas 2,9 Gálatas 2,12).
Nas Igrejas de origem pagã, fundadas por Paulo, aparecem os episcopoi, "epíscopos"ou "bispos", palavra que significa "vigilantes", "inspetores" (Atos 20,28 comparar 1Timóteo 3,2 e Tito 1,7 com 1Timóteo 5,17 e Tito 1,5 Tito 1,7). Paulo ordenou alguns dos seus discípulos como "inspetores apostólicos" (2Timóteo 1,6 Tito 1,5 1Timóteo 4,14 2Coríntios 8,15-24).
Existia a hierarquia constituída pela imposição das mãos (1Timóteo 4,14 2Timóteo 1,6-7) e a "pneumática", sujeita aos apóstolos (1Coríntios 12,4-11 1Coríntios 12,28-29 1Coríntios 14,26-40).
Portanto, no séc. I, sob a dependência dos apóstolos, as Igrejas tiveram diversas formas de governo. No séc. II, como no-lo testemunham os documentos da Tradição, aparece o episcopado monárquico. A doutrina católica sobre o episcopado foi recentemente exposta pelo Concílio Vaticano II (LG 18-19). Ver Atos 20,28 e 1Timóteo 3,2.

BITÍNIA
Região no noroeste da Ásia Menor, no litoral do mar Negro. Com o Ponto formava uma província romana. Durante a segunda viagem missionária Paulo e Timóteo pretendiam visitar esta região, mas foram impedidos pelo Espírito (Atos 16,6-10).

BLASFÊMIA
É o ultraje dirigido a Deus, a própria pretensão de ocupar o seu lugar, ou de falar em seu nome sem autorização (Deuteronômio 18,20-22). Na Bíblia, é condenada a blasfêmia e o blasfemador considerado digno de morte (Êxodo 20,7 Levítico 24,13 Levítico 24,22 Mateus 27,39-44 Apocalipse 13,6 Apocalipse 16,11). Pessoas justas foram acusadas de blasfêmia para serem condenadas à morte: Nabot, proprietário de um sítio cobiçado pelo rei Acab (1Reis 21,1-16); Jesus Cristo (Marcos 14,60-64); Estêvão, o primeiro mártir cristão (Atos 7,54-60).

BOAS OBRAS
Exortação para praticá-las: Provérbios 21,3 Miquéias 6,8 Mateus 3,10 Mateus 5,16 Mateus 7,17 Mateus 7,21 Tiago 2,14-22. Prêmio prometido: Provérbios 11,18 Eclesiastes 35,13 Isaías 3,10 Mateus 6,6 Mateus 16,27 Mateus 20,8 Mateus 25,14-26 Romanos 2,6s; 1Coríntios 3,8 1Coríntios 15,28. São os "frutos do Espírito Santo" (João 15,1-6 Gálatas 5,5-25 Romanos 6,20-23 Mateus 7,16-20), esperados por Cristo (Marcos 11,12-25 Mateus 21,18-19 Lucas 13,6-9). Ver "Justiça".

BODE EXPIATÓRIO
É o macho caprino que no Dia da Expiação levava simbolicamente os pecados do povo para o deserto (Levítico 16,7-20), onde segundo a crença popular morava o espírito mau de Azazel (cf. Levítico 11,8 e nota: Mateus 12,43).
Ao lado da idéia da necessidade de sacrifícios para expiar pecados aparece outra, na qual se dispensa o derramamento de sangue para perdoar pecados (Êxodo 34,6-7 Ezequiel 18,21-23 Mateus 6,12-14s; Hebreus 7,26-27 1João 1,9 Apocalipse 21,22. Ver "Expiação" e "Sacrifícios".





DICIONÁRIO BÍBLICO - LETRA C

CAIFÁS
Exerceu a função de Sumo Sacerdote durante a atividade de João Batista (Lucas 3,2) e o processo contra Jesus (Mateus 26,3 Mateus 26,57 João 11,49 João 18,24-28), entre 18 e 36 d.C.. Era o genro de Anás (18,13).

CAIM
Ver "Abel".

CÁLICE
Ver "Eucaristia".

CALVÁRIO
Ver "Gólgota".

CAMINHO
Além do seu sentido normal, o termo é usado em sentido metafórico como vida do homem, sua conduta e seus hábitos. Indica também o modo de agir de Deus para com o homem ("os caminhos de Deus"), ou as normas que ele traçou para o agir humano, isto é, os mandamentos. No Novo Testamento a doutrina cristã é chamada "caminho" (Atos 9,2 Atos 16,17 Atos 19,23 Atos 22,4 Atos 24,14).

CANÁ
Cidade da Galiléia onde teve lugar o casamento ao qual foram convidados Jesus e os apóstolos (João 2,2) e onde foi curado o filho do oficial da corte (4,46). Era a terra natal de Natanael (21,2). Nas bodas de Caná, Cristo se manifesta como o Esposo da Igreja, no terceiro dia após seu batismo (João 2,1-11 Mateus 22,1-14 João 3,29-30). A intercessão de Maria mostra a sua participação no milagre, mas também a independência de Cristo (João 2,3-5 Marcos 3,20-35 Lucas 11,27-28 Lucas 2,49).
A Hora de Jesus é a sua glorificação. Oséias milagres são a antecipação desta glória. São sete os milagres, "sinais", manifestadores de diversos aspectos do Cristo joanino (João 2,1-11 João 4,46-50 João 5,1-15 João 6,1-15 João 6,16-21 João 9,1-41 João 11,33-44).
Jesus, a nova videira, muda em vinho a água das purificações rituais, pois é o seu sangue e a sua palavra o que purifica os homens (João 15,1-8 Mateus 26,26-29 Isaías 5,1-4 Isaías 24,8-11 Marcos 7,3-4 1João 1,7 Apocalipse 1,5 Apocalipse 7,14 Apocalipse 22,14).

CANANEU
Habitante de Canaã, terra prometida por Deus e conquistada pelos israelitas, situada entre o vale do rio Jordão e a costa do Mediterrâneo. No Novo Testamento o termo aparece como nome de um partido político, chamado também dos zelotes. O apóstolo Simão era membro deste partido (Marcos 10,4-11).

CÂNON
Lista dos livros do Antigo Testamento e Novo Testamento inspirados por Deus e, conseqüentemente, normativos para a fé e vida moral dos fiéis. O cânon dos livros inspirados formou-se definitivamente já na era apostólica. Mas houve dúvidas sobre determinados livros do Antigo Testamento e do Novo Testamento,sobretudo entre o II e o IV séculos, devido à proliferação de livros apócrifos. Tais livros são chamados deuterocanônicos, porque foram reconhecidos como canônicos pela Igreja universal num segundo momento. Oséias deuterocanônicos do Novo Testamento são: Hebreus, 2Pedro, Judas, Tiago, 2-3João e Apocalipse; os do Antigo Testamento são: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc e 1-2Macabeus. Estes últimos não constam nas Bíblias editadas pelas Igrejas protestantes, que os consideram apócrifos. A Igreja Católica pronunciou-se definitivamente sobre o cânon no Concílio de Trento (1546).

CANÔNICO
Em sentido ativo, diz-se da Sagrada Escritura, enquanto é critério de verdade, norma de fé e de costumes. Em sentido passivo é o livro que está incluído no cânon ou lista oficial dos livros reconhecidos pela Igreja como inspirados. Distinguem-se livros protocanônicos sobre cuja inspiração houve desde o início consenso em toda a Igreja, e livros deuterocanônicos, de cuja inspiração em determinadas igrejas locais duvidou-se durante algum tempo. Ver "Cânon".

CARIDADE
Não deve ser confundida com o simples dar esmolas. No Antigo Testamento a caridade ao próximo se restringia sobretudo ao povo israelita (cf. Levítico 19,18 Eclesiástico 12,1-17). Ver "Amor"e "Eucaristia".

CARISMA
Termo grego que significa um dom gratuito. É um dom especial do Espírito, dado ao cristão para o bem comum do próximo e a edificação da Igreja (Romanos 12,8 1Coríntios 12,4-10 Efésios 4,11-13). Paulo fala longamente na 1Coríntios 12-15 dos carismas, cuja importância foi muito grande para a difusão do cristianismo. Menciona, entre outros, os dons da sabedoria, da cura, dos milagres, da pregação e do ensino. O mais importante de todos é a caridade.

CARMELO
Nome de uma cidade ao sul de Judá (Josué 15,55 1Samuel 25,7 1Samuel 25,40). Nome também de uma serra de 20 km de comprimento, entre o mar Mediterrâneo e a planície de Jezrael (1Reis 18,42-46). Ali residiam as primeiras comunidades de profetas sob a direção de Elias e Eliseu (1Reis 18 2Reis 2).

CARNE-ESPÍRITO
A antropologia bíblica não conhece a dicotomia grega: corpo-alma. O homem é visto como uma unidade vivente. O termo "carne"é usado simbolicamente para indicar muitas vezes a transitoriedade e a fraqueza do ser humano, mortal e pecador (Gênese 3,3 Jeremias 17,15 Jó 10,4 Mateus 26,40s; 2Coríntios 12,7-10 Isaías 40,3-8 João 17,2). O próprio Verbo de Deus assumiu esta carne frágil e mortal (João 1,14 1Timóteo 3,16).
Enquanto indica o ser humano na sua fragilidade, "carne"pode estar em oposição ao espírito (Isaías 31,3 Salmo 56,5 2Crônicas 32,8). Neste último sentido, nas epístolas de Paulo "carne"significa o homem natural, sem a graça, na sua fraqueza e tendência ao mal (Romanos 9,6-13 Gálatas 6,12-15 Filipenses 3,2-5 Efésios 2,11-13 Romanos 8,12-15), em contraste com o espírito, força que recebe o homem purificado pelo batismo (Romanos 7,14-25 Romanos 13,11-14 Efésios 2,1-6 Colossenses 2,13-23). O cristão é aquele que não vive mais na "carne"mas no "espírito" (Romanos 8,9). Por isso o cristão deve crucificar a carne com suas concupiscências (Romanos 8,5-13 Gálatas 5,22-25 Colossenses 1,24-29).
O espírito, alento vital, sopro ou vento, indica a ação de Deus no ser humano (Gênese 2,7 Gênese 6,17 Gênese 7,22 Romanos 8,14-16 1Coríntios 2,10-13 Gálatas 5,13-25 Gálatas 6,8-10), opõe-se à carne, em sentido mais religioso que físico.

CASTIDADE
Ver "Virgindade".

CATIVEIRO
Houve dois cativeiros ou exílios na história do povo eleito. Em 722 a.C.foi deportada para a Assíria a população do reino do Norte, invadido e destruído pelos assírios (2Reis 17). Em 587 a.C.foi deportada para a Babilônia boa parte da população do reino do Sul, quando Nabucodonosor destruiu Jerusalém (2Reis 25). Durante o cativeiro da Babilônia os exilados foram confortados pelas palavras do profeta Ezequiel e de um profeta anônimo (Isaías 40-55). Eles reavivaram as esperanças de um retorno à pátria, o que aconteceu com o edito de Ciro (538 a.C.), o rei dos persas, que conquistou a Babilônia (Esdras 1,1-4). A dura provação do exílio contribuiu para uma profunda revisão das crenças e renovação espiritual de Israel. O cativeiro da Babilônia é o símbolo do homem decaído e libertado pela graça de Jesus Cristo (Hebreus 2,14s).

CELIBATO
É o estado de uma pessoa que se mantém solteira, aconselhado por Cristo em vista do Reino de Deus (Marcos 10,28-30 Lucas 18,26-30 Mateus 19,27-29 Mateus 22,30) e pelo Apóstolo (1Coríntios 7,1 1Coríntios 7,7 1Coríntios 7,32-35 1Coríntios 7,38-40); é possível viver neste estado com a graça de Deus: Mateus 19,26 Romanos 8,11 Romanos 8,13 1Coríntios 10,13 2Coríntios 12,7-9).

CÉSAR
Nome do famoso general, conquistador da Gália. Mais tarde tornou-se o título usado pelos imperadores romanos (Mateus 22,17-21 Atos 25,2-12).

CESARÉIA
Duas são as cidades com este nome na Palestina:
1. Cesaréia Marítima, construída por Herodes o Grande em homenagem a César Augusto. Tornou-se a residência dos procuradores romanos; ali morava também Cornélio (Atos 10,1) e o diácono Filipe (Atos 21,8).
2. Cesaréia de Filipe, construída por Herodes Filipe nas cabeceiras do rio Jordão. Perto desta cidade Pedro confessou que Jesus era o Messias esperado e Jesus prometeu fazer dele o chefe da futura Igreja (Mateus 16,13-20).

CÉU
O céu pode ser tomado em sentido cosmológico: os antigos o imaginavam como firmamento sólido (Isaías 40,22 Isaías 44,24), apoiado sobre colunas (Jó 26,11). No firmamento há eclusas e por cima estão as águas do Oceano primitivo (Gênese 7,11 Salmo 148,4-6).
O céu em sentido teológico é a morada de Deus, cujo trono está acima do firmamento (Isaías 66,1 Êxodo 24,10s; Salmo 104,3). Mas Deus não está circunscrito à sua morada. Ele está presente em toda a parte (1Reis 8,27). Por isso "céu"é a vida divina repartida com os eleitos na eternidade. Esta realidade religiosa é expressa com imagens: nova Jerusalém, novo templo, Sião reconstruída, montanha santa, etc. (Isaías 4,2-6 Isaías 25,6-9 Isaías 60 Zacarias 2,14 Ezequiel 37,26-28 Salmo 48,2-4).
No Novo Testamento céu substitui o próprio nome de Deus (Mateus 5,16-20 Mateus 6,9 cf. 1Macabeus 3,18 e nota).
Nos céus está Cristo, nossa esperança (Efésios 1,18-22 Colossenses 3,1-4 João 14,1-3). Por isso o céu é nossa herança (Filipenses 3,17-21 Colossenses 1,5 Colossenses 1,12 1Pedro 1,4 Lucas 10,20 Mateus 25,31-46). Quando a recebermos, viveremos de Deus (1João 3,2 2Coríntios 5,4-8 Apocalipse 5,6-12 Apocalipse 7,2-12 Apocalipse 14,1-3 Apocalipse 21). Ver "Retribuição".

CIRCUNCISÃO
Operação cirúrgica para remover o prepúcio, pele que cobre a glande do membro viril. A prática de caráter mágico de iniciação ao matrimônio, conhecida por muitos povos antigos, existe ainda hoje em tribos primitivas da África, América e Austrália. Oséias israelitas aprenderam a circuncisão dos egípcios. O uso da circuncisão não é simples prática higiênica (como a operação de fimose), mas um rito de puberdade que marca o início da idade viril. Em Israel a circuncisão se fazia já no oitavo dia do nascimento (Lucas 1,59 Lucas 2,21); a partir do exílio, foi considerada um sinal da aliança (Gênese 17,3-14), um rito de inserção no povo eleito (Êxodo 4,24-26 1Macabeus 1,15).
Oséias profetas mostram ser mais importante do que a marca da carne a "circuncisão do coração" (Deuteronômio 10,16 Deuteronômio 30,6 Jeremias 4,4 Jeremias 9,25), que consiste na remoção dos obstáculos postos pelo homem em sua relação com Deus (Romanos 2,29 Romanos 4,3 Romanos 4,9 Romanos 4,22 Colossenses 2,11).

CIÚME
Em sentido humano, é o zelo do homem pelos seus direitos conjugais (Provérbios 27,4), que pode submeter a esposa ao processo do ordálio (cf. Números 5,11-31). Pode significar também inveja ou rivalidade (11,26-29; Salmo 37,1). Em sentido religioso o termo indica o zelo pela causa de Deus (Números 25) e, sobretudo, o amor apaixonado, exigente e exclusivista de Deus. Deus não admite concorrentes ao lado dele (Êxodo 20,5); propõe uma aliança exclusiva com seu povo (34,12-16), exigindo amor total e exclusivo (Deuteronômio 6,5 Deuteronômio 6,13-15). Deus defende com ciúme a honra de seu santo nome (Ezequiel 36) e com zelo defende o seu povo (Isaías 9,6 Isaías 63,15).

CLÁUDIO
Nome do imperador romano (41-54 d.C.) que sucedeu a seu primo Calígula. O profeta Ágabo anunciou uma fome que devia vir para o mundo inteiro sob seu governo (Atos 11,28). No ano 49 d.C. Cláudio decretou a expulsão dos judeus de Roma, entre os quais estavam Áqüila e Priscila (18,2).

CLÉOFAS
Esposo da Maria que estava aos pés da cruz com a mãe de Jesus (João 19,25). Ele teria sido irmão de José, esposo de Maria, Mãe de Jesus; isto é, tio de Jesus. É distinto do outro Cléofas, um dos discípulos de Emaús (Lucas 24,8).

COBRADOR DE IMPOSTOS
Ver "Publicano".

CÓDICE
Inicialmente os livros eram escritos à mão, em rolos, isto é, em, tiras de papiro ou de pergaminho. Aos poucos surgiu uma nova técnica de fazer livros: as folhas avulsas de um documento escrito eram dobradas, colocadas uma sobre a outra e costuradas, dando origem ao "códice". Quatro folhas, cada uma dobrada ao meio, davam um caderno de oito folhas ou dezesseis páginas. Tal técnica, já conhecida no séc. II a.C., tornou-se comum nos manuscritos cristãos. São famosos os códices gregos da Bíblia, conhecidos pelos nomes Vaticano, Alexandrino e Sinaítico. Ver "Manuscrito".

COMÉRCIO
Profissão perigosa porque leva facilmente à apropriação indébita dos frutos do trabalho alheio (Ezequiel 26-28 Eclesiástico 26,29 Eclesiástico 27,1 Apocalipse 18,15). Oséias abusos são denunciados e condenados (Deuteronômio 23,19 Provérbios 11,26 Provérbios 20,10 Provérbios 20,23 Ezequiel 18,18 Amós 2,6s; Amós 5,11s; Amós 8,5s). Como proceder: Levítico 19,35s; Levítico 25,14 Deuteronômio 23,13-16 Provérbios 11,1 1Coríntios 7,30).

COMUNHÃO
Ver "Eucaristia", "Participação".

CONFESSAR
Significa professar a fé em Cristo (Romanos 10,9 Filipenses 2,11), louvar a Deus pelas suas maravilhas (Lucas 1,46-54 Lucas 1,68-79 Mateus 11,25-27), ou reconhecer os próprios pecados (Levítico 5,5 Números 5,7 1João 1,9).
Quer nos sacrifícios da Antiga Lei, quer no batismo de João, as pessoas confessavam-se pecadoras (Levítico 4 Levítico 23,26-32 Mateus 3,6 Marcos 1,4-5 Lucas 3,3-14). Cristo, com efeito, veio para os que se confessam pecadores (Mateus 9,13 Mateus 11,19 1Timóteo 1,5). Oséias evangelistas contam-nos algumas destas confissões (Lucas 5,8 Lucas 7,36-50 Lucas 19,1-10 João 4,5-42 Lucas 15,11-32 Lucas 18,9-14). Oséias apóstolos falam da confissão dos pecados (1João 1,9-10 Atos 19,18 João 20,23 Mateus 18,18 Tiago 5,16).

CONFIRMAÇÃO
João Batista anunciava um batismo no Espírito e no fogo (Lucas 3,16). O evangelista João fala dum renascimento da água e do Espírito (João 3,5 cf. 1João 2,20 1João 2,27). O próprio Jesus anunciou um outro "Paráclito" (João 14,16 João 14,26 João 15,26 João 16,7-15 Atos 1,4-8).
No Pentecostes a ligação Espírito-fogo é evidente, bem como o tema da reunião frente à dispersão babilônica (Atos 2,1-13 Atos 4,31-33 Gênese 11,1-9).
Para os primeiros cristãos Batismo e Espírito estavam unidos (Atos 8,14-17 Atos 19,1-7 Atos 10,44-47 Atos 9,17-18). Batizados e confirmados recebemos em nós o "selo", a assinatura do Espírito Santo, como os hebreus a recebiam na carne pela circuncisão (Romanos 4,11 Ezequiel 9,4-7 Apocalipse 9,4 Filipenses 3,3 2Coríntios 1,14-22 Efésios 1,13-14 Efésios 4,30 1João 2,20-27).

CONSAGRAR
Retirar um objeto ou uma pessoa do uso profano, para transferi-los de modo permanente ao domínio de Deus (Êxodo 13,1 Êxodo 30,29). Ver "Anátema".

CONSCIÊNCIA
Esta realidade, sobretudo no Antigo Testamento,existe sob o nome de coração e rins. Estes últimos englobam o mundo passional do inconsciente. Deus é aquele que penetra e julga os rins e o coração (Salmo 7,9-13 Salmo 16,7-9 Salmo 139 Jeremias 11,19-20 Jeremias 12,1-3 Jeremias 17,9-11 1Reis 8,37-40 1João 3,19-21 1Samuel 16,6-11 Jó 27,1-7). Afasta os corações endurecidos (Isaías 6,9-10 Atos 7,51-54 João 12,37-43).
A consciência arrependida é um coração despedaçado (Joel 2,12-17 Salmo 51,18-19 2Crônicas 6,36-39 2Crônicas 15,11-14). É preciso circuncidar o coração, evitando o formalismo (Jeremias 4,1-4 Jeremias 9,24-25 Deuteronômio 10,15-17 Romanos 2,25-29).
Deus dá um coração novo, isto é, uma nova consciência (Jeremias 31,31-34 Jeremias 32,37-41 Ezequiel 11,17-21 Ezequiel 36,23-28). Daqui a expressão "amar a Deus com todo o coração" (Deuteronômio 6,4-6 Deuteronômio 10,12-13 Deuteronômio 13,4-5 Deuteronômio 30,1-6 Mateus 22,34-37). Assim a moral do Novo Testamento é uma moral interior, do "coração puro" (Salmo 64,10-11 Mateus 5,8 Mateus 5,28 Mateus 6,1-6 1Pedro 1,21-23 Hebreus 9,13-14 Hebreus 10,19-23 1Coríntios 4,3-5 2Coríntios 1,12-14 Romanos 2,12-16 Romanos 13,5 Romanos 14,10-23).

CONVERSÃO
É a mudança moral, pela qual o homem renuncia à sua conduta anterior, volta-se para Deus e cumpre a sua vontade. Na pregação dos profetas conversão é abandonar o serviço dos ídolos, que leva a descuidar do serviço de Deus e da observância de seus preceitos (Jeremias 7 cf. 1Tessalonicenses 1,9). Esta conversão, porém, não é obra humana, mas fruto da intervenção de Deus na vida moral do homem (Jeremias 24,7 Jeremias 31,31-34 Ezequiel 11,18-21 Oséias 14,2-10).
Tanto João Batista como Jesus começaram sua pregação exortando à conversão, em vista da proximidade do Reino de Deus (Mateus 3,2 Mateus 4,17 Marcos 1,15). Depois de Pentecostes os apóstolos convidam seus ouvintes à conversão para serem batizados (Atos 2,38 Atos 20,21). Ver "Confissão" e "Penitência".

CORAÇÃO
Além de órgão humano ou animal, o coração é visto como sede do homem interior (1Pedro 3,4), conhecido por Deus (1Samuel 16,7). É a sede da vida intelectiva, dos pensamentos (Daniel 2,30), da fé e da dúvida (Marcos 11,23 Romanos 10,8s), enfim dos sentimentos e das paixões em geral (Deuteronômio 15,10 Deuteronômio 20,3 Deuteronômio 28,47 Romanos 1,24). O coração é ainda a sede da vontade, da vida moral e religiosa (Lucas 21,14 2Coríntios 9,7 Gálatas 4,6). Por isso o coração representa o homem todo (Joel 2,13). Ver "endurecimento do coração" em Êxodo 7,3 e nota.

CORDEIRO DE DEUS
Ver "Cristo".

CORPO MÍSTICO
A Santa Ceia inspirou Paulo a fazer da expressão " Corpo de Cristo"o centro e a característica da caridade (1Coríntios 11,17-34 1Coríntios 10,16-17). Era um lugar comum tomar o corpo humano como tipo de solidariedade (1Coríntios 12,14 1Coríntios 12,18 1Coríntios 12,25 1Coríntios 12,27 Romanos 12,4-8 Colossenses 3,15). É o fundamento da castidade cristã (1Coríntios 6,13-17).
O Corpo místico é identificado com a Igreja, a reunião dos crentes; Cristo é a cabeça desta reunião. O Espírito Santo, a alma (Efésios 1,22-23 Colossenses 1,18-19 Colossenses 1,24 Colossenses 2,18-19 Efésios 4,15-16).

CORREÇÃO FRATERNA
Se teu irmão se porta mal, repreende-o (Lucas 17,3), mas antes olha para ti mesmo (Mateus 7,1-5) e faze-o sempre com bondade (Eclesiástico 19,17 Mateus 18,15-17 Lucas 23,40 1Coríntios 4,14 Gálatas 2,11 Gálatas 6,1 1Tessalonicenses 5,14 1Timóteo 5,1-2 Tiago 5,19-20). Devemos aceitar a correção com humildade (Salmo 141,5 Provérbios 12,1 Eclesiástico 21,6 Mateus 18,15-17).

CRIAÇÃO
O tema constitui uma das noções básicas da fé de Israel. A Bíblia projeta na contemplação da criação a experiência da Aliança e da sua vivência religiosa. Assim, o autor inspirado conforme seja um narrador ou um poeta, um sábio, um sacerdote, um cantor, admirará na criação ora a onipotência divina, ora a sua sabedoria, ora o seu governo real, ora a sua manifestação.
A mais antiga narração da criação é do séc. X a.C.. Numa linguagem popular, atribui a Deus a criação do ser humano e pretende responder a vários "porquês": da vida a dois, do trabalho, da dor (Gênese 2,4-25). Um poeta admira a onipotência de Deus na criação (Jó 38,1-40,5 Jó 26,5-14 Salmo 89,10-13). Louva a Deus com entusiasmo pela grandeza de seu poder criador (Salmo 8 Salmo 19,3-7 Salmo 104), pois ele criou todas as coisas do nada (cf. 2Macabeus 7,28 e nota). Louva a Deus pela sabedoria da criação (Isaías 40,12-17 Provérbios 8,22-35 Eclesiástico 43,33 Salmo 19,1-3).
Deus é o criador do mundo (Jeremias 27,5 Jeremias 31,35) e da história (Isaías 22,11 Isaías 37,26). Na literatura pós-exílica as afirmações sobre o poder criador de Deus são mais freqüentes. Ele cria o universo pela sua palavra (Salmo 33,6-9 Salmo 148,5 Isaías 40-55) e renova a criação, realizando a salvação prometida (Isaías 41,20 Isaías 45,8 Isaías 48,7) e transformando o coração do homem arrependido (Salmo 51).
No Novo Testamento sabemos que tudo foi criado em Cristo e por Cristo (1Coríntios 8,6 Colossenses 1,16 Hebreus 1,2), e que a sua obra redentora é uma nova criação (Romanos 8,18-22 1Coríntios 15,45-48 2Coríntios 5,17 Efésios 4,24 Tiago 1,18 2Pedro 3,13 Apocalipse 21,1-5 cf. Isaías 65,17-18).

CRISMA
Ver "Confirmação".

CRISTÃO
O nome vem de Cristo, o Ungido. Deve ter sido dado pelos magistrados romanos aos seguidores de Jesus Cristo. Esta denominação foi dada aos discípulos de Jesus pela primeira vez em Antioquia da Síria (Atos 11,26 cf. Atos 26,28 1Pedro 4,16).

CRISTO
O termo de origem grega significa "ungido"e traduz o termo hebraico "messias". Oséias sumos sacerdotes (Levítico 4,3-16 Levítico 6,15) e os reis de Israel (1Samuel 12,3-5 1Samuel 24,7 1Samuel 24,11) eram chamados "ungidos". Oséias discípulos de Jesus deram-lhe o nome de "Cristo" (Ungido), reconhecendo-o como o messias prometido (João 1,41 João 4,25 Mateus 16,16).
Em alguns textos Jesus é diretamente chamado "Deus" devido ao monoteísmo hebraico (João 1,1 João 20,28). Cristo exprime sua divindade com a expressão "Eu sou" (João 8,24 João 8,28 João 8,58 João 13,19 cf. Êxodo 3,14 Isaías 43,10-13).
É o Filho de Deus: O povo de Israel (Êxodo 4,22 Oséias 11,1 Isaías 1,2 Isaías 30,1 Jeremias 3,22 Isaías 63,16); o rei e certos chefes (2Samuel 7,14 Salmo 2,7); os anjos e os justos (Cântico dos Cânticos 5,1-5 Cântico dos Cânticos 2,13-18 Jó 1,6) são chamados também filhos de Deus. Jesus recebe este título no batismo (Marcos 1,11) e na fidelidade à sua missão (Marcos 9,7 Marcos 15,39).
Cristo é a fonte de água viva (1Coríntios 10,1-11 João 2,1-11 Apocalipse 21,6 João 19,34-37 João 7,37-39 Apocalipse 22,1-2) e a Luz dos povos (Lucas 1,78s; João 1,4-13 João 8,12 João 9,1s; João 12,46-47 Atos 13,46-47 Atos 26,22s; 1Tessalonicenses 5,2-7 Apocalipse 21,22-27 Apocalipse 22,16 cf. Isaías 9,1-6 Isaías 42,6-9 Isaías 60,1-9).
Cristo é o "Senhor" (Kyrios), título que proclama a divina soberania de Jesus (1Coríntios 8,5-6 Atos 10,36 Romanos 10,2 Romanos 14,7-10 Filipenses 2,10-11 João 20,24-28 João 21,7 João 21,15-17). Por isso o temor de Javé (Senhor, nesta Bíblia) passa a ser temor do "Senhor" (Atos 9,31 2Coríntios 5,11 Efésios 5,21). A "glória"de Javé transforma-se na glória do "Senhor" (João 1,14 João 2,11 1Coríntios 2,8 2Timóteo 4,18 1Timóteo 3,16 Filipenses 2,9-11). O dia de Javé -anunciado pelos profetas -passa a ser o "Dia do Senhor" (Atos 2,20 Atos 17,3 1Coríntios 1,8 Filipenses 1,6-10).
Cristo é o bom Pastor (1Samuel 16,10-16 1Samuel 17,33-37 Ezequiel 34 Mateus 25,31-33 Apocalipse 12,5 Apocalipse 19,15 1Pedro 5,4 João 10,1-18 Lucas 15,1-7); o juiz misericordioso (Lucas 7,37 Lucas 9,10 Lucas 19,5 João 8,3 João 10,11) e justo (Mateus 24,30s; João 5,22 Atos 10,42 Atos 17,31 Romanos 2,16).
É a imagem visível do Deus invisível, o novo Adão, a divina Sabedoria (Cântico dos Cânticos 7,6); é a imagem da "glória" ou resplendor de Deus (2Coríntios 4,1-6 Colossenses 1,15); batizados em Cristo, também somos suas imagens (2Coríntios 3,18 Colossenses 3,1-11 Romanos 8,29 1Coríntios 15,49).
Cristo é o Servo do Senhor (Lucas 22,20 Lucas 22,37 João 13,1-15 Atos 8,30-35 1Pedro 2,21-25 cf. Isaías 52,13-53,12); manso como um cordeiro, sofre pelos pecados do seu povo (cf. João 1,29 João 1,36 1Pedro 1,19 Apocalipse 5,6 Apocalipse 8,12).
É o Salvador do mundo (Isaías 62,11 Zacarias 9,9 Atos 5,31 Filipenses 3,20 Lucas 19,10 1João 4,10), a luz do mundo (Mateus 4,16 Lucas 2,30-32 João 8,12 1João 1,5). É aquele que nos remiu do erro e da ignorância (Lucas 1,79 João 1,9 João 3,19 João 8,12 João 12,46), do pecado e conseqüências (João 8,51 Romanos 3,24s; Romanos 4,25 Romanos 5,6-9 Colossenses 1,14 1Pedro 1,18s; 1Pedro 2,24 1João 1,7 Apocalipse 1,5 Apocalipse 5,9). Ver "Palavra".

CRUZ
Instrumento romano de tortura, reservado para escravos e criminosos. Para os judeus o supliciado na cruz era considerado maldito (Deuteronômio 21,23 Gálatas 3,13). Mas, depois que Jesus foi supliciado na cruz, esta se tornou o símbolo religioso do seguimento humilde e abnegado de Cristo. Seguir a Jesus e tomar a própria cruz são elementos inseparáveis da vida cristã (Mateus 10,38 Mateus 16,24 Lucas 9,23 Lucas 9,57-62 Gálatas 5,24).
Tomar a própria cruz se concretiza no martírio e na ascese (Filipenses 3,17-18 Gálatas 5,24 Apocalipse 11,8 Mateus 23,34 Gálatas 2,19-20 João 3,14-15). Escândalo para os judeus (Gálatas 5,1) e loucura para os pagãos (1Coríntios 1,18-23), a cruz é um resumo de todo o Evangelho (Gálatas 6,12-14). Por meio dela nos veio a redenção (Atos 5,30s; Gálatas 3,13). Carregando a própria cruz, o homem participa dessa redenção (Efésios 2,14-16 Colossenses 1,20 Colossenses 2,14), pois crucificado com Cristo pelo batismo obtém a vida pela fé (Gálatas 2,19 Romanos 6,6).

CULTO
O Novo Testamento representa um esforço de espiritualização do culto. Em vez do Templo de pedra, Cristo e os cristãos são templos de Deus (João 2,13-22 João 4,23-24 Marcos 14,58 Marcos 15,29-30 1Coríntios 6,19 Apocalipse 21,22 1Coríntios 3,16 2Coríntios 6,16.
Quanto ao culto das imagens, ver "Cristo, imagem visível do Deus invisível."Depois de Cristo é o homem, a imagem de Deus (Gênese 1,26-27 1Coríntios 11,7).
Espiritualizar o culto é centrá-lo na caridade e na verdade (Mateus 9,13 Lucas 11,41-42 Tiago 1,26-27 Romanos 12,1-13 Filipenses 2,17 Filipenses 4,18).
A princípio, os cristãos observavam o sábado, como também subiam ao Templo (Atos 2,46 Atos 3,1 Atos 5,20-25). Mas depressa se impôs o Domingo, dia da Ressurreição (Atos 20,7 1Coríntios 16,2 Marcos 16,1 Mateus 28,1 Lucas 24,1 João 20,1 Colossenses 2,16 Apocalipse 1,10). Por isso, não devemos manter as festas da Antiga Aliança (Colossenses 2,16 Colossenses 2,20 Gálatas 4,3 Gálatas 4,10).
A liturgia cristã toma elementos sinagogais: leituras, cantos e hinos (Colossenses 3,16 Efésios 5,14-19 1Timóteo 3,16 Apocalipse 4,8 Apocalipse 15,3-4). Mas a "fração do pão"toma o lugar central (Atos 20,7 Atos 20,11 1Coríntios 10,16 1Coríntios 11,20 1Coríntios 11,25).
Além da "fração do pão"ou eucaristia, aparece o batismo por imersão, proclamação da Ressurreição (Efésios 2,15 Efésios 5,26 Tito 3,5-7 Romanos 6,3-8 Romanos 8,11 1Coríntios 12,13). Ligado com a Ressurreição, está o rito da remissão dos pecados (Mateus 18,18 João 20,22-23 Lucas 24,47 Tiago 5,16).
Era também freqüente o gesto sagrado da imposição das mãos (1Timóteo 4,14 Mateus 19,15 2Timóteo 1,6 Atos 6,6 Atos 8,17s; Atos 13,3). Ver "Sábado".





DICIONÁRIO BÍBLICO - LETRA D

Nome de um dos filhos de Jacó, nascido de Bala, escrava de Raquel (Gênese 30,3-6), antepassado da tribo dos danitas. A tribo ocupava inicialmente a região entre Saraá e Estaol (Josué 19,40-48 Juízes 1,34 Juízes 13,2) a 25 km a oeste de Jerusalém. Mas teve de emigrar para o norte, perto das cabeceiras do rio Jordão (Juízes 18). O santuário popular da tribo (18,31) acabou se tornando um santuário nacional, quando Jeroboão mandou instalar ali uma estátua idolátrica do bezerro de ouro (1Reis 12,28).

DAMASCO
Capital da Síria, destruída em 732 a.C.(2Reis 16,9). Desde Davi, ao longo do período monárquico, esteve freqüentemente relacionada com Israel, sobretudo no tempo dos profetas Elias, Eliseu (1Reis 20 1Reis 22 2Reis 6-8) e Isaías (Isaías 7,1-9 Isaías 17,1-3). Desde a época persa vivia ali uma numerosa população judaica. Damasco foi o palco da conversão de Paulo (Atos 9,1-27 2Coríntios 11,32s; Gálatas 1,17).

DECÁLOGO
Nome dado às "dez palavras sagradas"escritas por ordem de Deus (Êxodo 34,28) em duas tábuas de pedra. Elas continham as obrigações básicas da aliança, de caráter sobretudo moral (Êxodo 20,1-17 Deuteronômio 5,6-21).

DECÁPOLE
Território das dez cidades da Transjordânia de população quase exclusivamente pagã, anexadas por Janeu ao reino israelita, mas desde 63 a.C.tornadas independentes da província romana da Síria: Damasco, Filadélfia, Ráfana, Citópolis, Gádara, Hipos, Dion, Péla, Gérasa e Cânata. Durante a vida pública, Jesus várias vezes atravessou o território da Decápole (Marcos 5,20 Marcos 7,31).

DEMÔNIO
Ao lado dos anjos bons, o judaísmo reconhece a existência de espíritos maus, ou anjos maus, que causam mal aos homens. Têm vários nomes, como o "Tentador" (Mateus 4,3), o "Diabo" (Mateus 4,1 Mateus 13,39 João 6,70 Atos 10,38 2Timóteo 2,26 Apocalipse 2,10). Eles estão subordinados a Satanás, o grande adversário de Deus (Mateus 25,41 2Coríntios 12,7 Efésios 2,2 Apocalipse 12,7).
Jesus expulsa muitos demônios ou "espíritos impuros", ainda que talvez se trate de doenças, então popularmente atribuídas aos demônios (Mateus 9,34 Mateus 10,8 Mateus 11,18 Mateus 12,24).
Oséias demônios são uma ameaça à vida religiosa dos fiéis (1Pedro 5,8s; 1João 4,1 1Timóteo 4,1). Mas o cristão, pela sua fé em Cristo, já venceu o diabo e os seus anjos (Efésios 4,27 Efésios 6,11-18 Tiago 4,7 Jud 1,6).
O Novo Testamento,portanto, concebe o mundo dominado por forças maléficas (demônios), cujo chefe é Satanás e que Cristo veio vencer. Frente ao Reino de Cristo e os seus santos está o Reino de Satanás e dos seus sequazes. Ver "Satã".

DEPORTAÇÃO
É a remoção forçada de povos vencidos, de seus países para outros territórios, praticada pelos assírios e babilônios. A finalidade prática era enfraquecer o inimigo e, eventualmente, colonizar territórios próprios. As vítimas da deportação estão em desterro ou exílio. Israel foi submetido várias vezes a deportações. Oséias assírios puseram fim ao reino do Norte, deportando a população de Israel em 734 a.C.(2Reis 15,29 Tobias 1,2) e depois da queda de Samaria, em 722 a.C.(2Reis 17,6 2Reis 18,11). Em 597 e 587 a.C.os babilônios desterraram os habitantes de Judá para a Babilônia (2Reis 24,8-17 2Reis 25,7-12 Ezequiel 3,15).
A deportação, embora não resultasse em prisão, causava grandes sofrimentos. Oséias exilados eram arrancados de sua terra natal e de suas propriedades e tinham dificuldade em praticar sua religião. A situação dos exilados os colocava entre o escravo e o cidadão; podiam adquirir propriedades, exercer profissões, mas sem gozar dos direitos de cidadãos livres.
Sob o ponto de vista religioso o exílio é considerado como punição pela idolatria e infidelidade a Deus, um tempo de purificação e expiação (Ezequiel 11,14-21 Ezequiel 20,32-44). Mas foi também um tempo de renovação da esperança, tornando-se um símbolo da conversão, ou volta a Deus (cf. Ezequiel 33-48 Isaías 40-55). Ver "Cativeiro".

DESCIDA DE CRISTO AOS INFERNOS
Ver "Inferno", "Abismo", "Geena" e "Xeol".

DESERTO
Oséias desertos na Palestina não são de areia, mas sim de montanhas calcárias, onde a vegetação não cresce mais por falta de chuva. O deserto da Judéia é uma estreita faixa situada entre a parte mais alta das montanhas e o vale do rio Jordão, e a depressão do mar Morto. O deserto do Negueb, ao sul de Judá, constitui o limite extremo-sul habitável da Terra Prometida.
A experiência da aliança com Deus no deserto do Sinai deixou profunda marca na alma israelita (Êxodo 19). Ali Israel foi provado por Deus; sentiu fome e sede, mas Deus o alimentou com maná (Êxodo 16) e o dessedentou com água tirada do rochedo (Êxodo 17,1-7). Na solidão do deserto aprendeu a seguir a Deus com fidelidade (Jeremias 2,2). Por isso, o deserto na Bíblia é tanto símbolo da provação, como da renovação espiritual (Oséias 2,16s; 1Reis 19,1-8 Ezequiel 20,34-37).
João Batista preparou-se para sua missão e começou a pregar o batismo de conversão no deserto (Mateus 3,1-3 Marcos 1,4 Lucas 1,80). Após o batismo no Jordão, Jesus retirou-se durante 40 dias para o deserto, onde foi tentado pelo demônio e preparou-se para pregar o Reino de Deus (Mateus 4,1). Ver "Negueb"e "Sinai".

DEUTEROCANÔNICO
Ver "Canônico".

DIA DA EXPIAÇÃO
Ver Levítico 16,1-34 e Atos 27,9; ver também "Expiação", "Bode Expiatório".

DIA DO SENHOR
É o dia em que Deus vem para julgar. Este dia em geral é visto como um dia de punição para os pagãos, para os inimigos de Deus e de seu povo, e de salvação para Israel (cf. Isaías 13 Ezequiel 7,1-27 e nota; Joel 4,9-14). Mais tarde os profetas anunciaram o dia do Senhor como punição também para Israel, para quem a eleição divina não é uma garantia incondicional (cf. Amós 3,1s; Amós 5,18 e nota). Segundo o Novo Testamento este dia vai coincidir com o da vinda gloriosa de Cristo, para o qual se volta toda a esperança cristã (1Coríntios 1,8 1Tessalonicenses 5,2-4).
No Novo Testamento,o primeiro dia da semana, por ser o dia da Ressurreição do Senhor Jesus Cristo, foi chamado "Dia do Senhor" (Apocalipse 1,10). Ver "Parusia", "Culto"e "Sábado".

DIÁCONO
O termo significa "assistente", alguém que serve à mesa (João 2,5 João 2,9). Foram chamados "diáconos"os cristãos escolhidos pelos apóstolos para servirem aos pobres da Igreja de Jerusalém (Atos 6,1-7). Mas estes diáconos logo começaram a dedicar-se também à pregação do Evangelho (Atos 6,8-7,53 Atos 8,5-13). Eles são os auxiliares dos "epíscopos" (cf. Atos 20,28 e nota) na direção das jovens comunidades cristãs (Filipenses 1,1 1Timóteo 3,8-13). Ver "Anciãos", "Bispo"e "Culto".

DIÁSPORA
Ou "dispersão", é o termo aplicado aos judeus espalhados pelo mundo pagão do Império Romano (João 7,35). Na era apostólica a população do Império Romano era de aproximadamente 55 milhões, dos quais 4,5 milhões (8%) eram judeus da diáspora.

DILÚVIO
A narrativa de Gênese 6,5-9,19 descreve uma inundação catastrófica, chamada dilúvio, do qual salvaram-se apenas Noé, sua família e os animais que o acompanhavam na arca. Muitos povos antigos falam de extraordinárias inundações que em épocas muito remotas destruíram a terra. As narrativas mais próximas ao Gênese são as da Mesopotâmia. É possível que no fundo destas narrativas esteja a lembrança remota de inundações catastróficas mas de proporções limitadas (cf. Gênese 7,19s e nota).

DISCÓRDIA
Deve ser evitada (Provérbios 6,19 1Coríntios 3,3 1Coríntios 6,7 1Coríntios 11,16 Filipenses 2,3 2Timóteo 2,14 Tiago 4,1. Tem conseqüências funestas (Eclesiástico 28,12 Mateus 12,25 Marcos 3,24s; ; Tiago 3,14-17).

DIVÓRCIO
É a ruptura do laço matrimonial, permitida pela Lei de Moisés (cf. Deuteronômio 24,1-4 e nota). Nas tribos do Médio-Oriente era usual a poligamia (Juízes 8,30 2Samuel 3,7 2Samuel 16,21 1Reis 11,1-8 Gênese 4,19). Mas o progresso da fé num Deus único orientará os costumes para a fidelidade a uma só mulher, como sinal da fidelidade a um só Deus (Esdras 9,1s; Esdras 10,3 Malaquias 2,10-11 Tobias 8,1s; Eclesiastes 9,1-9 Eclesiástico 26,1-18).
A própria criação postula a monogamia (Gênese 2,18-24 Gênese 1,26-31). A este ideal se refere Jesus (Marcos 10,2-9 Mateus 19,3-9 1Coríntios 7,10-11 Lucas 16,18) ao proibir o divórcio (Mateus 5,31s; cf. Romanos 7,2s; 1Coríntios 7,10s. 1Coríntios 7,27 1Coríntios 7,39) e proclamar a indissolubilidade do Matrimônio, sacramento de união entre Cristo e a Igreja (Efésios 5,22-23).

DÍZIMO
Era a contribuição obrigatória, entregue ao santuário para sustentar os sacerdotes e levitas (Números 18,21-32), os pobres, os órfãos e as viúvas (cf. Deuteronômio 14,22-29 Tobias 1,7s). A contribuição referia-se à décima parte dos cereais, do vinho e do azeite. Oséias fariseus pagavam, porém, o dízimo até dos produtos mais insignificantes, como as hortaliças (Mateus 23,23). Ver "Esmola".

DOMINAÇÕES
Personificação de poderes supraterrestres, relacionados com Satã, príncipe deste mundo (Romanos 8,38 1Coríntios 15,24 Efésios 1,21), mas que não são os anjos maus. O cristão não deve temê-los pois são criaturas de Deus (Colossenses 1,16), mesmo que possam hostilizá-lo (Efésios 6,12), porque Cristo os subjugou (Colossenses 2,10-15 1Pedro 3,22). Ver "Principados", "Potestades", "Satã".

DOMINGO
Ver "Sábado".

DOUTOR DA LEI
Ou escriba, é o homem entendido nas coisas da Lei (Lucas 5,17 Mateus 23,3). Eles recebiam o título honorífico de rabi (Mateus 23,7s) e ensinavam a Lei ao povo (Lucas 2,46 Romanos 2,20). Seu trabalho de instrução é elogiado em Eclesiástico 39,1-11; mas Jesus os criticou por seu casuísmo teológico-jurídico e sua conduta hipócrita. O cristão que tem o dom de ensinar é também chamado doutor (Atos 13,1 1Coríntios 12,28s).

DOZE
Na Bíblia, "doze"é o número sagrado da "eleição": Oséias doze patriarcas, pais das doze tribos (Gênese 35,22-26 Gênese 42,13 Gênese 42,32 Gênese 49,28 Atos 7,8s).
Cristo elege doze apóstolos (Marcos 3,13-19 João 6,70); que recebem uma especial instrução e seguem o Mestre (Lucas 8,1s; Lucas 9,12 Lucas 18,31-34 Marcos 4,10-11 Marcos 14,17s; Lucas 9,2 Lucas 9,5 Marcos 6,7). Constituem o fundamento da Igreja (Efésios 2,20 Apocalipse 21,14 Apocalipse 7,4-12 Mateus 19,28 Lucas 22,30). Cristo come com eles a Ceia Pascal (João 13,1-20 Mateus 26,20-29); ora por eles ao Pai (João 17,17); é a eles que as mulheres anunciam o encontro do túmulo vazio (Lucas 24,9-10 Lucas 24,45-49 João 20,19-23 Mateus 28,18-20). Ver "Apóstolos".





DICIONÁRIO BÍBLICO - LETRA E

ECOLOGIA
As criaturas manifestam a sabedoria e a grandeza do Criador (Jó 28 Jó 38,2-41,25 Jó 42,5 Salmo 19,2-7 Provérbios 8,27-31). O pecado e a violência do homem perturbam a ordem da natureza (Gênese 3,17 6,17-8,14; Êxodo 7,8-11,10; Isaías 1,4-9 2Reis 17,7-28). As criaturas participarão da redenção escatológica (Isaías 11,6-9 Isaías 65,17 Romanos 8,21s; 2Coríntios 5,19 2Pedro 3,3-13 Apocalipse 21,1).
A importância da água (Gênese 1,7 Gênese 2,10-11 Gênese 7,11 Isaías 24,18 Jó 38,22-28 Levítico 26,4 Deuteronômio 11,14 Isaías 30,23s; Jeremias 5,24 Salmo 1,3 Salmo 104,3-18). Seu valor simbólico (Ezequiel 36,24-30 Ezequiel 47,12 Jeremias 31,9 Isaías 49,10 Isaías 41,17-20 Eclesiástico 24,25-31); as águas que dão vida (João 7,37-39 João 4,10-14 1Coríntios 10,4 Apocalipse 22,1 Apocalipse 22,17); as águas batismais (2Reis 5,10-14 Mateus 3,11 Atos 8,36 1Coríntios 6,11 Efésios 5,26 Romanos 6,3-11 Tito 3,5).
A importância das plantas (Gênese 1,11s. Gênese 1,29-30 Gênese 2,9 Gênese 3,22s; Deuteronômio 20,19s; Salmo 104,13-18).
Oséias animais e sua relação com o homem (Gênese 1,20-30 Gênese 2,19s; Gênese 6,19-21 Gênese 9,2-5 Números 22,22-35 1Reis 17,6 João 2,3-7 Jó 38,39-39,30 Jó 40,15-41,26; Salmo 147,9 Marcos 1,13 Mateus 6,26 Atos 28,3-6).

ÉDEN
Ver Gênese 2,8.10-14. Ver "Paraíso". 2680

EDOM
Ou "edomitas", nome dos descendentes de Esaú, irmão de Jacó (cf. Gênese 25,25 Gênese 25,30 Gênese 33,1-17 Ab 9-15). Eles ocupavam a região ao sul do mar Morto, dos dois lados do vale da Arabá, até o Golfo de Ácaba.

EFÁ
Medida de capacidade, equivalente a 45 litros ou três arrobas. Ver a tabela de Medidas, pesos, moedas.

ÉFESO
Importante cidade do litoral oeste da Ásia Menor, desde 133 a.C.capital da província romana da Ásia. Com uma população de 250 mil habitantes e um estádio para 24 mil pessoas, era famosa pelo seu templo de Ártemis e pelas práticas de feitiçaria. Paulo passou por Éfeso durante a segunda viagem (Atos 18,19-21) e ali se deteve por três anos durante a terceira viagem missionária (19,1-20,1). O sucesso de sua pregação fez com que muitos queimassem seus papiros mágicos (19,18s), mas suscitou também tumultos, levando Paulo a abandonar a cidade.

EFOD
Pode indicar uma estátua de um ídolo (cf. Juízes 8,27 Juízes 17,5) ou a parte da veste sacerdotal que continha a bolsa dos urim e tumim, usados para dar as respostas oraculares (cf. Êxodo 25,7 Êxodo 28,6).

EFRAIM
Nome do segundo filho de José e Asenet (Gênese 41,52), que passou também a ser o da tribo que dele descende. Junto com Manassés é destacado nas bênçãos de Jacó (Gênese 49,22-26) e de Moisés (Deuteronômio 33,13-17). Por extensão, Efraim, sobretudo na linguagem poética, engloba todas as tribos do reino do Norte (Jeremias 7,15). No Novo Testamento é também o nome de um vilarejo para onde Jesus se retirou antes de sua paixão (João 11,54).

ELEIÇÃO
Em virtude da aliança, Deus escolheu livremente para si a nação de Israel, como seu próprio povo (Deuteronômio 14,2). Esta eleição está relacionada com o êxodo do Egito (Amós 9,7 Oséias 13,4 Miquéias 6,3-5 Ezequiel 20,5s), mas já teve início com os patriarcas (Jeremias 11,5 Jeremias 33,26). Em virtude da eleição divina são chamados eleitos os patriarcas (Gênese 12,1-7), Moisés, os levitas, o rei (2Samuel 7,14-16) e os membros do povo de Deus em geral (Êxodo 19,1-9). A eleição, porém, não é mérito e sim fruto do amor imerecido de Deus (cf. Deuteronômio 7,6-8).
No Novo Testamento eleitos são os que do judaísmo se converteram ao cristianismo (Romanos 9,27 Romanos 11,5-7), os cristãos em geral (1Pedro 2,9), os apóstolos (Lucas 6,13 João 6,70), especialmente Pedro (Atos 15,7) e Paulo (Atos 9,15).

ELIAS
O nome significa "meu Deus é o Senhor". É o nome do profeta que defendeu intrepidamente a religião javista contra Acab e Jezabel, promotores do culto a Baal. A figura deste profeta austero causou tal impacto no meio do povo, que em torno dele surgiu um ciclo de narrativas de caráter legendário, marcadas por lances dramáticos e milagres (cf. 1Reis 17-19 1Reis 21,17-28 2Reis 1-2). Por causa de seu fim misterioso descrito como assunção ao céu (cf. 2Reis 2,1-18 e nota; Eclesiástico 48,9-12), começou-se a esperar o seu retorno (cf. Malaquias 3,22-24 e nota), crença muito viva no tempo de Jesus. O próprio Jesus afirma que Elias de fato já veio na pessoa de João Batista (cf. Marcos 9,13 e nota).

ENAQUITAS
População legendária de gigantes que ocupava a região de Hebron, quando os israelitas começaram a conquista de Canaã (Números 13,22 Deuteronômio 2,10-12).

ENCARNAÇÃO
Grande mistério (Romanos 11,33 1Timóteo 3,16), no qual participou Deus Pai (João 3,16 Romanos 8,3 Gálatas 4,4), Deus Filho (João 1,14 Hebreus 1,2 Hebreus 10,7-10 1João 4,2) e Deus Espírito Santo (Isaías 7,14 Mateus 1,18 Lucas 1,35 Romanos 1,3-4 Colossenses 2,9).

ENFERMIDADE
É conseqüência do pecado (Gênese 2,17 Gênese 3,19 Deuteronômio 28,20-22 Eclesiástico 31,22 Eclesiástico 38,15 João 5,14); é provação de Deus (Tobias 2,9-14 Tobias 12,13s; Jó 5,17-19 Salmo 34,20 João 9,3). Como proceder na enfermidade: chamar o médico e usar remédios (Eclesiástico 18,20s; Eclesiástico 38,9-14); rezar a Deus (2Reis 20,1-7 Cântico dos Cânticos 16,6-13 Eclesiástico 38,13s; Filipenses 2,25-27); chamar o padre e receber a unção dos enfermos (Tiago 5,14s); cuidar mais da vida espiritual (Salmo 39,7s; Lucas 10,41s; Lucas 12,31 Romanos 8,18 1Coríntios 11,30 Hebreus 13,14 1Pedro 5,7); visitar os enfermos (Gênese 48,1 Jó 2,11 Eclesiástico 7,34s; Mateus 25,39s).

ESCÂNDALO
Ameaças contra o escândalo (Provérbios 28,10 Mateus 18,6-9 Marcos 9,42 Lucas 17,1 1Coríntios 8,12): exortações contra o escândalo (Mateus 13,57 Mateus 15,12 Lucas 7,23 João 6,62 João 7,41).
Cristo é pedra de escândalo (Isaías 8,14 Isaías 28,16 Romanos 9,33 Lucas 2,34), sobretudo para os fariseus (Mateus 15,12); para os judeus (1Coríntios 1,23).

ESCATOLOGIA
Ver "Parusia".

ESCRAVATURA
Ver "Redenção". 2487 2978

ESCRIBA
Desde o tempo de Esdras o escriba é um entendido nas coisas da Lei. Por isso é também chamado doutor da Lei ou rabi. Com o fim do profetismo, cabia sobretudo ao escriba o ensino e interpretação da Lei ao povo (cf. Eclesiástico 38,24 e nota). Por isso, os escribas tornaram-se os líderes espirituais da nação. Depois de longos estudos junto de algum mestre, pelos 40 anos, a pessoa era ordenada escriba com o rito da imposição das mãos. No tempo de Jesus eram famosas as escolas de escribas dirigidas por Hillel e Chammai.

ESCRITA
É conhecida desde o quarto milênio a.C., tanto no Egito, como na Mesopotâmia. Entre os israelitas a arte de escrever era conhecida apenas por pessoas instruídas e de boa posição, especialmente os escribas profissionais (Isaías 29,11s). A escrita hebraica se desenvolveu da escrita fenícia e tem 23 consoantes. É conhecida sob duas formas: a antiga, ainda em uso entre os samaritanos, e a quadrada, que aparece nos manuscritos do I séc. d.C. em diante. O sistema de vogais que fixa a pronúncia das palavras só foi inventado pelos massoretas pelo séc. VI/VII d.C.. Oséias manuscritos bíblicos foram escritos sobre papiro ou pergaminho.

ESCRITURA (SAGRADA)
Ver "Bíblia".

ESMOLA
O mandamento (Tobias 4,7 Tobias 14,11 Lucas 14,12); é um ato de religião (Provérbios 19,17 Eclesiástico 35,4 Mateus 25,35 Hebreus 13,16); exemplos (1Reis 17,10 Tobias 1,3 Jó 31,16 Atos 9,36 Atos 10,2 2Coríntios 8,2).

ESPERANÇA
No Antigo Testamento Deus é a essência, meta final e garantia da esperança (Salmo 130,5-7) do indivíduo (71,5) e do povo em geral (Jeremias 14,8 Jeremias 17,13). Espera-se no poder do braço do Senhor (Isaías 51,5), do qual vem a salvação (Gênese 49,18). Espera-se a vinda da glória do Senhor (Atos 1,11 1Tessalonicenses 4,13-5,11), a conversão de Israel e das nações, a nova aliança baseada no perdão dos pecados (Eclesiástico 2,11 Mateus 18,11 Hebreus 2,17 Hebreus 4,16 2Pedro 3,9).
Apesar de sua história cheia de contradições e infidelidades, Israel conservou a esperança na graça divina (Oséias 12,7 Jeremias 29,11 Jeremias 31,17 Isaías 40,31). Foram os profetas que ergueram a bandeira da esperança nos momentos críticos da história, apontando a renovação dos tempos messiânicos (Oséias 2 Isaías 40-66 Ezequiel 36-37).
No Novo Testamento a salvação prometida torna-se de certo modo já presente pela fé: a justificação, a filiação divina, o dom do Espírito e o novo Israel, composto de judeus e pagãos convertidos a Cristo. Por isso muda também o conteúdo e a motivação da esperança. A esperança do cristão é uma "viva esperança" (1Pedro 1,3), que liberta do temor da morte (Efésios 2,12 1Tessalonicenses 4,13), pois ela está unida ao amor (1Coríntios 13,13) e à fé em Cristo. O cristão espera a salvação (1Tessalonicenses 5,8), a justiça (Gálatas 5,5), a ressurreição (1Coríntios 15), a vida eterna (Tito 1,2 Tito 3,7), a visão de Deus e sua glória (Romanos 5,2). Sua esperança é alegre e corajosa (Romanos 12,12 1Tessalonicenses 5,8), pois está firmemente ancorada em Cristo (Hebreus 6,18s). Ver "Parusia".

ESPIRITISMO
Constata-se na Bíblia a prática da evocação dos mortos (1Samuel 28,3-20 2Reis 21,6 2Reis 23,24 Isaías 8,19 Isaías 29,4), mas é severamente proibida (Levítico 19,31 Levítico 20,27 Deuteronômio 18,10-12 1Crônicas 10,13 Isaías 8,19 Isaías 44,25).
Outras práticas mágicas (Êxodo 7,11s; 2Reis 17,17 2Reis 21,6 2Crônicas 33,6 Salmo 58,5s; Atos 8,9 Atos 19,18-20 2Tessalonicenses 2,9 Apocalipse 13,13s; Apocalipse 16,14).
Adivinhação (Gênese 41,8 Levítico 19,26 Levítico 19,31 1Samuel 28,7 Eclesiástico 12,13 Eclesiástico 34,5 Isaías 47,13s; Jeremias 8,17 Ezequiel 21,26 Oséias 4,12 Atos 16,16).
Castigo severo previsto (Êxodo 22,17 Levítico 20,6 Deuteronômio 4,19 Deuteronômio 13,1-5 Deuteronômio 17,3 Eclesiástico 34,1-7 Isaías 44,25 Isaías 47,9 Jeremias 23,16 Jeremias 23,30-32 Jeremias 28,15-17 Jeremias 29,8 Mateus 12,27 Atos 13,8-11 Atos 16,16-18 Joel 5,19s; Apocalipse 21,8).
Não existe reencarnação (Eclesiastes 9,10 Eclesiástico 14,12-19 Mateus 13,30 Mateus 25 Lucas 16,9 Lucas 16,19-32 Romanos 2,5-8 2Coríntios 5,6-10 Joel 6,6s; Hebreus 9,27). Ver Levítico 19,31 1Crônicas 10,13; ver "Necromancia".

ESPÍRITO (SANTO)
Em hebraico e grego "espírito"significa ar em movimento, hálito ou vento. Por isso também é sinal ou princípio de vida (Gênese 6,17 Gênese 7,15 Ezequiel 37,10-14), a força vital (Jeremias 10,14), a sede dos sentimentos, pensamentos e decisões da vontade (Êxodo 35,21 Isaías 19,3 Jeremias 51,11 Ezequiel 11,19). Deus é que dá o espírito e age no homem pelo seu espírito (Gênese 6,3 Ezequiel 2,2 e nota).
O Espírito falou pelos profetas (Ezequiel 2,2 Ezequiel 3,12-14 Ezequiel 8,3 Ezequiel 11,1) e suscitou "testemunhas" (Atos 1,8 Atos 1,22 Atos 2,32 Atos 3,15 Atos 10,39-41).
No Novo Testamento fala-se em bons e maus espíritos (Hebreus 1,14 Apocalipse 4,5 Marcos 1,13 Marcos 1,23 Marcos 1,26 Atos 5,16).
O Espírito é também Deus verdadeiro, uma pessoa distinta do Pai e do Filho (Mateus 28,19 Marcos 13,11 Atos 5,3s; Atos 20,28 Atos 28,25s; 1Coríntios 3,16s; João 14,16). Procede do Pai e do Filho (Mateus 10,20 João 14,26 João 15,26 João 16,13-15 Gálatas 4,6 Tito 3,5s); foi prometido e enviado (Lucas 24,49 João 7,39 João 14,16s; João 15,26 Atos 1,5 Atos 4,31); foi comunicado pelos apóstolos (Atos 8,14-17 Atos 10,44-47 Atos 11,15-17 Atos 19,2-6 1Tessalonicenses 1,4s); foi dado a cada cristão e é o princípio da vida espiritual e garantia da ressurreição (Romanos 8,2 Romanos 8,11 Lucas 12,11s; João 14,26 João 16,12s; Atos 4,31s; Tito 3,5); concede dons e provoca frutos (Isaías 11,2s; Zacarias 12,10 Joel 5,22s; 1Coríntios 12,4-14,40 Efésios 1,13s; 2Timóteo 1,7).
O Espírito é o Paráclito, isto é, "advogado"dos cristãos no tribunal do mundo (João 14,15-17 João 14,25-26 João 15,26-27 João 16,7-14 Marcos 13,11). Ver "Paráclito".

ESPOSO
O amor de Deus por Israel é comparado ao do noivo por sua noiva, ou do esposo pela esposa (Oséias 2,16 Jeremias 2,2 Jeremias 2,30-37 Jeremias 3,1-13 Ezequiel 16,8). Deus tem "ciúmes" por causa de Israel infiel; por isso castiga-o, mas também lhe promete um coração novo (Jeremias 30,17 Jeremias 31,2-4 Jeremias 31,21-22 Ezequiel 16,53-63) e novas bodas após o castigo do exílio (Oséias 2,16-25 Oséias 3,1-5 Lm 1,1-21 Isaías 49,14-21 Isaías 50,1-2 Isaías 51,17s; Isaías 54,1-10 Ct 1,1s).
João Batista chama Jesus de noivo (João 3,29 Efésios 5,22s), sendo ele o amigo do noivo.
Em Cristo, Deus realiza as bodas definitivas com a Igreja, que é a noiva (2Coríntios 11,2) ou esposa de Cristo (Apocalipse 21,9). Por isso, o Reino é uma festa de casamento (Mateus 22,1-14 Mateus 25,1-13 Lucas 14,16-24 João 2,1-11 João 3,25-30 Mateus 9,14-15 Efésios 5,25s; Gálatas 4,21-23 2Coríntios 11,1-3).
Oséias esponsórios de Deus em Cristo são o fundamento da moral conjugal cristã (Mateus 19,1-9 Efésios 5,22-23 1Coríntios 6,15-20 1Coríntios 11,3-16 1Pedro 3,1-7 Colossenses 3,18-19). Ver "Matrimônio".

ESSÊNIOS
Associação religiosa judaica da Palestina, de caráter monacal e tendência ascética. Sua origem provém, provavelmente, dos assideus (cf. 1Macabeus 2,42 e nota). Não são mencionados na Bíblia. Com a descoberta dos escritos do mar Morto (1947) e das ruínas de Qumrân, ficaram melhor conhecidos os costumes e a doutrina dos essênios e seu possível relacionamento com os fariseus e o Novo Testamento.
Características do grupo: Oséias candidatos passavam por um período de um ano de "postulantado"e dois anos de "noviciado"; o candidato era aprovado como membro após um juramento e recebia uma doutrina secreta. Praticavam a pobreza, o celibato e a obediência a um superior. Faziam abluções rituais e orações matinais. Veneravam Moisés e os anjos. Observavam o sábado, mas estavam separados do culto do templo. Segundo alguns, João Batista teria sido membro da seita dos essênios (Lucas 1,60 Lucas 3,1-21).

ESTACAS SAGRADAS
Ver "Postes Sagrados".

ESTADO
O poder vem de Deus (Provérbios 8,15s; Provérbios 11,14 Eclesiástico 10,1 Eclesiástico 10,4 Eclesiástico 17,17 Daniel 2,21 Mateus 22,21 João 19,11 Romanos 13,1s). Oséias funcionários públicos são responsáveis diante de Deus (2Crônicas 19,6 Eclesiastes 5,7 Cântico dos Cânticos 6,2-9 Efésios 6,9 Hebreus 13,17 Apocalipse 19,16). Devem ser escolhidos entre os mais dignos (Êxodo 18,21-23 Deuteronômio 1,12-17 Salmo 101,6 Provérbios 14,35): devem ser justiceiros e benignos (Deuteronômio 25,1-3 Provérbios 17,15 Provérbios 20,28 Provérbios 29,12 Cântico dos Cânticos 1,1 Cântico dos Cânticos 12,17-19 Jeremias 22,2-5 Jeremias 22,13-19 Lucas 3,14 João 7,24); devem edificar pelo bom exemplo (Deuteronômio 17,15-20 1Reis 2,1-4 1Reis 6,11-13 Eclesiastes 10,16s).
Oséias súditos devem honrar as autoridades como representantes de Deus (Êxodo 22,27 1Samuel 24,7 João 19,11 Atos 23,4s; Romanos 13,7 1Timóteo 2,1-3); devem obedecê-las (Romanos 13,1-7 Tito 3,1 Hebreus 13,17 1Pedro 2,13-15); devem pagar impostos (Mateus 22,15-21 Romanos 13,7).
Mas antes de tudo se deve obedecer a Deus (Tobias 1,15-20 1Macabeus 2,19-22 2MC 7,1s. 2Macabeus 7,30 Atos 4,18s; Atos 5,29 Atos 5,40-42). Ver "Autoridade".

ESTELA (PILAR SAGRADO)
Ou coluna sagrada, de origem cananéia, era uma pedra colocada de pé por chefes em recordação de façanhas. Embora de origem profana, podia ser colocada em santuários e acabava assumindo a finalidade religiosa (cf. Gênese 28,18 e nota) de localizar a presença divina. Mais tarde, para combater os costumes pagãos, o seu uso foi condenado (Êxodo 23,24 Levítico 26,1 Deuteronômio 7,5 Deuteronômio 16,22 cf. 2Crônicas 14,2 e nota).

EUCARISTIA
"Fração do pão" rito tipicamente cristão (Atos 2,42 Atos 2,46 Mateus 26,26 1Coríntios 10,16 1Coríntios 11,24). Celebra-se no domingo, dia da Ressurreição (Atos 20,7 Atos 20,11). Nela o Ressuscitado está presente (Lucas 24,30-35).
É o "pão da vida", refeição pascal (João 6,4) e messiânica. É o novo maná, dado pelo novo Moisés (Salmo 78,24 Salmo 105,40 Cântico dos Cânticos 16,20 Isaías 55,1-3 Provérbios 9,5 Eclesiástico 24,20 João 6,1-15 João 6,22-59 Mateus 14,19-21 Mateus 15,32-39).
É o banquete nupcial e escatológico (Mateus 22,2-14 Mateus 25,1-13 Lucas 14,12-24 João 2,1-12 Apocalipse 14,1-3 Apocalipse 3,20-21). É o sacramento de Unidade (1Coríntios 10,16-17 1Coríntios 11,17-34 João 17,1s; Atos 2,42-46 Lucas 24,30-35), prometido e instituído por Cristo (João 6 Mateus 26,26-28 Marcos 14,22-24 Lucas 22,19-20 1Coríntios 11,23-25).

EUNUCO
Ver Cântico dos Cânticos 3,14 Isaías 56,1-8 e Atos 8,26s.

EVANGELHO
É a "Boa-Nova" anunciando a chegada do Reino de Deus em Cristo (Lucas 4,43-44 Marcos 1,1 Atos 13,32-33 Isaías 40,9-11 Isaías 61,1-2 Lucas 4,16-22 Mateus 11,2-6). Esta feliz boa-nova é anunciada aos pobres (Lucas 6,20-23 Lucas 2,10 Mateus 5,3-12). É o anúncio da salvação (Atos 13,26 Romanos 1,16-17 Romanos 10,14-17 Efésios 1,13); é a pregação do mistério que se realiza em Cristo e na Igreja, incluindo judeus e pagãos (Colossenses 1,26-29 Colossenses 4,2-4 Efésios 3,1-7 Romanos 1,1-6).

EXÍLIO
Ver "Deportação".

ÊXODO
Ver "Moisés", "Páscoa", "Peregrinação", "Libertação". Ver Êxodo 15,17 e Êxodo 19,1-24,11.

EXPIAÇÃO
No início, a expiação é compreendida materialisticamente como uma reparação exterior por uma falta legal (Levítico 14,11-20 Levítico 14,53-54 Levítico 23,26-32 Deuteronômio 13,7-11 Deuteronômio 17,2-7 Deuteronômio 19,15-21 Números 35,32-34 2Samuel 12,13-15).
A expiação visa restabelecer a comunhão entre Deus e o homem, rompida por sua rebeldia. Em textos mais antigos, com a expiação procura-se acalmar a ira divina, punindo o pecador ou praticando um ato cultual (cf. 1Samuel 26,19 2Samuel 21,1-14). Há também ritos expiatórios para apagar o pecado, representado como mancha, pelo sangue de uma vítima (Levítico 16,14-16). Deus é quem institui a expiação e a efetua(Levítico 17,11), quando lhe são oferecidos os sacrifícios pelo pecado e pela culpa.
Deus, intransigente no início, deixa-se dobrar pela sua misericórdia (Jeremias 7,16 Jeremias 11,13-20 Gênese 19,2-22 Jó 42,8-10 Amós 7,3-10); e concede o perdão dos pecados (Oséias 14,3-5 Jeremias 3,21-22).
No Novo Testamento,o povo que pecou muito tem necessidade dum "justo" que se imole por ele e o reconduza a Deus (Isaías 41,1-9 Isaías 49,1-6 Isaías 50,4-9 Isaías 52,13-53,12; Mateus 12,15-21 Filipenses 2,8-11 João 12,31-34 João 11,47-54 1Pedro 2,21-25).
S. Paulo apresenta a obra salvífica de Cristo pela cruz como uma reconciliação entre Deus e os homens (Romanos 5,9-11 2Coríntios 5,18-20 Colossenses 1,20 Efésios 2,13-16).
O sacrifício de Cristo, de valor infinito, reparou para sempre todos os pecados (Hebreus 7,26-28 Hebreus 10,4-14 Hebreus 9,25-26 Apocalipse 12,9-12 Romanos 5,18-19). A Igreja, isto é, os cristãos associam-se à expiação de Cristo (Filipenses 3,10 Romanos 8,17 1Pedro 4,13). Ver "Dia da Expiação".

EXTERMÍNIO
Veja "Anátema".





DICIONÁRIO BÍBLICO - LETRA F

FACE
Muitas vezes o termo designa o próprio Deus, enquanto se volta ou se relaciona com o homem. "Contemplar a face" é ser admitido à presença de Deus; "ver a face de Deus"é algo perigoso para o homem (Êxodo 33,20-23). O homem pede que Deus não lhe esconda a sua face (Salmo 27,8s), mas lhe mostre uma face compassiva (Números 6,25).

FAMÍLIA
Ver "Esposo".

FARAÓ
Título bíblico dos reis egípcios. Veja os nomes de alguns faraós na Tabela Cronológica da História Bíblica .

FARISEUS
Partido religioso judaico, cujos membros se dedicavam ao estudo e observância da Lei mosaica e suas tradições, especialmente o sábado, a pureza ritual e os dízimos. Oséias precursores dos fariseus são os assideus do tempo dos Macabeus (cf. 1Macabeus 2,42 e nota). Sob João Hircano I começaram a fazer oposição à sua política filo-helenística e por ter usurpado o sumo sacerdócio.
Oséias fariseus, embora defensores da teocracia, politicamente eram moderados frente ao domínio romano, se comparados à ferrenha oposição dos zelotes e ao apoio dado pelos saduceus. Comparados a estes últimos, os fariseus eram progressistas quanto às crenças religiosas: criam na existência dos anjos, na ressurreição e na imortalidade (Mateus 22,23-33 Atos 23,6-10). Entre o povo gozavam de grande prestígio e liderança. Jesus condenava não a doutrina (Mateus 23,3) mas a hipocrisia e soberba dos fariseus (Mateus 23,13-36) que os levava a desprezar a massa "ignorante" (Lucas 18,9-14). Ver "Essênios".

No Antigo Testamento a fé é raramente mencionada (cf. Habacuc 2,4 e nota). Mas crer é a atitude característica do homem perante Deus. Ela implica numa adesão da inteligência em reconhecer a Deus em todas as suas manifestações de amor e suas exigências para com o seu povo. A atitude de Abraão é o modelo da verdadeira fé que salva (Gálatas 3,6): ele jogou a sua vida, confiando na Palavra de Deus (Gênese 12,1-2 Gênese 13,14-18 Ezequiel 33,23-24 Eclesiástico 44,19-21 João 8,56 Romanos 4,1s; Hebreus 11,8-12).
O Êxodo  é o tempo da prova na fé (Êxodo 4,1-9 Êxodo 33,1-6 Deuteronômio 1,45-46 Deuteronômio 4,1-8 Deuteronômio 6,20-25 Deuteronômio 10,12-22).
A fé inclui a esperança de um mundo melhor (Isaías 40,1-41,20 Isaías 43,1-21 Isaías 49,22-23).
No Novo Testamento acreditar é prestar fé à Palavra de Deus em Cristo (Atos 24,14 Lucas 24,25-27); é obedecer a Deus (Hebreus 11,1s; Romanos 1,5 Romanos 10,16s; Romanos 15,18 Romanos 16,19 Romanos 16,26 2Coríntios 5,5s); é confiar nele (Marcos 11,22-24 Atos 3,16 1Coríntios 13,2); é converter-se, aceitando o Evangelho (1Tessalonicenses 1,8-9 Romanos 10,17 2Coríntios 5,18s; Atos 3,12-16).
Jesus exige fé em sua pessoa (João 6,29-40). O coração da fé é a obra salvífica de Cristo, sobretudo a sua morte e ressurreição (1Coríntios 15,1-20 Romanos 4,24 Romanos 10,9).
Paulo coloca a fé em Cristo como indispensável para a salvação (Romanos 1,16). Mas quando opõe fé a obras, fala das obras da Lei mosaica e não dos frutos da fé cristã (Romanos 4,13-25 Joel 3,1s; Efésios 2,8-10 Mateus 7,16-27 João 15,1-3 João 15,6-8 Tiago 2,16-26).
Alguns textos de primitivas profissões de fé: Lucas 24,34 1Coríntios 15,3-5 1Tessalonicenses 4,4 2Coríntios 5,15 Romanos 4,25 Romanos 6,4 Romanos 6,9 Filipenses 2,6-11.
A Igreja é a depositária da fé: Mateus 16,16-19 Mateus 18,17s; Mateus 28,20 Marcos 16,15 Lucas 22,31s; João 21,15-17 Atos 1,24s; Atos 15,7s; Atos 20,28 1Coríntios 1,10 1Timóteo 6,20s; 2Timóteo 4,2-5 Tito 3,10s; 2João 1,10.

FÉLIX
Procurador romano da Judéia, de 52 a 60 d.C.; foi o segundo marido de Drusila, esposa do rei Agripa II (Atos 23,26).

FENÍCIA
Região que abrange o monte Líbano e a zona litorânea desde o monte Carmelo. Seus habitantes dedicavam-se ao comércio e à navegação, fundando colônias em Chipre, Rodes, Sardenha, Sicília, França Meridional e norte da África. No tempo de Cristo a região pertencia à província romana da Síria. No Antigo Testamento é conhecida como Tiro e Sidônia; pertencia à Terra Prometida mas jamais foi anexada (Josué 13,4-6). Jesus visitou a região (Mateus 15,21) e Paulo a atravessou (Atos 15,3).

FESTA
Israel conhece várias festas religiosas:
Festa da Lua Nova, que marcava o início do mês (1Samuel 20,5-26 Ezequiel 46,1-7 Números 28,11-14 Neemias 10,33-34 Gálatas 4,10 Colossenses 2,16-20).
O dia festivo semanal era o Sábado (Êxodo 16,4-36 Êxodo 20,8-11 Isaías 56,1-6 Isaías 58,13-14).
A Festa dos Tabernáculos era celebrada em ação de graças pela colheita das azeitonas e das uvas (Juízes 9,27 Juízes 21,19-24). Era chamada também "festa da Colheita"ou "Festa" (Êxodo 23,16 Êxodo 34,22 Neemias 8,14 João 7,11 cf. Levítico 23,33-44 e nota; Deuteronômio 16,13-16 Levítico 23,34-44); atinge em Cristo o seu significado pleno (João 7,37-39 1Coríntios 10,4).
A Festa das Semanas era celebrada após a colheita do trigo. É chamada "das semanas"porque se fazia sete semanas após a festa dos Ázimos (Números 28,26). É conhecida também sob o nome de "festa da Colheita" (Êxodo 23,16) ou "festa das Primícias"da colheita do trigo (34,22). Mais tarde recebeu o nome de Pentecostes (Tobias 2,1 2Macabeus 12,31s; Atos 2,1), porque se celebrava cinqüenta dias depois da oferta do primeiro feixe de espigas de cevada (Levítico 23,9-14 Deuteronômio 26,1-11). Sendo de origem agrária, Pentecostes é uma festa alegre. Nela o israelita agradecia a Deus pela colheita do trigo, oferecendo-lhe as primícias (primeiros frutos) do que foi semeado nos campos (Êxodo 23,16 Êxodo 34,22). Na época pós-exílica começou a ser celebrada nesta festa a promulgação da Lei de Moisés (Levítico 23,15-21 e nota). Na festa de Pentecostes, após a morte de Jesus, a comunidade cristã, reunida no Cenáculo, recebeu o dom do Espírito Santo (Atos 2,14). Ver "Páscoa", "Sábado", "Ázimos".

FESTO
Foi procurador romano da Judéia depois de Félix (Atos 24,27) e morreu em 62 a.C..

FILACTÉRIOS
Deuteronômio 6,4-9 e nota.

FILHO DO HOMEM
A expressão bíblica significa muitas vezes simplesmente "homem", "criatura pequena, frágil" (Salmo 8,5 Salmo 51,12 Jó 25,6). O profeta Ezequiel é chamado pelo Senhor de "filho do homem", para acentuar a distância entre Deus e o homem (cf. Ezequiel 2,1 e nota). Em Daniel a expressão indica os israelitas (cf. Daniel 7,13 e nota), "os santos do Altíssimo" (Daniel 7,18s). Para afastar as falsas esperanças de um messianismo político, Jesus aplicou esta expressão a si mesmo. Deste modo sublinhava ao mesmo tempo sua fragilidade humana, enquanto Servo Sofredor (Marcos 8,31 Marcos 10,45 Isaías 53,10) e sua grandeza sobrenatural e gloriosa (Marcos 8,38 Marcos 12,36 Marcos 14,62). Após a ressurreição 14 a expressão "filho do Homem"foi entendida em sentido messiânico (Atos 7,56 Apocalipse 1,13).

FILHOS
São a honra dos pais (Provérbios 17,6 Salmo 128,3): devem ser educados (Provérbios 22,15 Eclesiástico 22,3 cf. Mateus 11,16-19 Efésios 4,14 Gálatas 4,1s); devem honrar os pais (Êxodo 20,12 Êxodo 21,17 Deuteronômio 27,16 Eclesiástico 3,3 7,27s); devem obedecer-lhes (Deuteronômio 21,18-21 Provérbios 1,8s; Eclesiástico 3,7s; Lucas 2,51 Efésios 6,1-3 Colossenses 3,20); aceitar a correção (Provérbios 12,1 Provérbios 13,1 Eclesiástico 3,16 20,5s; Lm 3,27 Hebreus 12,9); mostrar gratidão (Tobias 4,4 Tobias 9,4 Provérbios 10,1 Provérbios 23,22 Eclesiástico 3,11s). Ver "Adoção".

FILIPE
Há vários personagens bíblicos com este nome:
1. Filipe, rei da Macedônia, pai de Alexandre Magno (1Macabeus 1,1 1Macabeus 6,2);
2. Filipe III da Macedônia (1Macabeus 8,5), derrotado pelos romanos em 197 a.C.;
3. Filipe, amigo de Antíoco Epífanes (1Macabeus 6,14-63 2Macabeus 9,29 2Macabeus 13,23);
4. Filipe, filho de Herodes o Grande e Cleópatra, tetrarca da Ituréia e Traconites (Lucas 3,1), do ano 2 a 34 d.C.; ao morrer, sua tetrarquia passou ao controle da província romana da Síria;
5. Filipe, filho de Herodes com Mariamne II. Era casado com Herodíades, que o abandonou para viver com Herodes Antipas (Mateus 14,3);
6. Filipe, um dos apóstolos, natural de Betsaida (João 1,43-46). É mencionado na multiplicação dos pães (João 6,5-7), como intermediário entre Jesus e alguns pagãos (João 12,21s) e num diálogo com Jesus (João 14,8-10);
7. Filipe, um dos sete diáconos (Atos 6,5s), pregador do evangelho (Atos 8,5-13 Atos 8,26-40), visitado por Paulo antes de ser preso em Jerusalém (Atos 21,9).

FILISTEUS
Povo não-semita (cf. 1Samuel 17,26 e nota), proveniente de Cáftor, ou Creta (Deuteronômio 2,23 Amós 9,7). Invadiram a costa marítima de Canaã no séc. XII a.C., pelo que depois esta região foi denominada Palestina. Oprimiram Israel na época dos juízes (Juízes 14-16) e de Saul. Mas Davi os subjugou (2Samuel 5,17-25). Com a divisão do reino (931 a.C.) tornaram-se praticamente independentes e no tempo dos Macabeus desapareceram como povo.

FIM DO MUNDO
Ver "Parusia".

FINÉIAS
Sacerdote da família de Aarão. Por ter-se mostrado zeloso pela pureza religiosa e racial de Israel nos campos de Moab (cf. Números 25,8 e nota), recebeu a garantia de um sacerdócio permanente para seus descendentes.

FIRMAMENTO
O céu era imaginado como uma abóbada consistente, na qual Deus pendurou as luminárias (sol, lua e estrelas: Gênese 1,14-18). Ver "Céu".

FOGO
O fogo é símbolo da majestade e da força divina (Deuteronômio 4,24 Isaías 33,14 So 1,18). Deus apareceu a Moisés na sarça ardente (Êxodo 3,2), manifestou-se como fogo no Sinai (19,18). O fogo purifica e limpa o impuro (Levítico 1,9 Levítico 10,2 Números 11,1-3 Isaías 1,25 Isaías 6,7 Mateus 7,19 Mateus 13,40-42 João 15,6). Por isso a ira divina é representada pelo fogo que pune os maus (Gênese 19,24s; Salmo 50,3 Marcos 9,49). Jesus compara a punição definitiva dos maus com o fogo que não se apaga (Mateus 18,8 Mateus 25,41); mas também a virtude renovadora do Espírito Santo é um "batismo de fogo" (Mateus 3,11 Atos 2,3).

FORNICAÇÃO
Ver "Adultério". 55 1662

FORTALEZA
A nossa força vem de Deus (Deuteronômio 8,17 Deuteronômio 32,27 Jeremias 9,22 1Samuel 14,6 Ezequiel 30,6 Levítico 26,19 Amós 6,13 Juízes 7,2s; Romanos 8,31 1Coríntios 16,13 Efésios 6,10 Filipenses 4,13 1João 2,14).
Só ele é onipotente. Manifestou o seu poder na criação e na libertação do Egito (Salmo 74,13-14 Jó 25,1-6 Jó 26,5-14 Jeremias 27,5 Salmo 106,7-12 Êxodo 15).
No combate escatológico, Deus manifesta a sua força (Hebreus 3 Apocalipse 20,9-13 Isaías 51,9-11 Jeremias 50,33s). Manifesta-se ao realizar a obra da salvação, ressuscitando a Cristo (Lucas 1,37 Mateus 19,26 Efésios 3,20-22 Atos 5,29-31).
Cristo recebeu plenos poderes (Mateus 28,18). Oséias apóstolos devem também ser revestidos da força do Alto (Atos 1,8 Lucas 24,49).

FRUTOS
Ver "Boas Obras".





DICIONÁRIO BÍBLICO - LETRA G

GALAAD
Originariamente era o nome de uma montanha ao sul do rio Jaboc, na Transjordânia (Gênese 31,47s). Depois passou a indicar a região ao norte e ao sul do Jaboc, inclusive a de Mádaba (cf. Números 32,1 e nota). Outras vezes pode ser o nome do filho de Maquir ou até de uma tribo (cf. Juízes 11,1 e nota).

GALÁCIA
Região do planalto central da Ásia Menor, onde se fixaram os celtas, que ali chegaram no séc. III a.C.. Paulo visitou esta região durante sua segunda viagem missionária (Atos 16,6). Mais tarde escreveu uma epístola à nova comunidade cristã dos gálatas.

GALILÉIA
Região norte da Palestina, que formava junto com a Peréia o território administrado por Herodes (4 d.C.). A população era formada sobretudo de judeus. Mas pela sua mistura com pagãos e dialeto próprio (Mateus 26,73) os galileus eram desprezados pelos judeus como ignorantes e violadores da Lei (João 7,41 Marcos 14,70). Cidades da Galiléia, como Nazaré, Caná, Cafarnaum, Betsaida e Tiberíades, além do lago da Galiléia, são o cenário mais familiar da vida pública de Jesus.

GAMALIEL
Famoso escriba e fariseu, neto de Hillel, que foi mestre de Paulo (Atos 22,3). Como membro do Sinédrio conseguiu a liberdade dos apóstolos presos (5,34-39).

GEENA
Forma grega do nome geográfico hebraico "vale do Enom", lugar situado aos pés de Jerusalém, onde se sacrificavam crianças em homenagem a Moloc (2Reis 16,3 2Reis 21,6 Jeremias 32,35). Como punição pela idolatria, Jeremias anunciou que o vale seria um lugar amaldiçoado (Jeremias 7,30-8,3). O vale tornou-se um símbolo da punição escatológica (Isaías 66,22-24). Mais tarde tornou-se depósito de lixo de Jerusalém. No Novo Testamento a geena é o símbolo da condenação eterna dos pecadores (Mateus 5,29 Marcos 9,43 e nota). Ver "Inferno".

GENTIO
Termo judaico e cristão para indicar aqueles que professam religiões não-monoteístas, isto é, pagãos. A qualificação "gentio"distingue o "povo eleito"dos demais povos.
Esta separação dos judeus, que se consideram eleitos, dos demais povos constituiu um problema sério para a admissão dos pagãos na Igreja. Muitos queriam que eles se submetessem à Lei mosaica (s; Atos 10,1s; Atos 21,17-21). Paulo, que se gloria de ter sido chamado por Deus para pregar o Evangelho diretamente aos pagãos, reflete longamente sobre a eleição dos gentios (Gálatas 1,15-16 Romanos 9,24-26 Romanos 10,19-21 Romanos 15,7-13 1Coríntios 1,26-31); por isso é chamado "apóstolo dos gentios" (pagãos).
Certos textos dos evangelhos refletem os problemas entre os cristãos de origem judia e os de origem pagã (Mateus 1,1-16 Mateus 8,5-13 Mateus 11,20-24 Mateus 21,28-43 Mateus 2,1-12).

GION
Fonte aos pés da colina sobre a qual estava construída Jerusalém, no vale do Cedron, hoje chamada pelos cristãos "fonte de Maria". A fonte já dispunha no tempo dos jebuseus de um sistema de captação, permitindo que por meio de um túnel e um poço a água fosse captada sem precisar sair das muralhas. O rei Ezequias mandou construir um túnel de 550 m sob a colina de Ofel (Isaías 22,9-11 2Reis 20,20 e nota) a fim de conduzir a água da fonte para o interior das muralhas, até a parte baixa da cidade, onde construiu a "piscina de Siloé". Na descrição de Ezequiel a fonte que nasce aos pés do futuro templo torna-se o símbolo da renovação escatológica de Israel (Ezequiel 47,1-12 Zacarias 14,8).

GLÓRIA
Em hebraico (kabod ), o termo significa aquilo que dá peso, torna importante e confere estima, como a riqueza, o esplendor e o poder. Muitas vezes significa a manifestação radiante da grandeza divina (Êxodo 24,15s; Êxodo 29,43 Ezequiel 1,28 Ezequiel 9,3). A glória de Deus enche o tabernáculo ou o templo (Êxodo 40,35 1Reis 8,11), manifesta seu poder e sua santidade nas obras da criação (Salmo 19,2), nos prodígios em favor de seu povo (Números 14,22 Isaías 40,5). Jesus possuía esta glória (João 1,14), que se manifesta nos milagres, no monte Tabor (Mateus 17,2-8 2Coríntios 3,7s; João 2,11) e na paixão (João 17,1 João 12,23 João 13,31-32). O cristão, pela esperança (Filipenses 3,21), dela participa já neste mundo.

GLOSA
Diz-se de um texto, em geral de poucas palavras, que não pertence à obra original do autor mas foi acrescentado por outros (glosadores). A finalidade de uma glosa é explicar o texto existente. Inicialmente as glosas eram escritas à margem do texto. Mais tarde os copistas as introduziram no próprio texto. As modernas edições críticas dos textos originais, que são a base para as traduções vernáculas modernas, procuram eliminar tais glosas.

GÓLGOTA
O termo aramaico significa "lugar do crânio"ou da caveira (em latim Calvaria, donde "Calvário"); é o lugar onde Jesus foi crucificado (Mateus 27,33 João 19,17). Era uma pequena colina, fora dos muros de Jerusalém, onde os condenados eram executados.

GOMORRA
Cidade ao sul do mar Morto, destruída por Deus por causa da perversidade de seus habitantes (Gênese 19). Sua ruína, hoje encoberta pelas águas do mar Morto, é o símbolo do juízo implacável de Deus (Isaías 1,9).

GOVERNADOR
Título dado no Novo Testamento aos mais altos magistrados nos territórios ocupados pelos romanos. São chamados também "procuradores" e administravam, em nome do imperador, territórios que apresentavam dificuldades especiais. A Judéia foi administrada por tais governadores do ano 6 a 36 d.C. e de 44 a 66 d.C.; os mais conhecidos são Pôncio Pilatos, Félix e Festo.

GRAÇA
Pode significar favor, benevolência, benefício. É a amizade de um poderoso. O rei concede graça (Gênese 30,27 1Samuel 16,22 2Samuel 14,22). Graça e também beleza e encanto. Esta noção implica sempre uma nota de amor (Rute 2,10-13 Est 2,17 Ct 5,10-16 Lucas 1,28-30).
Muitas vezes é a fidelidade de Deus, que perdoa e ama (Salmo 51,3 Salmo 40,12 Isaías 63,7); o justo encontra graça aos olhos de Deus (Gênese 6,8 Gênese 18,3 Números 11,11 Números 11,15). A graça e a unção repousam sobre o Messias (João 1,14 Lucas 2,40 Lucas 2,52 Lucas 3,22 Salmo 45,3).
Graça é igual a tempo de graça, tempo de salvação, tempo messiânico (João 1,16-17 Romanos 5,12-17 Romanos 6,14s; Romanos 3,23s; Atos 15,11 Hebreus 13,9 Tito 2,11s). Juntamente com a paz, a graça é um bem messiânico (Romanos 1,7 1Coríntios 1,3 2Coríntios 1,2 1Pedro 1,2 Colossenses 4,18 Hebreus 13,25 Apocalipse 1,4 Apocalipse 22,21).
São chamados "graça" os dons do Espírito Santo (Romanos 5,15s; 1Coríntios 7,7), especialmente a salvação e a justificação (Romanos 5,2 Efésios 2,5). A graça supõe também a nossa cooperação (Mateus 25,27s; 1Coríntios 15,10 2Coríntios 6,1 1Timóteo 4,14 Hebreus 13,9).
Maria está repleta de benevolência divina (Lucas 1,28 cf. Rute 2,2 Rute 2,10 Rute 2,13 Est 2,9 Est 2,15 Est 2,17).

GRATIDÃO
Para com Deus (Deuteronômio 8,7-14 Salmo 107,1 Salmo 116,12 Eclesiástico 32,13 Efésios 5,20 Colossenses 3,15 1Tessalonicenses 5,18); para com o próximo (Provérbios 17,13 Eclesiástico 29,15 1Timóteo 2,1s; 1Timóteo 5,4).

GREGO
Pessoa que pela educação se apropriou da língua e cultura dos gregos, independentemente de sua nacionalidade; todos os demais são bárbaros (João 19,20 Atos 19,11 Romanos 1,14). Havia gregos simpatizantes com a religião judaica (João 12,20 Atos 14,1). Paulo prega o Evangelho tanto a gregos como a judeus (Atos 17,4 Atos 18,4 Romanos 2,9s; Romanos 3,9), pois segundo o seu Evangelho foi abolida a distinção entre judeu e grego (Gálatas 3,28 Colossenses 3,11). Ver "Pagão".

GUILGAL
Lugar a leste de Jericó, onde foi erguido um monumento de pedra comemorando a passagem dos israelitas pelo rio Jordão (Josué 4,20). Guilgal tornou-se um santuário e serviu como base para a conquista da Palestina (Juízes 2,1 1Samuel 10,8 1Samuel 13,8-15). Mas os profetas o rejeitaram por se ter tornado um centro de idolatria (Amós 4,4 Oséias 4,15 Miquéias 6,5). Havia outra Guilgal, nas montanhas de Efraim, perto de Betel (Deuteronômio 11,30 2Reis 2,1).





DICIONÁRIO BÍBLICO - LETRA H

HADES
Nome grego para a morada ou região dos mortos, que corresponde ao hebraico Xeol (abismo, ou infernos). O Hades é o lugar onde estão reunidos todos os mortos, com repartições para bons e maus (Mateus 12,40 Atos 2,27 Apocalipse 6,9). O Hades terá fim com a ressurreição dos mortos (Apocalipse 20,14s): os bons irão para junto de Deus e os maus para a geena, ou sofrimento eterno (Mateus 25,46 Apocalipse 19,20). Ver Cântico dos Cânticos 16,13 Baruc 2,17.

HASMONEUS
Nome dado à família e à dinastia dos Macabeus (167-63 a.C.). A origem deste nome é discutida: pode vir do apelido dado por Flávio Josefo ao avô de Matatias, ou do nome de um de seus filhos, Simão.

HEBRON
Antiga cidade de Judá, ao sul de Jerusalém (cf. 2Samuel 2,1 e nota). Fundada sete anos antes de Tânis, teria sido habitada pelos gigantes enaquitas (Números 13,22 Josué 11,21-23). Abraão comprou ali um campo com uma gruta, que se tornou o túmulo dos patriarcas (Gênese 23 Gênese 25,7-11 Gênese 35,27s). Em Hebron estava o santuário patriarcal de Mambré (13,18). Mais tarde Hebron tornou-se cidade de refúgio (Josué 20,7); Davi reinou ali durante sete anos, antes de se apoderar de Jerusalém (2Samuel 5,4-9).

HERANÇA
No sentido em que nós entendemos a palavra, o israelita herdava a propriedade de seu pai (Levítico 25,46). Mas a palavra hebraica "herdar" (nahal ) tem um sentido mais amplo que em português. Israel recebe como herança Canaã, que é propriedade do Senhor (Josué 22,19), prometida aos patriarcas (Gênese 12,7). Canaã e o povo de Israel são herança de Deus, sem que ele os tenha recebido de outrem (Êxodo 15,17 Deuteronômio 9,26-29). O sacerdócio é a herança da tribo de Levi (Josué 18,7). Quanto à legislação sobre a herança, que passa de pais a filhos, ver Números 27,1-19 e Deuteronômio 21,15-17.
No Novo Testamento,além de seu sentido comum, o termo "herança"assume um novo significado, porque a relação entre Deus e os homens é vista como a existente entre pai e filho. Cristo é o herdeiro de Deus (Hebreus 1,2) e os cristãos, como filhos de Deus, são "co-herdeiros de Cristo" (Romanos 8,17 Gálatas 3,29). Este direito de herdar, recebido no batismo (1Pedro 1,3-5), é garantido pelo Espírito Santo (Tito 3,5-7).

HERESIA
No Antigo Testamento existiam falsos profetas (1Reis 18,19-40 Jeremias 23,13 1Reis 22,1-22). Eram os que recomendavam meios humanos e estavam dominados por vícios; eram "cães mudos"perante as injustiças (Isaías 28,7-22 Jeremias 14,13-16 Jeremias 23,9-40 Miquéias 3,5-11 So 3,4 Isaías 56,10).
No Novo Testamento aparecem também irmãos que se separam da comunidade levados por doutrinas estranhas a ela (1João 2,19 2Coríntios 11,1-15 Apocalipse 2,20-23).
Deus permite o aparecimento de hereges para a provação dos fiéis (Mateus 24,5 João 5,43 2Timóteo 2,16-18), que os devem evitar (Deuteronômio 13,2-6 Jeremias 23,16 Mateus 7,15s; Romanos 16,17 2Tessalonicenses 3,14s; 2Timóteo 3,5 Tito 3,10s; 2João 1,10-11).

HERMON
Montanha de 2.814 m de altura, coberta de neves perpétuas, que forma a parte norte da Palestina. Nela se venerava o deus Hermon (Baal-Hermon).

HERODES
No Novo Testamento vários personagens levam este nome: Herodes o Grande (73-4 a.C.), filho do idumeu Antípatro e de Kypros, filha de um rei árabe; foi nomeado rei da Judéia pelos romanos no ano 40 a.C.. Foi um grande construtor: construiu as cidades helenísticas de Sebaste (antiga Samaria), Cesaréia Marítima, Antipátrida e reconstruiu o Templo. Foi um eficiente administrador, mas muito cruel; por isso, e por ser amigo dos romanos e idumeu, era odiado pelos judeus. Segundo Mateus 2,16-18, massacrou os meninos de Belém. Ao morrer, dividiu seu reino entre três de seus filhos: Arquelau, Antipas e Filipe, chamados também Herodes. Ver "Agripa".

HERODÍADES
Filha de Aristóbulo e Berenice, casada com Herodes Filipe, uniu-se ilicitamente com Herodes Antipas. João Batista denunciou esta união e acabou sendo decapitado por causa do ódio de Herodíades (Mateus 14,1-12).

HERODIANOS
Gente da corte de Herodes Antipas, adversários de Jesus, ao lado dos fariseus (Marcos 3,6 Marcos 12,13).

HIPOCRISIA
É o esforço por aparecer como bom, sem o ser verdadeiramente (Mateus 6,2-5 Mateus 6,16 Mateus 22,18 Mateus 23,13-15 Mateus 23,23-29 1Pedro 2,1).
Paulo censura Pedro pela sua duplicidade de comportamento (Gálatas 2,13-16).
Jesus chama "hipócrita"ao povo que não conhece os sinais dos tempos (Lucas 12,56 Lucas 13,15s). O mesmo chama aos fariseus que davam mais importância às tradições humanas que à vontade divina (Mateus 15,2-7).

HITITAS (HETEUS)
População não-semita em Canaã (Gênese 23,3 Ezequiel 16,3), cuja relação com os hititas da Ásia Menor é obscura. Podem ter emigrado para Canaã, provenientes de alguma parte do império hitita, que conheceu dois períodos de expansão: entre 1750 e 1590 a.C.e entre 1450 e 1200 a.C..

HOLOCAUSTO
É o sacrifício no qual, excetuando a pele (Levítico 7,8), a vítima era inteiramente queimada ao fogo, para a glória de Deus, senhor da vida (Êxodo 29,15-28 Levítico 1,3-17 1Samuel 10,8 e nota). No templo oferecia-se diariamente um holocausto pela manhã e outro pela tarde (Ezequiel 46,13-15 Daniel 8,11 Daniel 11,31). Havia também holocaustos oferecidos por particulares: pela purificação da mulher após o parto (Levítico 12,6-8), do leproso curado (Levítico 14,10-13) e do nazireu (Números 6,10-12).

HOMICÍDIO
É crime proibido (Gênese 4,1-14 Gênese 9,6 Êxodo 20,13 Êxodo 21,12-14 Deuteronômio 32,39 Mateus 5,21-26 Apocalipse 21,8). Mas há a legítima defesa (Êxodo 22,2 Deuteronômio 19,11s; Josué 10,16-26 1Samuel 15,2s; 1Reis 20,42 Romanos 13,3s).
No Novo Testamento Jesus aponta para uma perfeição maior: evitar as mínimas ofensas que podem ser um primeiro passo para levar ao homicídio (cf. Mateus 5,22 e nota). O simples ódio ao irmão já é homicídio (1João 3,15).

HONRAR
A Deus (Josué 7,19 1Samuel 2,30 Malaquias 1,6 João 5,22s; Atos 12,23 1Coríntios 10,31); a autoridade civil (1Samuel 10,24 Romanos 13,7 1Timóteo 6,1 1Pedro 2,17); a autoridade eclesiástica (Eclesiástico 7,31 Lucas 10,16 Romanos 13,4s; 1Timóteo 5,17-19); os pais (Êxodo 20,12 Êxodo 21,17 Deuteronômio 5,16 Deuteronômio 27,16 Eclesiástico 7,27s; Mateus 15,4).

HOREB
O monte onde Deus apareceu a Moisés na sarça (Êxodo 3,1-6), concluiu a aliança com Israel e lhe deu a Lei, é chamado Horeb pelas tradições eloísta e deuteronomista; mas as tradições javista e sacerdotal lhe dão o nome de Sinai.

HOSANA
Grito de alegria para saudar a Deus ou ao rei, que significa "salva, ajuda, por favor". Era usado nas festas (Salmo 118,25s), como Páscoa e Tabernáculos. Jesus foi saudado com esta aclamação ao entrar triunfalmente em Jerusalém (Mateus 21,9 Mateus 21,15).

HOSPITALIDADE
Virtude importante no mundo nômade (Gênese 18,1-8 Gênese 19,1-8 Juízes 19,16-24 Números 35,9-34), um verdadeiro mandamento (Deuteronômio 10,18s; Isaías 58,7 Mateus 10,40-42), gesto de caridade cristã (Romanos 12,13 1Timóteo 3,2 Tito 1,8 Hebreus 13,2 1Pedro 4,9 3João 1,5-8).
Havia ritos de acolhida, com oferta de pão e vinho (Gênese 14,18-24), ação de lavar os pés (Lucas 7,36-46 João 13,1-15 1Timóteo 5,10).
Acolher o pobre e o pequenino, os apóstolos e a Palavra, é acolher a Cristo (Mateus 25,35 Lucas 9,1-6 Lucas 9,46-48 Gálatas 4,14 1Tessalonicenses 1,6).
Cristo experimentou a hospitalidade humana: em casa de Simão Pedro (Lucas 4,38), em Caná (João 2,2), em casa de Zaqueu (Lucas 19,1-10), em casa de Lázaro, Marta e Maria (João 12,2-3 Mateus 21,17), em casa de Simão (Mateus 26,6-7), em casa dos discípulos de Emaús (Lucas 24,29-30). Foi também rejeitado pelo seu povo (João 1,11), pelos habitantes de Belém (Lucas 2,7), pelos seus conterrâneos (Lucas 4,16-29 Mateus 13,57s) e pelos samaritanos (Lucas 9,53-56).

HUMILDADE
Não se identifica com a falta de caráter. Consiste em ter consciência das próprias limitações, não apropriar-se dos dons, valores, qualidades, reconhecendo que tudo se recebeu de Deus para o serviço de todos os irmãos (João 1,16 Lucas 18,9-14 Mateus 10,8 1Coríntios 4,7 João 3,27 Tiago 1,17 1Coríntios 12,25-27).
O orgulho é o vício oposto à humildade. É o pecado do ser humano (Gênese 2,17 Gênese 3,3-6). É o pecado capital dos pagãos (Isaías 10,13s; Gênese 11,4-8 So 2,15).
Antíoco Epífanes encarna o orgulho dos poderosos (1Macabeus 2,49 1Macabeus 1,54-61). É o Anticristo (Daniel 9,27 Daniel 11,31 Daniel 8,11 2Tessalonicenses 2,4 1João 2,18 Apocalipse 12,3s; Apocalipse 13,1-8).
Deus exalta os humildes e rejeita os soberbos (Lucas 1,52s; Provérbios 29,23 2Samuel 22,28 Mateus 23,12 Tiago 4,6).
A humildade é condição indispensável para receber o Reino de Deus (Mateus 18,1-5 Mateus 19,13s; Mateus 5,5 Salmo 37,8-18) e para entender os mistérios do Reino (Mateus 11,25 1Coríntios 1,26-31).
Cristo, sendo Senhor, fez-se servo para curar o orgulho dos homens (Filipenses 2,5-11 Mateus 20,28 João 13,12-16 2Coríntios 8,9). Ele é manso e humilde de coração (Mateus 11,29). Veja "Cristo, o Servo de Javé".





DICIONÁRIO BÍBLICO - LETRA I

IDOLATRIA
Só o Senhor Deus de Israel deve ser cultuado. Todo outro culto é proibido e constitui idolatria (Êxodo 20,3-6 Deuteronômio 5,7-10). Israel acreditou na existência de outros deuses (Juízes 11,23s) e se deixou seduzir pelo culto a deuses cananeus, assírios e babilônios (Números 25,3 Juízes 2,12 1Reis 14,22-24 2Reis 21,2-15). Oséias deuses e suas imagens (cf. Deuteronômio 4,15-24 e nota) são invenção dos homens (Baruc 6 Romanos 1,23) e um grave pecado (Salmo 96,5 Cântico dos Cânticos 13,1-5 Romanos 1,23-25 1Coríntios 5,10s). Também a cobiça de riquezas é idolatria (Colossenses 3,5 Efésios 5,5). Ver "Culto" e "Prostituição".

IDUMÉIA
Nome greco-romano de Edom. O território, porém, só abrange a parte ocidental do antigo Edom (a oriental pertencia aos nabateus) e o sul da Judéia, até Hebron. Pertencia à tetrarquia de Arquelau e depois foi administrada pelos governadores romanos. Ver mapa do Novo Testamento.

IMAGEM
Cristo é a imagem visível do Deus invisível (Gênese 1,26s; 1Coríntios 11,7 Cântico dos Cânticos 7,6 2Coríntios 4,1-6 Colossenses 1,15). O cristão é imagem de Deus (2Coríntios 3,18 Colossenses 3,1-11 Romanos 8,29 1Coríntios 15,49). O homem e a mulher são imagem de Deus (Gênese 1,26s; Gênese 9,6 Gênese 5,1 1Coríntios 11,7 Tiago 3,9).
No Antigo Testamento é proibido fabricar imagens de Deus (Deuteronômio 4,9-28 Deuteronômio 27,1-5 Êxodo 20,4). Entretanto, Deus manifesta a sua glória, não através dos bezerros de ouro (Êxodo 32 1Reis 12,26-33), nem de outras imagens fabricadas pelos homens, mas através da criação (Oséias 8,5s; Cântico dos Cânticos 13 Romanos 1,19-23).

IMITAÇÃO DE CRISTO
O cristão deve assemelhar-se a ele (Mateus 10,38 Mateus 11,29 Mateus 16,24 João 8,12 João 12,26 João 13,14-16 Filipenses 2,5 1Pedro 4,1 1João 2,6 1João 3,16), a exemplo de Paulo (1Coríntios 4,16 1Coríntios 10,33 1Coríntios 11,1 Gálatas 2,19s; Filipenses 3,10s), na esperança da recompensa (Mateus 10,22 João 12,26 Romanos 8,17 2Timóteo 2,11s).

IMPOSIÇÃO DAS MÃOS
Na Bíblia, a mão significa poder (Êxodo 14,31 Salmo 19,2 1Reis 18,46 Ezequiel 3,14 Ezequiel 30,21). O gesto de impor as mãos criava uma relação especial entre o sujeito e o objeto da ação, comunicando-lhe algo da força do agente (Levítico 9,22 Lucas 24,50). É sinal de consagração (Números 8,10 Deuteronômio 34,9), símbolo de identificação com a vítima do sacrifício (Levítico 1,4 Levítico 3,2 Levítico 4,4). Servia assim para transmitir a culpa (Levítico 16,21) ou poderes (Números 27,18-23); era usado para abençoar (Gênese 48,14-20), curar doentes (Mateus 9,18 Marcos 8,23 Lucas 4,40 Lucas 13,13), abençoar crianças (Marcos 10,16).
Como Jesus, os discípulos também impunham as mãos para curar os doentes (Marcos 16,18 Atos 9,12 Atos 28,8), comunicar o Espírito Santo (Atos 8,17 Atos 19,6) ou conferir um ministério ou missão (Atos 6,6 Atos 13,3 1Timóteo 4,14 2Timóteo 1,6s).

IMPRECAÇÃO (MALDIÇÃO)
Fórmula composta de palavras próprias para amaldiçoar. Oséias primitivos atribuíam a tais fórmulas um efeito mágico: bastava pronunciá-las para se obter o resultado desejado. Israel também conhece fórmulas de bênção ou maldição, mas o efeito é atribuído ao poder de Deus (Gênese 12,3). A maldição uma vez pronunciada deve se cumprir (Josué 6,26 1Reis 16,34 2Samuel 21,3 e nota). Mas Deus pode impedir que uma maldição seja pronunciada e transformá-la em bênção, como no caso de Balaão (Números 22,12 Deuteronômio 23,6).
Em alguns salmos o orante faz imprecações contra os que lhe causam sofrimentos (Salmo 109 Salmo 129). Tais salmos devem ser entendidos no contexto e mentalidade daquele tempo. Jesus, porém, proíbe amaldiçoar os inimigos ou perseguidores (Lucas 9,51-56 Lucas 23,34); ao contrário, manda amar os inimigos (Mateus 5,44 Romanos 12,14) para imitar a perfeição de Deus (Mateus 5,45 Mateus 5,48).

IMPURO
Ver "Puro-Impuro"e Levítico 11,1-47 Levítico 12,1-8.

INCREDULIDADE
De Israel (Números 20,10 Deuteronômio 9,12-24 Oséias 10,2 Oséias 7,11s; Jeremias 2,4s).
Incredulidade frente a Jesus (Mateus 11,20-24 Mateus 23,37s; Mateus 8,10 Lucas 24,25 Lucas 24,37-41 Mateus 28,17 Marcos 16,11-14).
A causa da incredulidade (Lucas 16,27-31 João 3,19s; João 5,44 João 15,22 Atos 13,45s; Romanos 10,14 Romanos 11,30-33 Filipenses 3,18s; 1Timóteo 1,13).
Israel não acredita em Cristo (Mateus 21,42 1Pedro 2,4-7 Romanos 9,2s; Romanos 11,13s; 1João 2,22s; 1João 5,1-5 1João 5,10). Explicação cristã deste fato (João 12,37-40 Romanos 9,1s; Isaías 53,1 Isaías 53,6 Isaías 53,9 Marcos 4,12).
Conseqüências da incredulidade (Marcos 16,16 João 3,18 João 12,48 Hebreus 11,6).

INFERNO
O termo latino significa "lugar inferior", "abismo". No Antigo Testamento conhece-se o lugar dos mortos (xeol), uma gruta subterrânea. Para lá vão todos os mortos, bons e maus (Gênese 37,25 Deuteronômio 32,22 1Reis 2,6 Jó 10,21s; Salmo 9,18 Salmo 31,18 Isaías 38,10 Isaías 38,18).
Com o progresso da Revelação foi-se esclarecendo o destino dos bons e dos maus: os justos ressuscitarão para a vida (Daniel 12,2 2Macabeus 7,9-23 Cântico dos Cânticos 5,15s; Cântico dos Cânticos 6,18); os ímpios sofrerão castigo (Isaías 50,11 Isaías 66,24 Cântico dos Cânticos 4,19) e ressuscitarão para o opróbrio (Daniel 12,2 Isaías 50,11 Judite 16,17).
Na Bíblia aparece também a imagem da Geena, vale de Jerusalém, lugar de culto idolátrico, lixeira da cidade, espécie de boca-do-lixo (Jeremias 7,30-32 Jeremias 19,6 Isaías 30,33 Marcos 9,43).
O termo xeol é traduzido na versão grega dos Setenta por Hades (Lucas 16,23s; Apocalipse 20,13s).
O Apocalipse fala-nos no "lago de fogo", que é a segunda morte, no qual a morte e o hades serão lançados (Apocalipse 20,6 Apocalipse 20,14 Apocalipse 21,8).
A descida de Cristo aos infernos significa a dimensão cósmica do mistério pascal. O mundo era então imaginado como uma casa com três compartimentos: gruta subterrânea - morada dos mortos: rés-do-chão -morada dos homens; primeiro andar -palácio de Deus. Pela sua sepultura, ressurreição e ascensão Cristo penetrou em cada um destes três lugares (1Pedro 3,18-20 Efésios 4,8-10 Atos 2,24-31 Romanos 10,6s; 1Pedro 4,5s). Esta "descida" é sinal do triunfo de Cristo sobre a morte (Apocalipse 1,18 Apocalipse 20,1).
Na mentalidade bíblica, as "águas inferiores" (infernais) combateram contra Deus na criação (Jó 26,5-14 Mateus 16,18). Por isso, o cristão, ao ser submergido nas águas batismais, ritualiza a sepultura de Cristo, descendo com ele aos infernos (Romanos 6,3s; Colossenses 2,12). Ver "Geena", "Abismo", "Xeol".

INIMIGOS
Devemos amá-los (Mateus 5,23-48 Lucas 6,35 Romanos 12,14-21). Cristo e Estêvão perdoaram a quem os matava (Lucas 23,34 Atos 7,60). Ver "Amor".

INSPIRAÇÃO
Ver "Bíblia"e "Revelação".

INVEJA
É vício detestável, que torna a pessoa incapaz de se alegrar com um bem que é do outro (Eclesiastes 4,4 Cântico dos Cânticos 2,24s; Mateus 20,9-15 Gálatas 5,26 Filipenses 1,15 1Pedro 2,1 Atos 5,17 Tiago 4,1s). Dá origem a contradições, ultrajes e perseguições (Atos 13,45-50 Atos 17,5); tem como conseqüência a violência (Gênese 4,4 Gênese 27,41 Gênese 37,3-5 Provérbios 14,30 Mateus 27,18 Tiago 3,14s).

IRA
A ira do homem pode ser justa e sã (2Samuel 12,5 Êxodo 16,20 Êxodo 32,19-22 Números 31,14 Levítico 10,16 Marcos 3,5 Atos 17,16). Normalmente é má (Provérbios 14,17 Provérbios 29,22 Provérbios 15,18 Jó 18,4 Mateus 5,22 Colossenses 3,8 ).
A ira de Deus é descrita no Antigo Testamento como ardor, fogo, tempestade (Salmo 2,12 Salmo 83,16 Isaías 13,13 Isaías 30,27s; Jeremias 15,14 Jeremias 30,23). Fala-se do cálice da ira divina (Isaías 51,17 Apocalipse 14,10), que Cristo teve de beber.
O dia do Senhor, anunciado para os tempos messiânicos, será um dia de ira (Amós 5,18-20 So 1,14-18 Malaquias 3,2s; Romanos 2,5).
Paulo vê a imoralidade dos pagãos como um efeito da ira de Deus (Romanos 1,24-28); esta desencadeia-se também sobre Israel (Romanos 11,25-32); "todos são por natureza filhos da ira" (Efésios 2,3 Romanos 3,25s).

IRMÃOS DE JESUS
Passagens (Mateus 12,47 Mateus 13,55 Marcos 3,31 Marcos 6,3 Lucas 8,19 João 2,12). São parentes próximos (Gênese 11,31 Gênese 13,8 Gênese 14,14 Gênese 16,12 Gênese 24,27 Gênese 31,23 Romanos 9,3 Hebreus 7,5). Ver Gênese 29,4.12 e Mateus 12,46-50.

ISMAELITAS
Tribo de beduínos, descendentes de Ismael, filho de Abraão, e de sua concubina Agar (Gênese 16,15s).

ISRAEL
Nome que Jacó recebeu depois que lutou com Deus (cf. Gênese 32,23-33 e nota). O nome passou aos seus descendentes e ao povo eleito.





DICIONÁRIO BÍBLICO - LETRA J

JAFA (JOPE)
Antigo porto na costa mediterrânea da Palestina (João 1,3). Pedro ressuscitou ali Tabita (Atos 9,36-43) e teve uma visão que o levou a batizar a família do pagão Cornélio, em Cesaréia Marítima (Atos 10-11).

JAVÉ
Nome do Deus de Israel, revelado a Moisés (cf. Êxodo 3,14 e nota), que os judeus evitam pronunciar.

JEJUM
É a abstinência total ou parcial de comida e bebida, e às vezes de relações sexuais. Tinha o caráter de auto-humilhação e acompanhava a oração. Era recomendada em grandes provações (cf. Deuteronômio 9,18s; Neemias 1,4 Joel 1,13s e nota), depois de um falecimento (2Samuel 3,35) ou para afastar calamidades (cf. João 3,8 e nota). A Lei mosaica conhece apenas um dia de jejum oficial: o dia da Expiação (Números 29,7 Atos 27,9). Após o exílio se introduziram outros dias de jejum, comemorando calamidades nacionais (Zacarias 7,3-19).
Oséias profetas mostraram a inutilidade da prática do jejum quando não acompanhada da conversão (Isaías 58,1-5 Jeremias 14,12). Por isso os fariseus, que jejuavam duas vezes por semana (Mateus 9,14 Lucas 18,12), foram criticados por Jesus (Mateus 6,16-18). Mas Jesus jejuou quarenta dias (Mateus 4,2) e incluiu a prática do jejum na vida normal da Igreja (Marcos 2,18-20).

JERICÓ
A mais antiga cidade da Palestina, no vale do rio Jordão, 20 km ao norte do mar Morto, que teria sido destruída por Josué (Josué 6,1-10). Jesus hospedou-se ali na casa de Zaqueu (Lucas 19,1-10).

JERUSALÉM
A teologia bíblica vê em Jerusalém uma cidade eleita por Deus (2Samuel 5-7); torna-se um novo Sinai (monte Sião) com uma nova Lei (2Reis 22 Salmo 15,1-4 Isaías 2,3 Salmo 68,16-18 Salmo 48,2-6); torna-se o centro cultual de todas as tribos (Deuteronômio 12,1-14 Deuteronômio 14,22-26).
Mas Jerusalém está longe de ser o ideal duma cidade celeste (Isaías 1,21-23 Jeremias 11,1-13 Ezequiel 16 Ezequiel 23 Lucas 19,41-47 Lucas 21,5-36 Mateus 23,37-39); Deus pensa na construção de uma nova Jerusalém (Ezequiel 40-48 Zacarias 14,1s; Isaías 2,2-5 Isaías 60 Atos 2,1-11) que é Cristo e o seu Corpo que é a Igreja (João 2,18-22 1Coríntios 3,16-17 Efésios 5,22-30 Apocalipse 21-22 Gálatas 4,22-31).
Oséias cristãos viram na queda de Jerusalém (Marcos 13 Mateus 24) a realização das convulsões cósmicas anunciadas para os tempos messiânicos. Destruída Jerusalém no ano 70, os cristãos vêem na Igreja a nova cidade de Deus (Gálatas 4,26 Hebreus 12,22 21,9-27).
Subia-se a Jerusalém em peregrinação porque era o lugar do sacrifício (Deuteronômio 12,1-13,14; 14,22-26) e da manifestação da glória de Deus (Salmo 132,13-15 Salmo 134); é também a meta da esperança escatológica; lá se reunirão todas as tribos e nações (Isaías 60 Isaías 35,6-10 Jeremias 31,12-14 Neemias 12,31-38).
Oséias evangelhos, sobretudo Lucas 9,51s, organizam a vida de Jesus como uma subida a Jerusalém (Mateus 20,17-19 Marcos 10,32-34). João escreve o seu evangelho como uma sucessão de subidas a Jerusalém, prelúdios da última e definitiva (João 2,13 João 5,1 João 7,1-10 João 10,22s; João 11,55s; João 12,12).
Entrada em Jerusalém: Oséias profetas anunciam a entronização do Rei messiânico no monte Sião (Salmo 2,6 Salmo 110,1-3 Miquéias 4,1-3 Zacarias 8,20-22 Zacarias 14,16-19).
Oséias evangelistas narram a entrada de Jesus nesta cidade como a entronização do Rei messiânico, pobre e humilde (Zacarias 9,9 Marcos 11,1-7 Lucas 19,28-35). Oséias cânticos e os ramos da multidão são os próprios da Festa dos Tabernáculos que se realizava em setembro (Neemias 8,14-18 Salmo 118). Zacarias 14,21 anuncia que não mais haverá comerciantes no Templo. Ver "Sião".

JESUS CRISTO
Ver "Cristo", "Messias".

JOÃO
Há cinco personagens bíblicos com este nome que significa " o Senhor é favorável":
1. João Batista, filho de Zacarias e Isabel, precursor de Jesus (Lucas 1,57-80). É de família aristocrático-sacerdotal (Lucas 1,5-7 1Crônicas 24,10 Números 18,9). É o novo Elias (Mateus 3,1-3 Mateus 11,14 e nota; Lucas 1,17 Malaquias 3,1-2 Malaquias 3,23 Eclesiástico 48,10). É o novo Samuel que deve ungir o Rei-Messias (Lucas 1,7 Lucas 1,15 Lucas 3,21s; 1Samuel 1,5-11e 1Samuel 16,12s). É o profeta-monge, separado do mundo (Mateus 3,1 Mateus 11,7-10).
2. João Apóstolo e Evangelista, irmão de Tiago e filho de Zebedeu. A ele se atribui a autoria do Quarto Evangelho, de três epístolas e do Apocalipse. Junto com Pedro e Tiago forma o trio dos discípulos prediletos de Jesus (Marcos 9,2 Marcos 14,33), chamados "colunas da Igreja" (Gálatas 2,9).
3. João Marcos, companheiro de Paulo e Barnabé na primeira viagem apostólica e autor do Segundo Evangelho (Atos 12,12 Atos 12,25).
4. João Hircano (135-104 a.C.), terceiro filho de Simão Macabeu (1Macabeus 16,19-24).
5. João ou Jonas, pai do apóstolo Pedro (Mateus 16,17).

JORDÃO
Rio formado por três nascentes (Bânias, Hasban) que jorram aos pés do monte Hermon. Entra no lago de Genesaré (208 m abaixo do Mediterrâneo). Saindo do lago, atinge o mar Morto (a 394 m abaixo do nível do mar), 110 km ao sul, depois de percorrer 320 km de sinuosas curvas. No trajeto recebe alguns afluentes, como o Jarmuc e o Jaboc pela margem oriental. Embora não muito largo, são poucos os vaus que permitem atravessá-lo a pé.

JUBILEU
Ver "Ano Jubilar".

JUDAS
Há seis personagens bíblicos com este nome:
1. Judas, o terceiro filho de Matatias (1Macabeus 2,4), apelidado o Macabeu (maqqabah = martelo) por causa dos duros golpes infligidos aos inimigos do povo de Deus (1Macabeus 3-6).
2. Judas o Apóstolo, identificado como Tadeu (Mateus 10,3 Lucas 6,16).
3. Judas, "irmão de Jesus" (cf. Marcos 6,3 Mateus 12,46-50 e nota).
4. Judas, que morava em Damasco, com o qual Paulo se hospedou depois da conversão (Atos 9,11).
5. Judas Iscariotes, que traiu Jesus (Mateus 10,4).
6. Judas o Galileu, que provocou uma revolta contra Roma (Atos 5,37).

JUDÉIA
Denominação helenística e romana para a parte da Palestina habitada por judeus. No Novo Testamento em geral é o distrito que, junto com a Samaria e a Iduméia, formava a província romana da Judéia (Lucas 3,1). A capital era Jerusalém, mas os governadores romanos moravam habitualmente em Cesaréia Marítima (Atos 23,33). Ver mapa do Novo Testamento.

JUIZ
Título dado aos líderes que libertaram Israel da opressão inimiga, ou o governaram entre Josué (1200 a.C.) e o início da monarquia (1030 a.C.). Ver Êxodo 18,13-27 e Juízes 2,18.

JULGAMENTO (JUÍZO)
As questões judiciais na sociedade israelita se resolviam diante de testemunhas (os anciãos) ou eram levadas à decisão de um juiz (Deuteronômio 1,16s). Podia-se também recorrer a um tribunal superior, seja ao templo (Deuteronômio 17,8-13), seja à decisão divina dada pelo ordálio (cf. Números 5,11-31 e nota). O rei podia também julgar questões (1Reis 3,16-28). Para contornar os abusos nos julgamentos (cf. Salmo 58 Salmo 94) foram estabelecidas normas legislativas (Êxodo 23,1-9 Deuteronômio 16,18s).
A ação de Deus na história é apresentada como um julgamento. Deus ora liberta seu povo ora o pune por causa das infidelidades (Deuteronômio 32,36 Jeremias 30,11-13). O julgamento de Israel e das nações se dará no dia do Senhor (cf. Amós 5,18 e nota). No Novo Testamento o julgamento é relacionado com Jesus (João 3,17-21 João 8,15 João 12,31). O cristão deve viver na expectativa do julgamento do último dia, que marcará o triunfo definitivo de Cristo (Mateus 25,31 1Tessalonicenses 4,16 2Tessalonicenses 2,3-10). Ver "Parusia".

JUSTIÇA (JUSTO)
A justiça no Antigo Testamento não é apenas distributiva, que consiste em "dar a cada um o seu" (cf. Êxodo 23,6-8 Deuteronômio 25,15) ou cumprir os deveres cívicos, mas inclui também a perfeição moral religiosa. Ser justo é não cometer maldade (Salmo 15,2), agir de acordo com a vontade de Deus (Gênese 6,9 Ezequiel 14,20 Ezequiel 18,5), respeitar o direito dos fracos e dos pobres (Isaías 28,6 Amós 1,3-2,8 Amós 5,7). Praticar a justiça é amar ao próximo (Mateus 25,37 Mateus 25,46 1João 3,10). Sem a prática da justiça o culto perde seu significado (Salmo 50 Isaías 1,10-20 Eclesiástico 34-35). Só conhece a Deus quem pratica a justiça (Jeremias 22,16).
Deus é justo enquanto age de acordo com a sua própria natureza. Ele pune os inimigos do povo eleito (Deuteronômio 33,21) e os pecadores de Israel (Amós 5,20 Isaías 5,16), mas também é fiel às suas promessas de salvação (Romanos 1,17), tornando o homem agradável a Deus pela graça (3,5.20-30).
No Novo Testamento são chamados "justos" os que no Antigo Testamento esperavam o Reino, observando a Lei (Mateus 1,19 Mateus 21,32 Marcos 6,20 Lucas 23,50 Atos 10,22 Atos 10,35). A justiça cristã é ainda conformidade com a Lei (Efésios 6,1 Romanos 2,12-14 Romanos 2,25s; Mateus 5,20-6,1 Mateus 23,4-7 Filipenses 4,8 1Tessalonicenses 2,10). Devido ao pecado, a Lei torna-se insuficiente para conseguir a justiça (Romanos 3,20s; Romanos 7,7-13 Gálatas 3,15-22).
Cristo é o único modelo desta justiça (Hebreus 1,8 1João 3,7 1Pedro 2,21): realizando-a com a sua morte e ressurreição (1Pedro 3,18-22 Atos 3,15 Romanos 5,18 1Coríntios 1,30 2Coríntios 5,21).
A justiça cristã torna-se assim um dom de Deus através de Cristo (Romanos 3,21-31 Romanos 5,1-10 Filipenses 3,9), é um estado novo e permanente (Efésios 4,20-24 Efésios 2,15), é uma participação na filiação divina (1João 2,29 1João 3,7-10 Romanos 8,28-30). O Espírito Santo substitui a Lei como princípio interior de retidão: é a Lei da liberdade (Romanos 8,2-11 Tiago 1,25 Tiago 2,12). E um estado de santidade (Romanos 6,19 1Coríntios 1,30 Romanos 1,17 Filipenses 3,9s). Esta justiça tem como fruto as "obras da luz" (Efésios 5,9-11 Efésios 6,14-18 Filipenses 1,9-11 2Timóteo 2,22).

JUSTIFICAÇÃO
Justificar é declarar alguém inocente (Deuteronômio 25,1 Isaías 5,23). O plano de Deus é justificar a muitos homens por meio do sofrimento de seu Servo (Isaías 53,11). Jesus veio para justificar os pecadores (Mateus 9,13). A justificação se obtém não pelas boas obras mas pela fé em Jesus Cristo (Romanos 3,21-4,25 Gálatas 2,15s; Efésios 2,1-12). É um dom gratuito de Deus em Cristo (Romanos 3,23-25 Romanos 4,5-8 Romanos 5,9-11 Romanos 5,18-21 Tito 3,7). É efeito da obediência, da morte e ressurreição de Cristo (Romanos 5,19 Romanos 3,24s; Gálatas 2,21). Supõe um ato de fé (Romanos 3,26-30 Romanos 5,1 Romanos 10,6 Gálatas 2,16-21 Gálatas 3,6-12) e recebe-se no batismo (Tito 3,5-7 Romanos 6,1-14 Efésios 4,22-24). Justificado, o homem recebe o perdão dos pecados e participa da vida divina pela graça.





DICIONÁRIO BÍBLICO - LETRA L

LEI DE MOISÉS
Ou Lei de Deus (Josué 24,26), é o conjunto das leis e prescrições religiosas e civis colecionadas nos cinco livros de Moisés (Pentateuco), atribuídos a Moisés. Estes livros, que constituíam a parte básica da leitura e instrução nas sinagogas, contêm, além de coleções (Êxodo 25-31 Êxodo 36-40 Levítico 1-16 Levítico 23-27 Números 1-10 Números 17-19), alguns códigos mais amplos: Código da Aliança (Êxodo 20,23-23,19), a Lei de Santidade (Levítico 17-22) e o Código Deuteronômico (Deuteronômio 12-26).
Além destas leis escritas, os fariseus observavam a tradição oral, a Mixná, também atribuída a Moisés.
Posição de Jesus perante a Lei de Moisé s: Jesus não veio para abolir a Lei de Moisés mas cumpri-la no seu essencial (Mateus 5,17). Observa a Lei (João 2,13 João 5,1 João 7,10 Mateus 26,17-19 Lucas 22,7-15). Jesus, porém, além de criticar o abandono da Lei de Moisés por parte dos fariseus em favor de suas tradições (Mateus 15,2-9), contesta a própria Lei (Mateus 12,1-8 Mateus 12,9 Mateus 12,14 Lucas 13,1-17 João 5,9-12 Marcos 1,41 Marcos 7,14-23 Lucas 7,14 Mateus 5,21-48). A atuação de Cristo frente à Lei é um esforço por tirar as conseqüências da sua redução ao amor de Deus e do próximo (Mateus 7,12 Mateus 22,34-40 Marcos 12,28-34 Lucas 10,25-29).
Posição de Paulo perante a Lei: A polêmica que aparece em Atos 7,1-53; 10,1-11,18 atinge o seu ponto culminante com o apóstolo dos pagãos (Gálatas 1,16 Atos 15,1-33): somos justificados não pelas obras da Lei mas pela fé em Cristo (Romanos 3,20-28 Gálatas 2,16-21 Gálatas 3,11). A Lei não justificou nem a judeus nem a gentios (Romanos 2,12-24). A Lei era transitória (Romanos 5,20 Romanos 7,1-6 Gálatas 2,19 Gálatas 3,13).
A Lei de Cristo (1Coríntios 9,21 Gálatas 6,2) é a "plenitude"da Lei mosaica (Romanos 13,8-10). É a pessoa de Cristo (Efésios 4,20). É a lei do Espírito (Romanos 8,2). É a lei da liberdade (Gálatas 5,1 Gálatas 5,13), a lei da fé (Romanos 3,27). É o mandamento novo (João 13,34 João 15,12 1João 3,23).
Além da Lei de Moisés e da Lei de Cristo existe a Lei natural (Atos 14,16 Romanos 1,19s; Romanos 2,14s).

LEITE E MEL
São produtos naturais da terra de Canaã, obtidos sem muito trabalho. Por isso a Terra Prometida é descrita, em oposição ao deserto, como "terra onde corre leite e mel" (Êxodo 3,8 Números 13,27 Deuteronômio 6,3). Leite e mel simbolizam as bênçãos divinas da Terra Prometida. A abundância de leite é sinal de prosperidade e riqueza e imagem da felicidade dos tempos messiânicos (Joel 4,18 Isaías 55,1 Isaías 60,16).

LEPRA
Duvida-se que esta palavra nas traduções bíblicas indique a mesma doença que nós hoje conhecemos por lepra ou "mal de Hansen". De fato, "lepra"nas versões da Bíblia traduz o termo hebraico sara'at, que inclui qualquer doença de pele e mesmo manchas em paredes ou roupas (cf. Levítico 13-14).
Não se justifica, pois, pela Bíblia o ostracismo social em que nossa sociedade coloca os "leprosos" (hansenianos). O motivo pelo qual na Bíblia se isola o "leproso"não é o medo de um contágio por algum bacilo, mas o da impureza ritual ( puro-impuro). Cristo curou o leproso tocando-o com a mão (Marcos 1,40-45), sem temor algum de contágio ou impureza, mostrando assim que a impureza que contamina é aquela que vem do coração (Marcos 7,15-23).
A lepra (hanseníase ou hansenose) que nós hoje conhecemos é uma enfermidade crônica, moderadamente contagiosa, com alterações principalmente na pele e nos nervos periféricos. Primeiros sinais: manchas mais claras na pele que se caracterizam pela "dormência" (insensibilidade à dor, ao frio e ao calor); aos poucos as inflamações nos nervos periféricos vão produzindo deformidades nas extremidades (mãos e pés). Hoje a ciência descobriu vários remédios que curam ou interrompem o processo da doença, sobretudo se a assistência médica for logo procurada. Feito o tratamento adequado a pessoa pode voltar ao seu trabalho e ao convívio familiar, sem perigo nenhum de contágio.
É, pois, um preconceito desumano, destruidor da fraternidade e nada cristão negar emprego ou vaga na escola a um hanseniano, ou, pior ainda, rejeitá-lo do convívio familiar.

LEVIRATO
O termo vem do latim levir, "cunhado". Normalmente o casamento entre cunhados era proibido (Levítico 18,16 Levítico 20,21). Mas a lei do levirato obriga o cunhado a casar-se com a cunhada, quando esta ficou viúva sem ter tido um filho homem (cf. Deuteronômio 25,5s e nota). O primeiro filho desta união era considerado filho e herdeiro do falecido. A finalidade principal de tal matrimônio era conservar o nome do falecido e a propriedade dentro do clã (cf. Gênese 38 Rute 4,3-5 Mateus 22,24).

LEVITA
Na tradição israelita é um membro da tribo de Levi, o terceiro filho de Jacó e Lia (Gênese 29,34 Gênese 35,22-26). Mas originariamente "levita"era alguém que exercia funções sacerdotais. Com o tempo, todos os que exerciam funções sacerdotais foram identificados com a tribo de Levi. Mais tarde, quando o sacerdócio de Jerusalém passou a ser considerado o único legítimo, os sacerdotes que exerciam as funções fora de Jerusalém foram degradados à função de auxiliares do culto (1Crônicas 23,4-6). Ver Números 3,11-13 Números 8,10-12 Números 18,20-25.

LIBAÇÃO
Rito complementar de um sacrifício, que consistia em derramar azeite, água e vinho em torno do altar (Gênese 35,14 2Samuel 23,16 Deuteronômio 32,38). Paulo usa o termo em sentido figurado (Filipenses 2,17 2Timóteo 4,6).

LÍBANO
Cadeia montanhosa ao norte da Palestina. O nome vem de laban, que significa "ser branco", e alude aos picos cobertos de neve (Jeremias 18,14).

LIBERDADE
Cristo nos libertou da Lei mosaica (Romanos 6,17-23 Romanos 7,1-6 Gálatas 4,4-31 Lucas 4,18s). Consiste na libertação do pecado (João 8,31-36 Romanos 6,22 Gálatas 5,1 Gálatas 5,13 Tiago 1,25 Tiago 2,12 1Pedro 2,15s). Vem pela fé em Cristo (Romanos 6,17-23 Gálatas 4,21-30). Onde age o Espírito aí há liberdade (Romanos 8,2 2Coríntios 3,17); a liberdade tem limites (Gálatas 5,13-26).

LIBERTAÇÃO
Ação pela qual uma pessoa ou um povo são tirados da escravidão, tornando-se livres. No Antigo Testamento o povo de Deus passou por duas experiências históricas de libertação: da escravidão do Egito (cf. Êxodo 3,12 Êxodo 19,1-24,11) e do cativeiro da Babilônia. No Novo Testamento a libertação não é uma experiência político-temporal, mas sobretudo espiritual. Só Cristo pode libertar a pessoa humana (João 8,32-36 Romanos 6,18-22) da Lei, do pecado e da morte (Romanos 7,3-6 Romanos 8,2), para colocá-la a seu serviço e ao de seus irmãos (1Coríntios 7,21s; 1Coríntios 9,19).

LÍNGUA
É necessário dominá-la (Provérbios 25,28 Eclesiastes 5,2 Mateus 12,36 Efésios 4,29 Efésios 5,3s; Colossenses 4,6 Tiago 1,19 Tiago 1,26 Tiago 3,2-12). As más línguas (Salmo 52,4 Salmo 57,5 Salmo 140,4 Provérbios 18,8 Eclesiástico 9,18 Eclesiástico 28,17-23).
Falar em línguas é um carisma. É a oração de louvor, dirigida a Deus em estado de exaltação mística. Por ser incompreensível, necessita de um intérprete para ser entendida pela assembléia (1Coríntios 12,10-30 1Coríntios 13,1 1Coríntios 13,8 1Coríntios 14). É um dom prometido aos discípulos de Cristo (Marcos 16,17), mas inferior à profecia. O fenômeno se realizou no dia de Pentecostes (Atos 2,3s. Atos 2,11 Atos 2,15).

LUA NOVA (NEOMÊNIA)
No calendário lunar a lua nova marca o início do mês; era considerada um dia santo. Nesse dia não se trabalhava (Amós 8,5), promoviam-se banquetes familiares de caráter religioso (1Samuel 20,5-26), ofereciam-se sacrifícios (Números 28,11-15 Isaías 1,12s; Oséias 2,13), consultava-se a Deus (2Reis 4,23) e o luto e o jejum eram interrompidos (Judite 8,5s).

LUGARES ALTOS
Ou "santuários das alturas" (em hebraico bamot ) designa santuários cananeus em geral construídos numa colina, ou topo de um monte (Números 33,52). Oséias israelitas praticavam o culto em tais santuários antes da construção do templo (1Reis 3,2). Mais tarde, sobretudo com a centralização do culto promovida pelo rei Josias (2Reis 22-23), foi proibida a freqüência aos lugares altos (Deuteronômio 12,2-14), que foram destruídos e profanados (2Reis 23,5 2Reis 23,19. Ver "Festa".

LUZ
Deus criou a luz natural, o dia, o sol, a lua e as estrelas (Gênese 1,3 Gênese 1,5 Gênese 1,16-18). Em sentido simbólico, a luz identifica-se com a vida (Jó 3,20 Jó 38,15) e a proteção divina (Jó 29,3 Salmo 27,1). A luz é o lugar da felicidade, da vida; as trevas, o lugar da infelicidade e da morte (Jó 30,26 Isaías 8,21-9,2) A luz simboliza a glória divina (Êxodo 13,21 Baruc 5,9), inacessível ao homem (1Timóteo 6,16). A luz é símbolo de Cristo (João 8,12). Diante de Cristo que é luz é preciso optar (Romanos 13,12-14 João 3,17-21). Oséias homens são filhos da luz e filhos das trevas, cegos e videntes (1João 1,5-7 1João 2,9s; Efésios 5,7-18 João 12,36).
Oséias cristãos são chamados "filhos da luz"por terem recebido a graça e a luz da verdade, que devem difundir pelo bom exemplo (Mateus 5,14 Efésios 5,8). A conversão é iluminação (Isaías 2,5 Atos 26,17s; 2Coríntios 6,14-16 Mateus 5,13-16).





DICIONÁRIO BÍBLICO - LETRA M

MACEDÔNIA
Região na costa setentrional do mar Egeu, habitada pelos macedônios, que corresponde à metade da atual Grécia e Albânia. É a terra de Alexandre Magno (1Macabeus 1,1). Mais tarde, como província romana, foi visitada por Paulo, na segunda e terceira viagens missionárias (Atos 16,9-12 Atos 18,5 Atos 20,1-3).

MADIANITAS
Coligação de tribos árabes (Gênese 25,2) cujas pastagens estavam ao leste do Golfo de Ácaba. Às vezes penetravam até a planície de Jezrael (Juízes 6-7) ou se empregavam como guias de caravanas (Gênese 37,28 Gênese 37,36). Moisés casou-se com a filha de um sacerdote madianita (cf. Êxodo 2,15-21 e nota) e instituiu juízes a conselho do sogro (Êxodo 18,13-27). Mas houve também choques armados com os madianitas, pouco antes de Israel entrar em Canaã (Números 25,6-18 Números 31,1-12).

MÃE
Ver "Mulher".

MAGOG
Filho de Jafé (Gênese 10,2), antepassado dos povos do Norte que viviam junto ao mar Negro. Nos textos apocalípticos simboliza os inimigos de Israel (Ezequiel 38,2 Ezequiel 39,6 Apocalipse 20,7-9).

MAGOS
Originariamente eram uma tribo meda, que desempenhava funções sacerdotais na religião persa. Como tais sacerdotes se dedicavam à astronomia, astrologia e forças ocultas, mago passou a ser sinônimo de feiticeiro (Atos 8,9-11 Atos 13,6-8). Oséias sábios do Oriente que vieram adorar o menino Jesus são chamados "magos" (Mateus 2,1-12).

MAL
Problema do mal: Solução anterior à religião hebraica: dualismo, princípio do bem e princípio do mal (Salmo 103,5-9 Jó 26,12 Apocalipse 20,1-13). Certos textos atribuem a Deus o mal (1Samuel 16,14-23 Amós 3,6).
Outra solução vê a causa do mal no pecado pessoal (Gênese 3,16-19 1Reis 8,33-46 Jeremias 4,1-22 Jó 4,6-5,7 Eclesiastes 8,10-14). Esta solução é insuficiente pois muitos justos, sem pecado, sofrem (Ezequiel 18,2-28 João 9,1-3).
Solução-compensação: os que sofrem nesta vida serão felizes na outra (2Macabeus 7,9-36 Cântico dos Cânticos 3,1-9 Lucas 16,19-26 Lucas 6,19-26 1Coríntios 15,1-34).
Outra solução faz do sofrimento um castigo educativo (Oséias 2,4-19 Jeremias 31,18-20 Deuteronômio 4,25-32).
Ainda uma outra solução complementar das anteriores: o sofrimento expiação (Deuteronômio 8,2-6 Provérbios 3,11s; Jó 5,17-19 Jó 33,19-28 2Coríntios 5,1-5 2Coríntios 5,18-21 Gálatas 3,10-13 Hebreus 2,9-18 Hebreus 12,5-12 Romanos 3,25s).
Cristo aceita livremente fazer-se instrumento de salvação dos seus irmãos pelo sofrimento (Mateus 20,17-28 1Pedro 2,21-25 Efésios 5,1-9 Romanos 8,18-21 2Coríntios 5,1-5). Desde então o sofrimento de cada homem participa no de Cristo (2Coríntios 6,1-10 Colossenses 1,24).

MALDIÇÃO
Ver "Imprecação".

MANÁ
Nome de alimento miraculoso que sustentou a caminhada de Israel pelo deserto. Sobre a origem e natureza do "maná" veja Êxodo 16,15 e Números 11,7-9. O maná tornou-se símbolo da providência divina, do alimento dos tempos messiânicos e da Eucaristia (João 6,31 1Coríntios 10,1-22 Hebreus 9,4 Apocalipse 2,17).

MANUSCRITO
Como a imprensa é uma invenção moderna (1450), os livros antigos eram escritos à mão, donde "manuscritos". Escrevia-se em tiras de couro (pergaminho) ou papiro produzido no Egito, que eram enroladas, formando um rolo, ou dobradas para formar um códice.

MÃO (DE DEUS)
Simboliza o poder soberano e terrível de Deus (Deuteronômio 3,24 Jó 19,21 1Pedro 5,6), que intervém neste mundo (Salmo 31,6-16) e domina a história dos homens (Êxodo 13,3 Êxodo 13,14 1Samuel 5,9 Atos 4,28-30). O Pai entregou todo o poder nas mãos de Jesus (João 3,35 João 13,3).

MARIA
Conhecem-se várias Marias na Bíblia:
1. Maria Madalena, curada por Jesus, que assistiu sua morte e sepultura e o viu ressuscitado (Lucas 8,2 Lucas 24,10 João 20,1 João 20,11 João 20,16).
2. Maria, mãe de Tiago Menor e José (Marcos 15,47 Mateus 27,56 Mateus 27,61 Lucas 24,10).
3. Maria de Betânia, irmã de Marta e Lázaro (Lucas 10,39 Lucas 10,42 João 1,11-12,3).
4. Maria, mãe de Marcos (Atos 12,12).
5. Maria, uma cristã de Roma (Romanos 16,6).
6. Maria, ou Míriam, irmã de Moisés (Números 26,59).
7. Maria, mãe de Jesus (Mateus 1-2 Lucas 1-2).

MARIA (MÃE DE JESUS)
É a cheia de graça (Lucas 1,28): Indica a beleza e a fidelidade da esposa (Eclesiástico 26,13-15).
Maria, Filha de Sião : Oséias profetas convidaram a Filha de Sião a "alegrar-se"pela presença do Messias (So 3,14-18 Zacarias 2,14 Isaías 12,6). Lucas (Lucas 1,28-38) saúda a Virgem com um grito de alegria. Em Atos 1,12-14, onde se narra o nascimento da "Nova Sião" (a Igreja), Maria encontra-se presente.
Maria,a bendita entre as mulheres (Juízes 5,24 Judite 13,17s; Lucas 1,42). A aliança de Deus com Abraão é fonte de bênçãos (Gênese 12,2s; Gênese 13,16 Gênese 15,5 Gênese 17,2-6 Gênese 22,17). Deus abençoará o fruto das entranhas daqueles que lhe são fiéis (Deuteronômio 7,12s; Lucas 1,42).
Maria, Arca da Aliança : A expressão "o Senhor está contigo" (Lucas 1,28) é uma fórmula da Aliança. Deus está com Maria como esteve com Abraão, Isaac, Jacó, Moisés, etc. (Gênese 26,3 Gênese 26,24 Gênese 31,3 Êxodo 3,12 2Samuel 7,9 Jeremias 1,6-8 Deuteronômio 20,1-4 Isaías 7,14 Isaías 41,8-14 Isaías 43,1-5).
Maria, mãe do Messias, Servo Sofredor (Gênese 3,15-17 Isaías 7,14 Miquéias 5,1-15 Mateus 1,23 João 19,25-27 Apocalipse 12).
Cântico da Serva do Senhor: No Magnificat distinguem-se três coisas: o cântico de vitória e de louvor (Lucas 1,47-49); o cântico dos pobres de Javé (Lucas 1,50-53); o cântico da Aliança com Abraã (Lucas 1,54s; Gênese 15,5s; Hebreus 11,8-19).

MAR MORTO
Mar interno da Palestina, onde desemboca o rio Jordão. Suas águas contêm 25% de sais minerais, não permitindo a existência de nenhuma forma de vida. Tem cerca de 80 km de comprimento por 15 de largura e está a 394 m abaixo do nível do mar. Na parte sul do mar Morto estavam, provavelmente, localizadas as cidades de Sodoma e Gomorra. A noroeste do mar Morto, no deserto de Judá, foram descobertos antigos manuscritos da Bíblia, relacionados com as ruínas do mosteiro de Qumrân.

MAR VERMELHO
Tradução grega da expressão hebraica "mar dos Juncos" (yam suf). Foi identificado, no passado, com o Golfo de Suez ou o Golfo de Ácaba (Números 14,25 Números 21,4 Deuteronômio 1,40), que teria sido atravessado pelos israelitas a pé enxuto, depois de saírem do Egito. Hoje se admite que o "mar dos Juncos"tenha sido uma pequena enseada do mar Mediterrâneo (mar Sirbônico), ou a zona pantanosa do norte do Delta do Nilo (cf. Êxodo 10,19 Êxodo 14,21-31).

MATEUS
Um dos doze apóstolos, identificado com Levi, filho de Alfeu, cobrador de impostos (Mateus 9,9 Marcos 2,14). É considerado como o autor do Primeiro Evangelho.

MATRIMÔNIO
Tem dupla finalidade: a ajuda mútua (Gênese 2,18-24 Tobias 8,5-8 Eclesiástico 40,23 1Coríntios 7,1-9) e a procriação (Gênese 1,28 Gênese 9,1 Tobias 8,9 Mateus 22,24-28). A Lei permitia o divórcio (cf. Deuteronômio 24,1-4 e nota) e a poligamia (cf. Gênese 4,19 e nota); mas Jesus condena ambas as práticas (Mateus 5,32 Mateus 19,9 Marcos 10,2-10 Lucas 16,18 Romanos 7,2s; 1Coríntios 7,10s. 1Coríntios 7,39) e exalta o valor do celibato por causa do Reino dos Céus (Mateus 19,12 Lucas 18,29).
Aliança entre Deus e Israel é comparada com a relação existente entre os esposos (Oséias 1-2 Isaías 54,5-7 Jeremias 2,2 Ezequiel 16,6-14 Salmo 45 Ct 1,8). Deus é o esposo fiel e ciumento (Jeremias 31,3s; Ct 8,6 Isaías 62,3-5).
Jesus se apresenta como o esposo da nova aliança (Lucas 5,33-39 João 3,28-30 Mateus 22,1-14 Mateus 25,1-13 Apocalipse 19,7s; Apocalipse 21,1s).
Nesta linha, Paulo vê na união matrimonial um sacramento (sinal) da relação entre Cristo e a Igreja (Efésios 5,23-33).

MEDIADOR
É o intermediário entre duas partes que procuram entrar em acordo. As religiões sentem necessidade de mediadores entre Deus e os homens. Moisés (Números 14,13-20), os anjos, os reis, os profetas e sacerdotes exercem esta função no judaísmo. As mediações do Antigo Testamento são insuficientes (2Coríntios 3,6-9 Romanos 7,7-13 Gálatas 3,10s; Hebreus 10,1-11) para colocar o homem em comunhão com Deus. Jesus é o único verdadeiro mediador (1Timóteo 2,5 Hebreus 8,6 Hebreus 9,14s), solidário com os homens (Hebreus 5,7-9), pelo qual temos acesso ao Pai (Hebreus 9,11-25 Hebreus 12,24).

MELQUISEDEC
Rei e sacerdote que ofereceu pão e vinho após a vitória de Abraão sobre os seqüestradores de Ló (cf. Gênese 14,18-20 e nota). É considerado uma figura de Cristo (Hebreus 5,6 Hebreus 5,10 Hebreus 7,1-18), eterno sacerdote.

MEMORIAL
É a parte dos sacrifícios de cereais que, com ou sem incenso, é queimada pelo sacerdote no altar, em combinação com a oferta de comestíveis (cf. Levítico 2,2 e nota), sendo o restante reservado à manutenção dos sacerdotes. É, pois, a parte do sacrifício que pertence exclusivamente a Deus: a oferta faz Deus lembrar-se do homem, ou leva o homem a lembrar-se de Deus, a quem pertencem todos os sacrifícios.

MENTIRA
É proibida (Êxodo 23,7 Provérbios 12,22 Mateus 5,37 Mateus 12,35-37 João 8,44 Efésios 4,25 Colossenses 3,9); é perniciosa (Provérbios 19,9 Provérbios 19,22 Eclesiástico 20,24-26 Apocalipse 22,15); veracidade (Zacarias 8,16 João 1,47 Romanos 9,1 1Coríntios 13,6 Gálatas 1,20).

MERECIMENTO
Nosso (Eclesiástico 16,14 Jeremias 25,14 Atos 3,12 1Coríntios 3,3); de Cristo (João 1,17 João 3,16s; João 15,5 João 15,8 Romanos 3,23s; Romanos 5,8-10 Romanos 5,20 Romanos 6,23 Efésios 1,2 Filipenses 2,8 Colossenses 1,14).

MESSIAS
É "o ungido", o rei elevado à sua dignidade por uma unção com óleo (1Samuel 10,1 1Samuel 16,13 2Samuel 2,4 1Reis 1,39). O termo é também aplicado a Ciro, rei dos persas (Isaías 45,1). Pela unção a pessoa passa a gozar de uma relação especial com Deus e participa de sua autoridade (cf. 1Samuel 24,7 2Samuel 1,14). O Sumo Sacerdote também era ungido para exercer sua função (Levítico 4,3-16 Levítico 6,15). O termo "ungido"passou a designar o futuro rei (Daniel 9,25s), descendente de Davi, esperado pelos judeus (Marcos 10,47s). Em grego, Cristo corresponde ao hebraico "Messias" (João 1,41 João 4,25), tornando-se um título de Jesus (Romanos 1,1).

MIDRAXE
Exposição e ilustração da Sagrada Escritura, em uso no judaísmo, que visa aplicar o texto para o momento presente, exortando a bem viver (cf. Ezequiel Ezequiel 16 Isaías 60-62 Salmo 78).

MILAGRE
Oséias judeus tinham um conceito de milagre bastante diferente do nosso. Todas as manifestações de Deus, na natureza e na história, eram para eles maravilhosas (Salmo 138,14 Jó 5,9). Atribuem a Deus todos os acontecimentos, como a derrota dum inimigo, um vento impetuoso, um rumor de passos (1Samuel 14,22s. 1Samuel 14,45; Gênese 24,12-21 Êxodo 14,21-23 2Samuel 5,24). A história do povo eleito, no seu conjunto, é um milagre (Êxodo 7,10-13 Neemias 9,20s; 1Reis 18,18-40 Isaías 7,10-14).
Também os magos faziam milagres (Êxodo 7,10-23 Êxodo 8,1-15 Êxodo 9,8-26 Números 22-24). No entanto, os milagres só são sinais de Deus se houver fé (Êxodo 7,3-9 Deuteronômio 4,34 Deuteronômio 6,22).
A essência do milagre na Bíblia está em ser ele um sinal do poder e da misericórdia de Deus (cf. Deuteronômio 13,2-6 e nota). O que importa é esta função de sinal e não o fato de estar acima das assim chamadas "leis da natureza". Aliás, o israelita não distinguia entre causalidade natural e ação direta de Deus (Salmo 19,1-7 Salmo 104 Salmo 135,6s; Jó 38). Por isso não distinguia entre sinais "naturais"e "sobrenaturais". Também os milagres de Jesus são vistos como sinais da bondade divina, que provocam experiências de salvação (Mateus 12,38s; Marcos 8,11s) e levam a crer na doutrina e na pessoa de Jesus (João 2,11 João 2,18 João 2,23). Oséias milagres são sinais do Reino de Deus que vence a Satã (Mateus 12,28 Atos 2,22 Atos 10,38).

MILAGRES DE JESUS
Cego: Marcos 8,22.
Cego Bartimeu: Marcos 10,46 Marcos 10,52 Lucas 18,35.
Cego de nascença: João 9.
Criado do oficial romano: Mateus 8,13 Lucas 7,1s.
Curas em massa: Mateus 4,23 Marcos 1,34 Lucas 8,2.
Figueira amaldiçoada: Mateus 21,19 Marcos 11,13.
Filho do oficial romano: João 4,46.
Hidrópico: Lucas 14,2.
Jesus aparece no lago de Tiberíades: João 21,1.
Jesus caminha sobre as águas: Mateus 14,25.
Jesus envia o Espírito Santo: Atos 2,1s.
Jesus passa incólume pelos inimigos: Lucas 4,29s.
Jesus passa por portas trancadas: João 20,19.
Leprosos (dez): Lucas 17,12.
Mão seca: Mateus 12,10.
Mulher encurvada: Lucas 13,11.
Mulher que sofria de hemorragia: Mateus 9,20 Marcos 5,25 Lucas 8,43.
Multiplicação dos pães, primeira: Mateus 14,19 Marcos 6,43 Lucas 9,12 João 6,10; segunda: Mateus 15,32 Marcos 8,5.
Orelha de Malco: Lucas 22,50.
Paralítico: Mateus 9,2 Marcos 2,3 Lucas 3,18.
Pesca milagrosa: Lucas 5,5-10.
Possessa, filha da mulher cananéia: Mateus 15,22 Marcos 7,24.
Possessa, Maria Madalena: Marcos 16,9 Lucas 8,2.
Possesso: Marcos 1,23 Lucas 4,31s.
Possesso cego e mudo: Mateus 12,22.
Possesso, menino: Mateus 17,14 Marcos 9,16s; Lucas 9,38.
Possesso mudo: Mateus 9,32 Lucas 11,14.
Possessos de Gérasa: Mateus 8,28 Lucas 8,30.
Ressurreição: Mateus 28,2 Marcos 16,1 Lucas 24,1 João 20,1.
Ressuscita a filha de Jairo: Mateus 9,25 Marcos 5,41 Lucas 8,54.
Ressuscita Lázaro: João 11,1s.
Ressuscita o jovem de Naim: Lucas 7,11.
Sogra de S. Pedro: Mateus 8,15 Marcos 1,31 Lucas 4,38.
Surdo-mudo: Marcos 7,32.
Tempestade no lago: Mateus 8,24 Marcos 4,37 Lucas 8,22.
Transfiguração: Mateus 17,2 Marcos 9,1s; Lucas 9,28.
Trevas na morte de Jesus: Mateus 27,45 Marcos 15,33 Lucas 23,44.
Vinho feito de água em Caná: João 2,1-11.

MINISTÉRIOS
Ver "Carisma", "Bispo", "Sacerdote", "Diácono". 753

MISERICÓRDIA
O termo hebraico "hesed " (misericórdia) designa todos os laços que ligam os membros de uma comunidade: favor, benevolência, afeto, bondade (Gênese 20,13 Gênese 47,29 1Samuel 20,8-15 Salmo 36,6-11).
No começo da aliança fala-se exclusivamente da misericórdia de Deus, no sentido de amor gratuito (Deuteronômio 7,7-13 Deuteronômio 9,4-6 Ezequiel 16,3-14 2Samuel 7,12-15 Isaías 54,10 Daniel 9,4).
Misericórdia de Deus é amor aos mais pobres, entre os quais sobressaem os pecadores (Isaías 14,1s; Isaías 49,13-15 Lucas 10,29-37 João 10,1-21 Êxodo 34,6s; Isaías 27,11 Isaías 30,18 Lucas 7,36-50 Lucas 15,1-32).
Esta graça e misericórdia de Deus corporizam-se em Cristo (2Coríntios 5,18-21 2Coríntios 8,9 Gálatas 2,21 Hebreus 2,5-13 Efésios 2,4-7 Colossenses 2,13s; Tito 2,11 Tito 3,4).
A misericórdia do homem, como resposta à misericórdia de Deus, é mais importante que os atos de culto (Oséias 6,6 Mateus 5,7 Mateus 9,10-13 Mateus 12,1-7 Mateus 23,23 Lucas 10,29-37 Lucas 6,36-38 Lucas 13,6-9 Lucas 15,1-32).

MISSA
Ver "Eucaristia".

MISSÃO
Deus enviou seu Filho a este mundo para salvá-lo e lhe dar a vida (João 10,36 João 16,27s; João 6,38 Lucas 4,18 Lucas 19,10). O Pai e o Filho enviam o Espírito Santo (João 14,16 Atos 2,1-11). Jesus enviou os apóstolos pelo mundo para continuarem a sua missão (Marcos 3,13 Marcos 16,15s; Mateus 10,1-42 Mateus 28,18s; João 20,21).

MISTÉRIO
No mundo grego "mistério"eram cerimônias religiosas secretas, nas quais tomavam parte apenas pessoas iniciadas. "Mistério"tem o sentido geral de "coisa oculta, obscura, secreta". No Novo Testamento o termo é usado não tanto no sentido de algo incompreensível à razão, mas como revelação: "Mistério"são as ações de Deus para estabelecer o seu reino (Mateus 13,35 Apocalipse 10,7), por meio de Jesus Cristo e da Igreja (Efésios 1,9s; Efésios 3,1-9 Colossenses 4,3); é a sabedoria divina revelada em Cristo (1Coríntios 2,7s; Colossenses 1,25-27 1Timóteo 3,16), especialmente o plano de Deus, inacessível ao homem mas revelado por Jesus Cristo, de salvar todos os homens (Romanos 16,25s).

MOAB
Um dos filhos de Ló. A origem dos moabitas, descendentes de Moab, é descrita de modo vergonhoso (cf. Gênese 19,30-38 e nota), por causa de sua constante rivalidade com os israelitas (Números 22,1-4 Isaías 15 Jeremias 48 Ezequiel 25,8-11). Ver "Amon".

MOCIDADE
Idade das paixões (Salmo 25,7 Eclesiastes 11,9s; Jeremias 31,19 2Timóteo 2,22 Tito 2,6); temor de Deus (Salmo 119,9 Eclesiastes 12,1 Eclesiástico 51,13-15 1Pedro 5,5); disciplina necessária (1Samuel 2,26 Provérbios 1,8s; Provérbios 4,1 Eclesiástico 6,18-20 Eclesiástico 25,3 Lucas 2,46 1Pedro 5,5).

MOEDA
Inicialmente as transações comerciais se faziam pelos sistemas de permuta de mercadorias. Depois as mercadorias passaram a ser avaliadas por unidades de peso de metal precioso (ouro ou prata). O costume de cunhar moedas, enquanto dinheiro garantido pelas autoridades quanto ao peso e pureza do metal, foi introduzido no séc. VI a.C.pelos persas. No tempo de Cristo circulavam na Palestina moedas romanas, gregas e locais, cunhadas em ouro, prata e bronze. Sobre o tipo e valor das moedas, veja a tabela específica.

MOISÉS
O nome é de origem egípcia (cf. Êxodo 2,10 e nota). Casado com uma madianita (Êxodo 2,11-22) ou etíope (Números 12,1), Moisés é apresentado na tradição bíblica como um homem de origem israelita. É o libertador dos israelitas da opressão egípcia, promulgou as leis de Deus e conduziu o povo a Canaã, mas morreu sem ali entrar. A ele se atribui a "Lei de Moisés", um cântico (Deuteronômio 32,1-43), uma bênção (Deuteronômio 33,1-29) e um salmo (Salmo 90).
Para o judaísmo Moisés é o personagem mais importante da história da salvação, uma figura do Messias (Deuteronômio 18,15-18). No Novo Testamento é visto como mensageiro de Deus e mediador da Lei, que recebeu no Sinai; é a testemunha e o modelo de fé (Atos 7,17-44 Hebreus 11,23-29). Mas Jesus lhe é superior como chefe, redentor, legislador e profeta (Mateus 17,3 João 1,45 Atos 7,35 Hebreus 3,2s). Ver "Lei de Moisés".

MOLOC
Divindade cananéia a que se ofereciam sacrifícios humanos (Levítico 20,5 2Reis 16,3 2Reis 23,10).

MONTANHA
Em oposição ao Egito e à Babilônia, a Palestina é uma região de montanhas; por isso a expressão "subir do Egito" ou "subir a Jerusalém". Montanhas caracterizam a região da Judéia, Samaria e Galiléia em oposição à planície costeira do Mediterrâneo.
A montanha é considerada habitação da divindade. Por isso os santuários se localizavam muitas vezes no topo dos montes (lugares altos).
Foi nos montes Sinai (Deuteronômio 33,2) e Tabor (Mateus 17,1-8) que Deus se revelou. A colina de Sião, sobre a qual estão Jerusalém e o templo, é a montanha "onde o Senhor habitará para sempre" (Salmo 68,17) e implantará seu reino escatológico (Isaías 2,2-5).

MORTE
É o destino universal do homem (Josué 23,14 1Reis 2,2 Eclesiastes 12,7). A Escritura não reflete sobre a morte como processo fisiológico. Mesmo quando diz "exalou o espírito"ou "Deus retira o hálito de vida"não se refere à alma em sentido atual, mas à aparência externa da cessação de respiração (Jó 34,14 Eclesiastes 12,7 Mateus 27,50 Lucas 23,46 João 19,30).
A morte repentina e prematura é considerada efeito da ira de Deus (Jó 15,32 Salmo 55,24 Números 27,3), especialmente a morte dos pecadores (Salmo 34,23 Provérbios 11,7 Eclesiástico 41,1 Lucas 16,22).
Deus é o Senhor da vida e da morte (1Samuel 2,6 Jó 14,5). Esta aparece como hostil a Deus, pertencendo ao império de Satã (1Coríntios 15,26 Apocalipse 6,8 Apocalipse 20,12s; Hebreus 2,14).
A morte é vista como conseqüência do pecado (Gênese 2,17 Gênese 3,19 Cântico dos Cânticos 2,23s; Eclesiástico 25,24 Romanos 5,12 1Coríntios 15,21s).
O Xeol é o reino da morte, considerado como uma gruta subterrânea debaixo das águas do abismo (Gênese 37,35 1Reis 2,6 Provérbios 9,18 Jó 10,21s).
No Antigo Testamento é difícil encontrar a idéia de uma vida para além da morte. Contudo, alguns textos mais tardios falam duma futura ressurreição (Daniel 12,2 2Macabeus 7,9 2Macabeus 7,11 2Macabeus 7,14 2Macabeus 7,23) e de uma vida junto de Deus (Cântico dos Cânticos 5,15s; Cântico dos Cânticos 6,18s).
No Novo Testamento Cristo aniquilou a morte com a sua própria morte (Romanos 5,6-8 2Coríntios 5,14s; Gálatas 3,13 Colossenses 1,18). Descendo ao Xeol (1Pedro 3,19 1Pedro 4,6), recebeu as chaves do reino da morte (Apocalipse 1,18), o último inimigo a ser vencido (1Coríntios 15,25s; Apocalipse 20,14).
O cristão, batizado em Cristo, deve morrer diariamente (Romanos 6,11s; Romanos 8,10 2Coríntios 4,7-12 2Coríntios 6,9).

MULHER
A condição social da mulher no Antigo Testamento é bastante má (Levítico 27,3s; Gênese 16,1-14 Gênese 30,1-4 Gênese 24,16-30 Números 27,1-10 Deuteronômio 22,23-29).
A literatura sapiencial reconhece-lhe, contudo, alguns valores (2Samuel 11,1-5 Ezequiel 24,15-18 Eclesiástico 36,23-27 Provérbios 5,15-18 Provérbios 12,4 Provérbios 31,10-31).
Certas atitudes de Cristo manifestam a vontade de libertar a mulher da sua condição (Lucas 8,1-3 Lucas 10,38-42 João 12,1-8). Assim, as mulheres vão tomando importância no Novo Testamento (1Coríntios 7,3-5 1Coríntios 11,11s; João 20,1-7 Romanos 16,1s. Romanos 16,6 Romanos 16,12 Atos 5,14 Atos 16,13-15 Filipenses 4,2s).
O Evangelho de Lucas preocupa-se por dar relevo às mulheres na vida de Cristo (Lucas 7,36-50 Lucas 8,1-3 Lucas 10,38-42 Lucas 18,1-6).
Proclama-se a igualdade radical entre homem e mulher (Gálatas 3,28 Gênese 1,27), contudo, mesmo no Novo Testamento,em alguns aspectos, a mulher é vista à luz da sociologia judaica (1Coríntios 11,2-12 1Coríntios 14,34s; 1Timóteo 2,11s).

MUNDO
A palavra tem várias significações:
O universo, ou cosmo (Salmo 24,1). A idéia que os escritores bíblicos tinham do mundo era a dos homens de seu tempo. Concebiam-no como uma casa com três divisões: uma gruta o Xeol ; um rés-do-chão -a terra firme, morada do homem, colocada sobre o grande abismo (1Samuel 2,8 1Crônicas 16,30 Salmo 24,2 Jó 38,4), apoiada em quatro colunas (1Samuel 2,8 Isaías 24,18 Isaías 40,21 Jeremias 31,37 Miquéias 6,2 Salmo 18,16 Jó 9,6), e coberta pela abóbada do firmamento (Gênese 1,14-18) no qual Deus dependurou as estrelas (Gênese 1,16 Josué 10,12s; Eclesiástico 46,4) e sobre o qual havia um mar de águas doces (Gênese 7,11 Gênese 8,2 Isaías 24,18 Malaquias 3,10); um primeiro andar -o céu, a morada de Deus.
O judaísmo distingue o mundo presente, sujeito à corrupção, ao pecado (Isaías 13,11-13 João 14,27 1Coríntios 1,20s), e o mundo vindouro que corresponde ao reino de Deus (João 13,1 João 16,28 1Coríntios 6,2).
Mundo é também tudo que se opõe a Deus e a Cristo (João 1,10 Efésios 2,2). Deus, porém, ama o mundo e enviou seu Filho para salvar a todos que nele crerem (João 3,16).





DICIONÁRIO BÍBLICO - LETRA N

NABATEUS
Grupo de tribos do deserto, apegadas à vida nômade, talvez descendentes dos recabitas (Jeremias 35,1-11). Após a destruição de Jerusalém viviam espalhados na região de Petra, ao sul do mar Morto. Mantinham caravanas de comércio entre a Arábia, a Mesopotâmia e o Mediterrâneo. São mencionados várias vezes nos livros dos Macabeus. Quando S. Paulo fugiu de Damasco, Aretas, um rei nabateu, controlava a cidade (2Coríntios 11,32).

NAÇÕES
O termo no plural designa os povos pagãos (ou os gentios), que não fazem parte do povo eleito, judeu ou cristão (Deuteronômio 7,6 Jeremias 10,25 Mateus 4,15 1Coríntios 5,1 1Pedro 2,12). Ver "Gentio".

NAZIREU
Pessoa consagrada a Deus. Em virtude desta consagração, tanto a mãe, durante a gestação, como o futuro nazireu deviam abster-se de certos alimentos e bebidas, ou de cortar o cabelo (Juízes 13,4s). Sansão (Juízes 13,4-7 Juízes 16,17), Samuel (1Samuel 1,11) e João Batista (Lucas 1,15) eram nazireus. O nazireato foi institucionalizado e regulamentado por lei (cf. Números 6,1-21 e nota). No Novo Testamento S. Paulo, junto com outros cristãos, faz um voto temporário de nazireato (Atos 18,18 Atos 21,23-26).

NECROMANCIA
Ou evocação dos mortos, é uma prática que supõe a possibilidade de entrar em contato com os mortos e de esses poderem comunicar mensagens do além, a até de aconselhar os vivos em problemas difíceis. A prática era conhecida na Mesopotâmia, no Egito e em Canaã. Apesar da proibição (cf. Levítico 19,31 e nota), Saul recorreu à necromancia (cf. 1Samuel 28,7-10) e foi por isso punido (cf. 1Crônicas 10,13 e nota). Ver "Espiritismo".

NEFTALI
Filho de Jacó e Bala, escrava de Raquel (Gênese 30,7s), antepassado da tribo de Neftali (cf. 29,31-30,24 e nota), localizada na região mais tarde chamada Galiléia (Josué 19,32-39 Mateus 4,15).

NEGUEB
Deserto localizado ao sul da Palestina (Deuteronômio 1,7).

NEOMÊNIA
Ver "Lua Nova".

NOIVO
No Antigo Testamento o noivo, ou seu pai, tinha que pagar o preço da noiva (mohar em hebraico) ao pai da noiva ou ao seu substituto (Gênese 34,12 Êxodo 22,15s; 1Samuel 18,25). Este preço podia constar de uma prestação de serviços (Gênese 29 1Samuel 17,25 2Samuel 3,14) ou ser pago com animais (Gênese 30,25-41). A partir deste momento o noivo tornava-se de direito o "senhor" (baal) da noiva. Ver "Esposo", "Matrimônio".

NOME
Na concepção antiga o nome não apenas distingue uma pessoa da outra, mas exprime seu caráter fundamental, sua personalidade, sua missão neste mundo (Gênese 3,20 Mateus 1,21 Mateus 1,23). O nome vale pela pessoa; onde está o nome, está a pessoa (Jeremias 14,9). Mudar o nome de alguém é mudar a sua vocação (Mateus 16,16-18). Dar nome a alguém é exercer certo poder sobre ele (Gênese 2,19-21). Pronunciar o nome de Deus sobre alguém é garantir-lhe a proteção divina (Números 6,27). Invocar o nome de Deus é prestar-lhe culto (Gênese 4,26 Gênese 12,8), pois o nome de Deus significa o próprio Deus. Por isso Deus "age por causa de seu nome" (Ezequiel 20,14) e o pecado pronafa o seu nome (Levítico 18,21). Por respeito ao nome de Deus Javé (= Senhor em nossa Bíblia), os israelitas não o pronunciavam e liam Senhor (escrito Adonai em hebraico) em vez de Javé .
O nome de Jesus é usado e pronunciado com respeito pelos cristãos (Atos 3,6 Colossenses 3,17 Filipenses 2,10). O cristão se persigna "em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo"e reza no Pai-Nosso: "Santificado seja o vosso nome".

NOVO TESTAMENTO
Ver "Aliança", "Testamento".

NÚMEROS
Oséias números na Bíblia, além de seu valor aritmético exato, têm um valor simbólico. Assim, por exemplo, sete significa um número elevado (sete dias, sete anjos, sete demônios, perdoar sete vezes); 12 (tribos, apóstolos); 40 (dias de chuva, de oração no Sinai, de jejum de Jesus, dias da Ascensão). Muitas vezes os números elevados na Bíblia são fruto do exagero, próprio dos orientais (cf. Números 1,21 Juízes 16,27), para dar importância aos fatos.

NUVEM
Em muitas religiões as nuvens pertencem à esfera do divino. Por isso são elemento integrante das teofanias ou aparições divinas. A coluna de nuvens é a presença divina que acompanha e protege os israelitas na saída do Egito (Êxodo 13,21). Nuvens envolvem o monte Sinai (Êxodo 19,16) e uma nuvem envolve a tenda da reunião (Números 9,15-23 e nota), a cena da transfiguração e a da ascensão de Jesus (Lucas 9,34 Atos 1,9). Quando Cristo voltar, na segunda vinda, virá sobre as nuvens do céu (Marcos 14,62).





DICIONÁRIO BÍBLICO - LETRA O

OBEDIÊNCIA
Obediência de Cristo (Lucas 2,1-5 João 4,34 João 5,30 João 6,38 Romanos 5,19 Filipenses 2,5-12 Hebreus 5,8s).
Obediência dos cristãos (Mateus 7,24 Mateus 17,5 Lucas 10,16 Atos 4,19 1Pedro 1,22 Filipenses 2,3-5 Atos 5,29 Romanos 1,5 1Pedro 5,5s; Colossenses 3,22-25).

OBLAÇÃO
Ver Levítico 2,1 e nota.

OBLATOS
Ver NM 3,6-10 e nota.

OBRA
No Antigo Testamento obras de Deus são a criação (Salmo 104) e sua revelação, enquanto ele elege o homem e age em sua história. No Novo Testamento Jesus cumpre as obras do Pai, que são os milagres e a salvação dos homens (Mateus 11,2-19 João 17,4). As obras de Jesus revelam o Pai (João 14,9s).
As obras do ser humano podem ser boas ou más e se revelam pelo confronto com Cristo (João 3,19-21 Efésios 5,6-14). O que salva e justifica o homem não são as boas obras que pratica, mas a fé em Jesus Cristo (Romanos 3,27s; Gálatas 2,16). Mas a fé sem as obras é morta (Gálatas 5,14 1Tessalonicenses 1,3 Tiago 2,14-26).

OCEANO
Ou "Oceano primordial", "abismo (das águas)"é a massa de águas que, segundo a cosmologia antiga, envolve a terra seca, e está debaixo da terra e acima da abóbada celeste. No dilúvio foram abertas as fontes que controlam as águas das profundezas e as comportas do firmamento do céu (Gênese 7,11). Mas o Criador, que habita acima das águas, pôs um limite para que as águas não voltassem a ameaçar as criaturas (Gênese 9,11 Salmo 104,3-9).
O Oceano, portanto, não é mais aquela força que nos mitos da Mesopotâmia (tiamat ) se opõe a Deus: "Tudo quanto o Senhor quis ele o fez no céu e na terra, nos mares e em todos os oceanos" (Salmo 135,6). Ele controla a fúria do Oceano, punindo os inimigos e salvando o seu povo (Êxodo 15,5 Êxodo 15,8). Ver "Abismo".

OLHOS
São o espelho da alma (Eclesiástico 13,25 Eclesiástico 31,13 Mateus 6,22 Lucas 11,34). É preciso dominá-los (Jó 31,1 Salmo 119,37 Mateus 5,28s).
Exemplos (Gênese 3,6 Gênese 39,7 2Samuel 11,2-5 Judite 10,17-19 Judite 12,15 Daniel 13,8).

OPERÁRIOS
Submissão (Mateus 8,9 Romanos 13,5 Efésios 6,5-8 1Tessalonicenses 4,11 1Timóteo 6,1s; 2Timóteo 2,24 Tito 2,9s; 1Pedro 2,18s. -O prêmio do operário (Eclesiástico 10,27 Lucas 12,43 Colossenses 3,22-24 2Tessalonicenses 3,10 1Pedro 2,18 s). -Devem defender seus direitos com prudência (Eclesiástico 8,1-4 1Coríntios 6,1-9 1Timóteo 6,8 Tiago 4,1). -O sofrimento dos trabalhadores injustiçados é grande (Jó 24,1-12 Eclesiastes 4,1-6 Miquéias 1,1s; Amós 2,6-8). Ver "Patrões".

ORAÇÃO
Algumas orações do Antigo Testamento (Gênese 18,23-33 Êxodo 15,1-18 Números 14,13-19 1Samuel 1,11 1Samuel 2,1-10 2Samuel 7,18-29 1Crônicas 16,8-36 1Crônicas 29,10-20 1Reis 8,23-53 2Reis 19,15-19 Esdras 9,6-15 2Macabeus 1,24-29 Tobias 3,1-6 Tobias 3,11-15 Tobias 8,7-10 Tobias 13,1-18 Judite 9,2-18 Est 4,12-30 Jeremias 17,12-18 Jeremias 20,7-18 Jeremias 32,7-15 Daniel 3,26-45 Daniel 3,52-90 João 2,3-10 Habacuc 3,1-19).
Oração de Jesus (Lucas 3,21 Lucas 5,16 Lucas 6,12 Lucas 9,29 Lucas 11,1 Lucas 22,32 Marcos 1,35 Marcos 6,46 Mateus 14,23 Mateus 26,36-46 João 11,41s; João 17,1-26). Jesus ensinou a orar (Lucas 11,1-13 Lucas 18,9-14 Mateus 6,5-13 Mateus 7,7-11 Mateus 18,20).
Oração da Igreja primitiva (Atos 2,42-47 Atos 4,23-31 Atos 12,5 Atos 16,25 Romanos 1,9 1Coríntios 14,13-19 1Tessalonicenses 1,2 2Timóteo 1,3 Efésios 5,20).
Oração de louvor (Salmo 34,2 Salmo 117,1 Daniel 3,51s; Lucas 19,37s).
Oração de agradecimento (Salmo 107,1 Efésios 5,20 Colossenses 3,7 1Tessalonicenses 5,18).
Oração de petição (2Coríntios 1,11 Colossenses 1,9 1Tessalonicenses 1,2 1Tessalonicenses 5,25).
Oração por si, sobretudo no sofrimento (Salmo 50,15 Salmo 120,1 Mateus 21,22 Tiago 5,13).
Pelas autoridades e superiores (Atos 12,5 Efésios 6,19 1Timóteo 2,1-3 Hebreus 13,18).
Por todas as pessoas, sem distinção (Mateus 5,44 Lucas 6,28 Efésios 6,18 1Timóteo 2,1).

ORÁCULO
É a resposta recebida da divindade a uma consulta que o fiel fazia através de um sacerdote, profeta ou vidente (Deuteronômio 33,8 1Samuel 9,9 1Samuel 28,6), sobre o futuro ou o êxito de alguma iniciativa. A expressão "oráculo do Senhor", freqüente nos livros proféticos, caracteriza o discurso em primeira pessoa, ou pronunciamento de Deus, do qual o profeta é o porta-voz junto ao povo. Ver "Palavra".

ORDÁLIO
Rito para provar, na falta de testemunhas, a inocência ou a culpa de uma pessoa. Ver "Ciúme"e Êxodo 32,20 e Números 5,11-31.

ORDENS SACRAS
Instituídas por Cristo (Lucas 22,19); são conferidas pela imposição das mãos (Atos 6,6 Atos 13,1-3 Atos 14,22); conferem graças (1Timóteo 4,14 2Timóteo 1,6).

ORGULHO
É o pecado de Adão (Gênese 2,17 Gênese 3,3-6 Romanos 5,19).
O orgulho insinua-se nas pessoas de todas as classes sociais (Deuteronômio 17,12-20 Deuteronômio 18,20 Deuteronômio 32,15 Oséias 13,5s; Amós 3,10-15 Miquéias 3,9-11 Isaías 3,16s; Jeremias 5,27s). O orgulho é o pecado capital dos pagãos (Isaías 10,13s; Gênese 11,4-8 So 2,15).
O Anticristo é a personificação do orgulho contra Deus (1Macabeus 1,59-61 1Macabeus 2,49 Daniel 8,11 Daniel 9,27 Daniel 11,31 2Tessalonicenses 2,4 1João 2,18 Apocalipse 12-13 Apocalipse 17 Apocalipse 20).
O orgulho é natural ao homem (2Timóteo 3,2 Marcos 7,22 Marcos 10,37 Lucas 18,11 1João 2,16); mas este deve vencê-lo pondo-se ao serviço dos irmãos (João 13,12-17 Lucas 1,48 1Pedro 5,5 Tiago 4,6).





DICIONÁRIO BÍBLICO - LETRA P

PACIÊNCIA
A paciência de Deus é um aspecto do seu amor (Êxodo 34,6 João 4,2 Joel 2,13). O nosso Deus é um Deus de paz, de paciência, de consolação e de esperança (Romanos 15,5 Romanos 15,13 Romanos 15,33).
Àqueles que se maravilham da demora da parusia, Pedro responde que Deus é paciente porque espera a conversão dos pecadores (2Pedro 3,4-9 1Pedro 3,20 Romanos 11,25-27). A paciência de Deus faz parte da sua pedagogia (Hebreus 12,5-7 Tiago 1,12 Romanos 5,3s; Romanos 15,4).
A paciência é uma virtude humana (Jó 2,10 Provérbios 3,11 Provérbios 14,29 Eclesiástico 2,13s) e cristã (Hebreus 12,1 Romanos 12,12 Tiago 1,2-4 2Coríntios 1,6 1Pedro 2,19s; 2Timóteo 2,10-12), que favorece a convivência com o próximo (Provérbios 19,11 1Tessalonicenses 5,14 1Pedro 3,14-17).

PADRE
Ver "Sacerdote".

PÃES DA PROPOSIÇÃO
Ou "pães sagrados"são os pães oferecidos cada sábado a Deus. Eram colocados sobre uma mesa de ouro, que estava no recinto do templo (cf. Números 4,7). Só os sacerdotes os podiam comer (Êxodo 25,30 e nota; Levítico 24,5-9 1Samuel 21,2-7 Marcos 2,26).

PAGÃO
Do latim paganus, "camponês", o que vive nas vilas do interior. Nome dado aos não-cristãos que tiveram de retirar-se para o interior em conseqüência da expansão do cristianismo no mundo romano. Na Bíblia "pagão"designa o não-judeu (Mateus 5,47 Mateus 6,7), chamado também gentio, em oposição ao povo eleito. Mesmo desconhecendo a Deus (Gl 2,14s) os pagãos são guiados por ele (Isaías 45,14-25 Mateus 8,10 Atos 14,16) e chamados à fé (Romanos 9-11). Ver "Grego".

PAI
Pai terreno: A autoridade paterna é protegida pelo decálogo (Êxodo 20,12 Deuteronômio 5,16). Rebelar-se contra o pai, maldizê-lo ou bater-lhe eram crimes castigados com a morte (Êxodo 21,15-17 Deuteronômio 21,18-21). A literatura sapiencial insiste no respeito aos pais (Eclesiástico 3,1-16 Tobias 4,3-5 Provérbios 1,8 Provérbios 4,1 Provérbios 6,20). Oséias pais, por sua vez, têm obrigações para com os seus filhos: devem amá-los (1Samuel 1,11-20 Mateus 7,9 Lucas 11,11 Tito 2,4); devem educá-los (Deuteronômio 6,20s; Deuteronômio 32,46 Daniel 13,3); vigiá-los (Eclesiástico 26,10s; Eclesiástico 42,9-11 1Timóteo 5,8); castigá-los (1Samuel 3,13 Provérbios 13,24 Provérbios 22,15 Provérbios 23,13s; Eclesiástico 42,5), mas sem ira (Provérbios 19,18s; Eclesiástico 20,2 Colossenses 3,21 Efésios 6,4); devem dar-lhes o bom exemplo (Ezequiel 16,44 2Macabeus 6,28 2Macabeus 7,20-22 2João 1,4).
Jesus confirmou o sentido do quarto mandamento (Marcos 7,10-13 Marcos 10,19 Mateus 15,4-7).
As exigências do amor de Deus podem levar a renunciar ao amor paterno (Mateus 8,21s; Mateus 10,37 Mateus 19,29 Lucas 9,59s; Lucas 14,26).
Deus-Pai: No Antigo Testamento raramente se aplica a Deus o nome de Pai (Deuteronômio 32,6s; 2Samuel 7,14 Salmo 89,27 Eclesiástico 51,10). Jesus fala com freqüência de "vosso Pai", "teu Pai", "vosso Pai do céu" e chama a Deus pelo nome de "Pai": quando anuncia o Reino de Deus (Mateus 13,43 Mateus 20,23 Mateus 25,34 Lucas 12,32); quando se refere à ação do Espírito (Mateus 10,20), ao conhecimento de Cristo (Mateus 16,17), à oração (Mateus 18,19), à recompensa (Mateus 6,1); quando insiste na Providência do Pai (Mateus 6,26-32 Mateus 10,29 Lucas 12,30).
Cristo dá a Deus o nome de Pai (Mateus 5,16 Mateus 5,45 Mateus 5,48 Mateus 7,21 Mateus 11,25 Mateus 24,36 Lucas 10,22 Marcos 13,32). Revela a Deus como seu próprio Pai (Marcos 14,36 Mateus 7,21 Mateus 11,27 Mateus 16,27 Mateus 26,39 João 2,16 Lucas 2,49).
Para Paulo Deus é o "nosso Deus e Pai" (1Tessalonicenses 3,13 2Tessalonicenses 2,16 1Coríntios 1,3 2Coríntios 1,2 Gálatas 1,3 Gálatas 4,6 Efésios 1,2 Colossenses 1,12s; Romanos 8,15).
João penetra mais no sentido da paternidade divina ao dizer que o homem é "gerado por Deus" (João 2,16 João 3,3).

PALAVRA
Na Bíblia, "palavra" não é apenas a manifestação do pensamento ou da vontade, mas é algo concreto que continua existindo, carregado com a força da pessoa que a pronuncia. Assim, a bênção pronunciada sobre Jacó não podia ser revogada (Gênese 27,35-37) e a maldição proferida por Josué (Josué 6,26) ou pelos gabaonitas (cf. 2Samuel 21,1-14) continua agindo muito tempo depois (1Reis 16,34).
A Palavra de Deus é eficaz na criação (Gênese 1,1s; Salmo 147,15-18 Mateus 8,24-27 Jó 36,5-13 Isaías 44,26-28 Isaías 55,11 Cântico dos Cânticos 18,14-19).
A palavra é simbolizada no pão que um dia se converterá no pão da Eucaristia (Amós 8,11 Êxodo 16,4-15 Deuteronômio 8,3 Mateus 4,3s; João 6,28-51).
Cristo é a Palavra encarnada (João 1,1s; João 8,31-47 1João 1,1 Apocalipse 19,11-16 Marcos 13,31), que continua a atuar na Igreja (Atos 4,29-31 Filipenses 1,12-14 Hebreus 13,7-9 Lucas 10,16 2Coríntios 2,14-16 2Timóteo 4,1-5).
O mutismo dos profetas prova que Deus já não está com o seu povo (1Samuel 3,1 Isaías 28,7-13 Amós 8,11s). A abundância da Palavra é sinal da presença dos tempos messiânicos (Joel 3,1s; Atos 2,1-4). Por isso, se desata a língua de Zacarias e Cristo faz ouvir os surdos e falar os mudos (Lucas 1,64-67 Lucas 11,14-28 Mateus 9,32-34 Mateus 12,22-24 Marcos 9,17-27).

PÃO
Ver "Eucaristia".

PAPA
Ver "Pedro".

PAPIRO
Ver "Manuscrito", "Códice".

PARÁBOLA
É o desenvolvimento de uma comparação de dois termos, resultando numa narrativa. Por exemplo, a comparação "A palavra de Deus é como a semente" foi desenvolvida na parábola do semeador. A parábola é uma historieta inventada, mas baseada em fatos corriqueiros da vida. Como na comparação, assim também na parábola os termos devem ser tomados no sentido próprio. Na parábola, porém, o confronto não se verifica entre dois termos, e sim entre duassituações. É desse confronto que se deve tirar o ensinamento, fim principal da parábola.
Parábolas de Jesus:
Administrador infiel: Lucas 16,1-13.
Amigo importuno: Lucas 11,5-8.
Avarento insensato: Lucas 12,16-21.
Bodas do filho do rei: Mateus 22,1-14.
Bom Pastor: João 10,1-16.
Bom samaritano: Lucas 10,30-37.
Casa sobre rocha: Mateus 7,24-27 Lucas 6,47-49.
Cem moedas de prata: Lucas 19,11-26.
Dez virgens: Mateus 25,1-13.
Dois devedores: Lucas 7,41s.
Fariseu e o cobrador de impostos: Lucas 18,9-14.
Fermento: Mateus 13,33 Lucas 13,20s.
Figueira estéril: Lucas 13,6-9.
Filho fingido: Mateus 21,28-32.
Filho pródigo: Lucas 15,11-32.
Grande ceia: Lucas 14,16-24.
Grão de mostarda: Mateus 13,31s; Marcos 4,30-32 Lucas 13,18-21.
Grão de trigo: João 12,24.
Joio entre o trigo: Mateus 13,24-30 Mateus 13,36-43.
Juiz iníquo: Lucas 18,1-8.
Lavradores homicidas: Mateus 21,33-46 Marcos 12,1-12 Lucas 20,9-19.
Moeda perdida: Lucas 15,8-10.
Ovelha extraviada: Mateus 18,12-14 Lucas 15,1-7.
Pai de família: Mateus 13,52.
Pérola preciosa: Mateus 13,45s.
Rede de pesca: Mateus 13,47-50.
Rei que vai guerrear: Lucas 14,31-33.
Rico avarento e o pobre Lázaro: Lucas 16,19-31.
Roupa velha: Mateus 9,16 Marcos 2,21 Lucas 5,36.
Semeador: Mateus 13,1-9 Mateus 13,18-23 Marcos 4,3-20 Lucas 8,4-15.
Semente que cresce: Marcos 4,26-29.
Servo cruel: Mateus 18,23-35.
Servos inúteis: Lucas 17,7-10.
Servos vigilantes: Mateus 24,42-51 Lucas 12,35-48.
Talentos: Mateus 25,14-30.
Tesouro no campo: Mateus 13,44.
Torre a ser construída: Lucas 14,28-30.
Trabalhadores na vinha: Mateus 20,1-16.
Videira e ramos: João 15,1-8.
Vinho novo: Mateus 9,17 Marcos 2,22 Lucas 5,37-39.

PARÁCLITO
Significa "advogado", "consolador". Termo com que João designa o Espírito Santo e sua função em relação a Cristo e na Igreja (cf. João 14,16 e nota).

PARAÍSO
Termo grego que traduz o hebraico "jardim do Éden", ou de delícias. É o símbolo da alegria e da felicidade (Gênese 2,15), da morada da divindade (Ezequiel 28,12-19). No Novo Testamento é o lugar onde se espera viver a felicidade eterna com Deus (2Coríntios 12,4 Apocalipse 2,7). Para o judaísmo era o lugar onde ficavam os mortos à espera da ressurreição (Lucas 16,23 Lucas 23,43). Ver "Éden".

PARTICIPAÇÃO
Herança comum, ou sorte comum que os cristãos terão com Cristo no fim do mundo (Mateus 24,51 Lucas 10,42 João 13,8 Apocalipse 20,6 Apocalipse 21,8). Significa também ter comunhão ou parte em alguma coisa. Oséias cristãos têm parte no Evangelho (Filipenses 1,5), no Espírito (2Coríntios 2,13), na ressurreição de Cristo (1Coríntios 1,9). Esta participação na glória de Cristo supõe uma participação na sua paixão (Romanos 6,4-8 Romanos 8,17 Colossenses 2,12s; Filipenses 3,10). Pela Eucaristia o cristão entra em comunhão com o corpo do Senhor sacrificado e pelo seu sangue derramado entra em comunhão de vida com Cristo (1Coríntios 10,14-22 1Coríntios 11,17-29), garantindo para si a ressurreição no último dia (João 6,48-58).

PARUSIA
Significa a entrada solene do rei na sua capital (2Samuel 6 1Reis 1,38-53 2Reis 11,1-16).
No Antigo Testamento aparecem duas tendências: parusia futura -vinda do Rei-Messias (Zacarias 9,9s; Isaías 40,9-11); outra, recordando que é Deus o Rei de Israel, anuncia uma vinda de Deus em pessoa (Isaías 46,9-13 Isaías 52,7s; Zacarias 1,3 Zacarias 1,16 Zacarias 2,9-13 Zacarias 8,2s).
A entrada de Cristo em Jerusalém é narrada num contexto de Parusia (Mateus 21,1-11). O Batista é o arauto desta chegada (Mateus 3,11s). Cristo, porém, diz que a hora de sua manifestação não chegou (João 7,2-9 João 18,35 João 14,3).
Na linha da segunda tendência do Antigo Testamento,acima descrita, a vinda do Filho do homem é apresentada com elementos divinos (Mateus 16,27s; Mateus 24-25 Lucas 21,25-33).
Textos relativos à Parusia gloriosa (1Coríntios 1,8 1Coríntios 15,23 1Tessalonicenses 2,19 1Tessalonicenses 3,13 1Tessalonicenses 4,15 2Pedro 1,16 2Pedro 3,4 2Pedro 3,12 1João 2,28). Veja "Dia do Senhor" e a nota em 2Tessalonicenses 2,1-12.

PÁSCOA
Principal festa do judaísmo, que comemora a maravilhosa libertação dos hebreus do Egito, pela passagem do mar Vermelho (cf. Êxodo 12,1-13,16; Levítico 23,5-8 Números 9,1-14). A Páscoa cristã celebra a ressurreição de Jesus no domingo após o dia 14 de Nisã, data da Páscoa judaica (Lucas 24,1 Atos 20,7 1Coríntios 16,2 Apocalipse 1,10). É a memória do sacrifício de Jesus na cruz, a nova vítima pascal (1Coríntios 5,6-8 1Coríntios 11,26), e de sua vitória sobre a morte pela ressurreição. Ver "Festa".

PASTOR
A figura do pastor era muito familiar na Palestina e no Médio Oriente. Diariamente o pastor sai com suas ovelhas para conduzi-las às pastagens ou, em determinados momentos, às fontes. De tarde reconduz as ovelhas ao curral. Na literatura universal o pastor tornou-se a figura do guia, político ou religioso, de uma comunidade. Em Israel os reis (cf. Ezequiel 34,2-6 e nota), os sacerdotes e os profetas são chamados pastores.
Diante da infidelidade destes pastores, Deus promete ele mesmo tomar conta de seu povo, por meio do pastor fiel, o descendente de Davi (Jeremias 23,1-6). Jesus se apresenta como o bom pastor, solícito pelas suas ovelhas a ponto de dar por elas a própria vida (João 10,1-18). Após a ressurreição, Jesus constitui Pedro como pastor para tomar conta de seus discípulos em seu lugar (João 21,17).

PATRÕES
Devem usar de justiça (Levítico 19,13 Deuteronômio 5,12-14 Deuteronômio 24,12-15 Tobias 4,15 Eclesiástico 34,26-27 Malaquias 3,5 Mateus 7,2 Mateus 10,10 Romanos 4,4 Tiago 5,4); devem respeitar os direitos humanos (Levítico 25,43 Eclesiástico 4,30 Efésios 6,9 Colossenses 4,1).

PAULO
Em hebraico Saulo, é um judeu de Tarso, da tribo de Benjamim, cidadão romano de nascença (Atos 16,21 Atos 16, Atos 22,25-29 Filipenses 3,5). Perseguiu os discípulos de Jesus, mas depois converteu-se (Atos 9,1-30), tornando-se o apóstolo dos pagãos. Empreendeu três grandes viagens missionárias (Atos 13-14 Atos 15-18 Atos 19-21). A ele são atribuídas catorze epístolas, havendo dúvidas quanto à autoria de algumas, como as epístolas aos Efésios, a Timóteo, a Tito e aos Hebreus (ver as respectivas introduções ). É inegável a influência da doutrina de Paulo nos outros escritos do Novo Testamento e na vida cristã em geral.

PAZ
O conceito "paz" (xalom em hebraico) é muito rico na Bíblia. Ter paz é ser completo, inteiro; é gozar de prosperidade material e espiritual; é manter boas relações entre pessoas, famílias e povos. Paz é o oposto de tudo quanto perturba a prosperidade e as boas relações. É um dom de Deus, concedido a Israel em virtude da aliança (Números 25,12 cf. Números 6,22-26).
Quando Israel é fiel à aliança, goza de paz; quando é infiel, perde a paz, mas pode recuperá-la pela conversão (Levítico 26). Em meio a tantas guerras, os profetas anunciam a paz para os tempos messiânicos, paz entre Deus e os homens, e entre os homens e animais (Isaías 2,2-4 Isaías 9,5s; Isaías 11,6-9 Isaías 60,17s; Oséias 2,20 Amós 9,13s; Zacarias 8,9-13).
Para haver paz é preciso que haja fidelidade à aliança e justiça entre os homens (Salmo 72,3-7). Cristo veio a este mundo para trazer a paz (Lucas 2,14 Lucas 8,48 Marcos 5,25-34), e reconciliar os homens com Deus (João 14,27 Filipenses 4,4-9 Efésios 2,14-17). Unindo-se a Cristo, o homem participa desta paz (1Pedro 5,14). Por isso o cristão deve não só desejar aos outros esta paz (Lucas 10,5), mas promovê-la efetivamente (Mateus 5,9).

PECADO
O primeiro conceito de pecado está ligado à violação de um tabu (Josué 7,24-26 Josué 9,20 1Samuel 15,3-32 2Samuel 1,14s; 2Samuel 6,1s).
No Antigo Testamento o pecado está ligado à relação do homem com Deus. O pecado implica em infidelidade à aliança, em traição ao amor de Deus, em separação da comunidade. Para Jesus, pecador é quem não observa a vontade de Deus expressa pela Lei (Mateus 9,13 Mateus 19,17-29). Jesus denuncia o pecado, mas é amigo dos pecadores (Mateus 11,19 Lucas 15,1s) e lembra que Deus está pronto a perdoar (Lucas 11,4 Lucas 15,1-34 Lucas 18,13).
O pecado é a tentação do ser humano de dominar a Deus (Gênese 3,1-19 Eclesiástico 3,26-29 Eclesiástico 10,12s; Jó 21,14-16 Jó 22,17s; 1Samuel 2,1-10).
O pecado é uma desobediência a Deus, um atentado contra o amor de uma pessoa (Deuteronômio 11,16 Daniel 9,5-9 Isaías 50,1 Oséias 2,4-9 Jeremias 3 Ezequiel 16 Tiago 4,4-10).
Paulo descreve a origem do pecado, mal que aflige a humanidade toda (Romanos 1-5), mas que encontra o remédio na redenção operada por Cristo (Romanos 6-8). O pecado para ele é uma escravidão à Lei e ao mundo (Romanos 6,6 Romanos 7,5-23 Gálatas 4,3). Mas pela fé em Cristo e pela prática do amor ao próximo o cristão fica livre de todo pecado (Romanos 13,8-10 1Coríntios 13,4-7).
Para João, o pecado por excelência é o "príncipe deste mundo" (João 3,19-21 João 8,44 João 16,11).
Do coração procede todo o pecado (Êxodo 20,17 Jó 31,4-37 Mateus 12,33-37 Mateus 15,19s).
Cristo veio por causa dos pecadores, não por causa dos justos (Lucas 12,1s; Lucas 5,32 Lucas 19,1-10 Mateus 9,1-13).
Pecado original (Gênese 3,1-24 Gênese 11,1-9 Romanos 5,12-21 1Coríntios 15,21s; Romanos 3,23).

PEDRO
Recebe um novo nome que significa a sua nova função (João 1,41s; Mateus 16,17s).
Ocupa o primeiro lugar como rocha da Igreja (Lucas 6,14 Lucas 8,45 Lucas 9,32s; Lucas 12,41 Mateus 16,13-20 João 21,15-17). É a primeira testemunha da ressurreição (Atos 1,15-20).
Pedro faz-se missionário (Atos 8,14-25 Atos 9,32-10,48 Gálatas 2,8).
Oséias milagres proclamam a sua ação messiânica (Atos 3,1-8 Atos 9,31-43).
Predição, pecado e arrependimento de Pedro (Mateus 26,30-35 João 13,36-38 João 18,15-27 Mateus 26,69-75 Lucas 22,54-61).

PEITORAL
Peça do ornamento do Sumo Sacerdote, vestida sobre o efod. Ver Êxodo 28,15-30 e nota.

PENITÊNCIA
É metanóia -conversão -mudança de vida (2Samuel 12,14-23 Isaías 1,16-19 Joel 2,12-19 Ezequiel 18,30s; Ezequiel 33,10s; Lucas 13,4s; Lucas 24,46s; Mateus 3,2 Mateus 3,8 Mateus 11,21s; Lucas 13,3 Apocalipse 2,5 Atos 3,19 Efésios 4,20-24 1João 1,8-10).
A penitência deve ser interior (Isaías 58,5-7 Jeremias 4,4 Jeremias 9,24s; Romanos 2,29 Colossenses 2,11 Gálatas 5,6 Gálatas 6,15), mas manifesta-se também em ritos exteriores (Levítico 4-5 Levítico 16,1-19 Números 29,7-11 Lucas 5,8 Lucas 18,9).
É uma virtude: Deuteronômio 4,9 Jó 42,6 Salmo 51,10 Eclesiástico 2,18 1Coríntios 11,31 Colossenses 3,9.
O Batismo - sacramento da penitência ou da conversão: Batismo de João (Mateus 3,6 Marcos 1,4s; Lucas 3,3-14). Batismo cristão (Atos 2,38 Atos 3,19 Atos 5,31 Atos 11,18 Atos 17,30 Atos 22,16 Atos 26,20).

PENSAMENTOS
Podem ser pecaminosos (Provérbios 6,18 Cântico dos Cânticos 1,3 Zacarias 8,17 Mateus 15,19 Hebreus 4,12). É preciso evitá-los (Salmo 1,2 Salmo 39,4 Salmo 85,9 Salmo 119,92 Salmo 119,97 Romanos 1,19s).

PENTATEUCO
O termo vem do grego e significa "cinco rolos", isto é, os cinco primeiros livros da Bíblia, chamados também "Lei de Moisés" (2Crônicas 23,18) ou "Lei" (Neemias 8,2). Oséias samaritanos reconhecem apenas o Pentateuco como canônico.

PENTECOSTES
Ver "Festa".

PERDÃO
O poder de perdoar é um poder messiânico, pertence ao "Messias-Juiz" (Isaías 33,24 Jeremias 31,34 Jeremias 33,8 Ezequiel 16,63 Ezequiel 36,25-33). Está ligado ao dom do Espírito (Ezequiel 36,27 Isaías 11,1-3 João 20,19-23). É um poder do Filho do homem (Mateus 9,3-7 Lucas 7,48s; cf. s).
O perdão de Deus está subordinado à fé do pecador arrependido (Mateus 9,1-8 Lucas 5,17-26 Lucas 7,48-50 Atos 10,42s; Atos 13,38 Atos 26,18). Esta fé pode ser também a de uma comunidade (Marcos 2,2-5).
O poder de perdoar dos ministros da Igreja (Mateus 9,8 Mateus 16,19 Mateus 18,28 João 20,19-23).
Oséias cristãos devem ser portadores do perdão de Deus (Mateus 5,23-26 Mateus 6,12-15 Mateus 18,21-25 Lucas 11,4 Lucas 17,3s; 2Coríntios 2,5-11). Devem perdoar até aos inimigos (Eclesiástico 28,1-7 Mateus 5,44s; Mateus 6,12 Mateus 18,21s. Mateus 35 Lucas 6,36 Lucas 17,3 Romanos 12,17-19 Efésios 4,32 1Tessalonicenses 5,15 1Pedro 3,9 1João 2,11).

PEREGRINAÇÃO
O Êxodo  é uma peregrinação para a Terra Prometida, para o país da liberdade. As peregrinações a Jerusalém situam-se neste movimento (Salmo 48 Salmo 84 Salmo 121-122 Deuteronômio 16,16s; Lucas 2,41). Também o regresso do Exílio é previsto como uma peregrinação processional (Isaías 35,6-10 Isaías 60 Jeremias 31,12-14 Neemias 12,31-40).
A entrada dos pagãos na Igreja é descrita como uma peregrinação-procissão (cf. Isaías 60 Mateus 2,1-12).
A procissão da Arca da Aliança (1Reis 8,1-4 Salmo 131 2Crônicas 5,2-5) renova-se com a subida de Cristo a Jerusalém (Lucas 2,22-51 Lucas 19,28-38).
Lucas apresenta o ministério de Cristo como uma subida a Jerusalém (Lucas 9,51-53 Lucas 13,22 Lucas 13,33 Lucas 17,11 Lucas 18,31).
E a missão dos apóstolos é descrita como uma peregrinação da Palavra, de Jerusalém a Roma (Atos 1,8 Atos 8,1 Atos 10,1-48 Atos 11,19-21 Atos 13,1-51 Atos 27,1s; Atos 28,30-31).
Também João constrói o seu Evangelho sobre as "subidas"de Cristo a Sião (João 2,13 João 5,1 João 7,1-10 João 10,22s; João 12,12). Mas, na sua última peregrinação Cristo deixa a cidade, caminhando para a Cruz (João 19,16s).
A meta da nossa peregrinação é a Jerusalém celeste, onde Cristo está ressuscitado (Apocalipse 7,1-11 1Pedro 2,11s; Hebreus 11,8-16). Por isso, Cristo e o cristianismo são "caminho" (João 14,4-6 Atos 9,2 Atos 19,9 Atos 19,23 Atos 22,4 Atos 24,22).

PERFEIÇÃO
No AT: Gênese 17,1 Levítico 11,44 Levítico 19,2 Levítico 20,7 Levítico 20,26 Números 15,40 Deuteronômio 7,6 Deuteronômio 18,13 Josué 24,14.
A perfeição dos escribas e fariseus estava no cumprimento da Lei (Salmo 119 Jó 1,1 Lucas 1,6 Lucas 18,9-14 João 5,44 Romanos 10,3s; Gálatas 3,10s).
A perfeição cristã está no amor que é Deus em Cristo (Mateus 5,48 Lucas 6,36 Colossenses 3,14 1Coríntios 11,1 Filipenses 2,5-8 1Tessalonicenses 4,1-4 1Pedro 2,21-25 1Pedro 3,18 1João 3,24).

PERGAMINHO
Pele de cabra, ovelha ou de outro animal, que é raspada e polida para servir de material de escrita. O método de preparar o pergaminho foi inventado e aperfeiçoado na Ásia Menor, graças a um boicote. O rei de Pérgamon (hoje Bérgama, na Turquia), Ecumênio II (197-159 a.C.), queria fazer da biblioteca real de 200.000 manuscritos a maior biblioteca do mundo. Diante destes esforços, o rei do Egito boicotou a exportação de papiro, para salvaguardar a primazia cultural de Alexandria. O novo material de escrita inventado em Pérgamon foi chamado "pergaminho". Em razão de sua durabilidade difundiu-se no mundo greco-romano. Oséias mais antigos códices da Bíblia são de pergaminho. Ver "Manuscrito".

PERSEGUIÇÃO
É a sorte dos profetas (1Reis 19,1-18 Jeremias 13-18 Isaías 28,9s; Lucas 11,49s; Mateus 22,6s; Mateus 23,34-39 Atos 7,51s).
Cristo é o Servo de Javé perseguido (Isaías 53 Salmo 69 Mateus 2,13-21 Marcos 3,6 Marcos 3,22 Lucas 4,28-30 João 11,47-54 João 16,1-4 Marcos 14,43-15,47; Atos 8,26-35).
A perseguição é um exercício expiatório da Igreja (Filipenses 3,10 Romanos 8,17 1Pedro 4,13); é a glória dos discípulos de Cristo (Mateus 5,10-12 Mateus 10,17-22 Romanos 8,35 1Coríntios 4,12 2Coríntios 4,9 2Coríntios 12,10 2Timóteo 3,12).

PERSEVERANÇA
A perseverança bíblica é a confiança em Deus e resistência ao mal (Salmo 25,2 Eclesiástico 22,18 Tg 5,10s).
O justo persevera, esperando a intervenção de Deus (Jó 6,8-13 João 15,31 Mateus 24,13 Marcos 13,13).
Perseverança nas boas obras (2Crônicas 15,7 Eclesiástico 2,16 Eclesiástico 5,11s; Ezequiel 33,18 1Coríntios 15,58 2Tessalonicenses 2,2 2Tessalonicenses 3,13 Tiago 1,8).
Perseverança na fé (Atos 14,21s; 1Coríntios 16,13 Efésios 4,14 1Timóteo 1,19 Hebreus 10,38).
Perseverança na vocação (Provérbios 27,8 Eclesiástico 11,23s; 1Coríntios 7,20 Hebreus 3,14 Hebreus 10,23).
Perseverança na graça especial (1Coríntios 1,8 Efésios 6,10 1Tessalonicenses 5,24).
Prêmio da perseverança (Mateus 10,22 Romanos 2,6s; 1Timóteo 3,16 Apocalipse 2,10 Apocalipse 3,21).

PLENITUDE
A vinda de Cristo constitui a plenitude dos tempos (Gálatas 4,4 Efésios 1,10).
Pela sua ressurreição, Cristo torna-se Cabeça da Igreja e do Universo (Colossenses 1,15-19 Colossenses 2,9-15 1Coríntios 15,20s; Efésios 5,25 Colossenses 2,9 João 1,14).
A Igreja é a plenitude de Cristo (Efésios 1,22s; 1Coríntios 12,6 1Coríntios 15,28 Colossenses 3,11).
Oséias carismas, a fé e a caridade tornam os cristãos participantes da plenitude de Cristo (Efésios 4,11-13 Efésios 1,17-19 Efésios 3,17-19 Efésios 4,10-13).
A caridade é a plenitude de todas as virtudes (Romanos 13,8-10 Efésios 1,10 Colossenses 3,14).

POBRE
"Pobre" na Bíblia traduz o termo grego ptochós que, por sua vez, é a tradução de vários termos hebraicos com conotações diferentes. Pobre pode significar alguém que é dependente, está a serviço, perdeu a propriedade fundiária por causa da injustiça e opressão; é também o fraco, sem peso social, o mendigo, o sem-teto, o indigente. O orante, nos salmos de lamentação individual, apresenta-se como "pobre e miserável", isto é, injustiçado por sua fidelidade a Deus e totalmente dependente de Deus, a quem implora auxílio.
Em Israel a propriedade tinha um fim eminentemente social. Por isso, a pobreza prolongada é vista como fruto da injustiça, uma desobediência a Deus que leva à falência da sociedade. O único proprietário da terra é Deus. Por isso o latifúndio de alguns, à custa da miséria de outros, é intolerável.
Para combater a pobreza e a ganância, criaram-se leis sociais humanitárias:
1. a libertação, no sétimo ano, dos israelitas que caíram em servidão por causa de dívidas (Êxodo 21,2);
2. no sétimo ano a terra não era cultivada pelos donos e as colheitas pertenciam aos pobres (Êxodo 23,10s);
3. proibia-se a opressão e exploração dos pobres (Êxodo 22,22-26);
4. condenava-se a manipulação da lei em prejuízo dos pobres (Êxodo 23,6-9).
O próprio Deus se apresenta como defensor dos pobres e oprimidos, ele que libertou Israel da opressão do Egito (Êxodo 22,21s; Êxodo 23,9).
Oséias profetas Amós (Amós 2,7 Amós 4,1 Amós 5,11 Amós 8,4), Isaías (Isaías 3,14s; Isaías 5,8s; Isaías 10,2) e Miquéias (Miquéias 2,2 Miquéias 3,2-4) denunciaram a opressão dos pobres e miseráveis, pecado que levou à ruína do reino de Judá (Ezequiel 22,29).
No Novo Testamento a mensagem de Jesus se dirige especialmente aos pobres (Mateus 11,5 Lucas 4,18). Chama-os de "bem-aventurados" (Mateus 5,3 Lucas 6,20), mas critica os ricos satisfeitos com sua riqueza (Lucas 6,24-26 cf. Tiago 2,2-7). Dos ricos exige desapego dos bens e o uso social dos mesmos (Marcos 10,17-27 cf. Lucas 19,8). No juízo final o cristão será julgado pela maneira como tratou os pobres e necessitados (Mateus 25,31-46 Tiago 2,13). Ver "Ano Jubilar".

POBREZA EVANGÉLICA
Natureza: Mateus 10,9 1Coríntios 7,29-31; Filipenses 3,8 1Timóteo 6,7s; vantagens: Eclesiastes 5,14 Eclesiástico 20,21 Mateus 19,21-24 Lucas 6,20 Lucas 14,33 Lucas 18,28-30 1Coríntios 9,25; exemplos: Lucas 5,11 Atos 2,44s; Atos 4,32-35 2Coríntios 6,10.

PÔNCIO PILATOS
Foi governador (procurador) romano da Judéia do ano 26 a 36 d.C.. Pelo fato de ter usado do dinheiro do templo para construir um aqueduto (adutora), e pela violência com que reprimiu os samaritanos, acabou sendo deposto. Nos Evangelhos é conhecido como juiz no processo de Jesus (Mateus 27 João 18-19 Atos 3,13 1Timóteo 6,13).

PORTA
As cidades mais importantes eram cercadas por muralhas. A saída e a entrada da cidade eram controladas por uma ou mais portas. A porta, além de significar segurança (Salmo 87,2), tornou-se também um lugar público onde se faziam negócios, decidiam-se questões judiciais (Rute 4). Em sentido simbólico, Jesus comparou-se à porta, pois somente por ele temos acesso às realidades celestes e recebemos os dons divinos (João 10,7).

POSTES SAGRADOS
Chamados também "estacas sagradas"ou "estacas da idolatria", são símbolos de Asera, deusa fenícia da vegetação, considerada como companheira do deus da fertilidade, Baal. Em geral o seu símbolo é uma árvore verde. Na falta desta, podia ser uma estaca ou poste de madeira.

POTESTADES
Ver "Dominações".

POVO DE DEUS
A expressão "povo de Deus" está ligada à terminologia da aliança (Romanos 9,24s; Oséias 1,9 Oséias 2,25 2Coríntios 6,16 Hebreus 4,9 Hebreus 8,10 Jeremias 31,33 1Pedro 2,10 Apocalipse 18,4 Apocalipse 21,3).

PREDESTINAÇÃO
É o plano e o conhecimento prévio que Deus tem de nossa salvação: Cântico dos Cânticos 15,7 Eclesiástico 33,10-14 Mateus 20,16 Romanos 8,28-30 Efésios 1,5 2Timóteo 2,20. É um mistério: Eclesiástico 3,22s; João 15,16 Romanos 9,14s. Romanos 9,18-21 Romanos 11,5s. O conhecimento prévio que Deus tem de nossa salvação não tolhe nossa responsabilidade e deve provocar uma atitude de temor e de confiança; Eclesiastes 9,1s; João 3,16s; Romanos 11,20 1Coríntios 4,4 Filipenses 2,12 1Timóteo 2,4 1Timóteo 4,10 2Pedro 1,10.

PREGAÇÃO
A pregação neotestamentária tem três objetos centrais:
O Evangelho ou o anúncio do Reino aos pobres (Lucas 4,16-22 Lucas 4,43s, Lucas 6,20-23 Marcos 1,1 Mateus 3,2 Mateus 4,23 Mateus 11,2-6 Atos 13,32s; Isaías 40,9-15 Isaías 61,2). É o anúncio do "mistério", do plano de Deus, realizado em Cristo e na Igreja e inclui também o que Jesus disse e fez (Atos 1,1s; 1Coríntios 1,17-25 1Coríntios 15,3-5 Colossenses 1,24-29 Colossenses 4,2-4 Efésios 3,1-7 Romanos 1,1-6).
O convite à conversão e à participação no banquete messiânico (Provérbios 9,2-5 Mateus 22,2-10 Mateus 25,6 João 2,2).
O "nome" de Jesus, isto é, a sua elevação à categoria de "Senhor" (Kyrios), título obtido pela sua morte e ressurreição (Romanos 1,4s; Atos 8,12 Atos 5,41s).

PREGUIÇA
Corporal: Provérbios 6,6-11 Provérbios 12,11 Ezequiel 16,49s; 1Timóteo 5,11-13; espiritual: Mateus 21,19 Mateus 25,24-30 Hebreus 12,1-3. Ver "Trabalho".

PRESBÍTERO
Ver "Anciãos", "Ministérios".

PRETÓRIO
Residência do pretor, magistrado ou governador romano com poderes militares, encarregado dos julgamentos (Mateus 27,27 Marcos 15,16).

PRIMÍCIAS
Primeiros frutos da terra oferecidos a Deus (cf. Levítico 23,10-17 Deuteronômio 26,2s). No sentido simbólico, o termo é aplicado a Israel (Jeremias 2,3), a Jesus ressuscitado (1Coríntios 15,20 1Coríntios 15,23), aos primeiros convertidos ao cristianismo (Romanos 16,5).

PRIMOGÊNITO
Tanto a primeira cria de um animal, como os primeiros frutos das árvores deviam ser oferecidos ao Senhor no santuário, em agradecimento pelo dom da vida. A mesma lei se aplicava ao primeiro filho do casal: ele era considerado propriedade do Senhor (Êxodo 13,2 Êxodo 22,29). Mas como sacrifícios humanos eram severamente proibidos, os pais, depois de oferecer o menino no templo, o resgatavam mediante uma oferta material. Esse costume devia lembrar aos israelitas a noite do êxodo, quando Deus fez morrer os primogênitos dos egípcios, ao passo que preservou os filhos dos israelitas (Êxodo 12,29). Também Jesus, aos quarenta dias de idade, foi levado ao templo por seus pais, oferecido ao Senhor e em seguida resgatado (Lucas 2,28s; cf. Êxodo 13,12s e nota).
Ao filho primogênito cabiam os direitos de primogenitura, como dupla herança (Deuteronômio 21,17), supremacia entre os irmãos e chefia da família (Gênese 27,29 Gênese 27,40 Gênese 49,8). Mas às vezes, como no caso de Jacó e de Judá (Gênese 27,30-37 Gênese 49,4-8), este direito não foi respeitado.
Jesus é chamado "primogênito de toda criatura" (Colossenses 1,15 Hebreus 1,6) em razão da supremacia que o Pai lhe concedeu entre os homens (Romanos 8,29).

PRINCIPADOS
Ver "Dominações".

PROCURADOR
Ver "Governador".

PROFETA
É alguém que fala aos outros em nome de Deus (Deuteronômio 18,18). É um porta-voz escolhido, enviado e inspirado por Deus para fazer em seu nome pronunciamentos (Jeremias 7,25 Jeremias 25,4 2Reis 17,13), chamados oráculos, e para fazer ver a vontade divina (Amós 3,7). Por causa do conhecimento dos segredos divinos é chamado também "visionário"ou "vidente" (1Samuel 9,11 Amós 7,12 Isaías 30,10). Mas o essencial de um profeta é falar em nome de Deus e não prever o futuro ou estar sujeito a transes proféticos (cf. NM 11,25s e nota).
Em Israel houvecomunidades ou confrarias proféticas, que viviam junto dos santuários (1Samuel 19,18-24 1Reis 18,4 1Reis 18,13 1Reis 18,22 1Reis 19,10 2Reis 2,3-5 2Reis 2,15-18 2Reis 4,1 2Reis 5,22 2Reis 6,1). Eram parecidas com as dos "profetas de Baal" (1Reis 18 2Reis 10,19-25).
Houve também profetas cortesãos (1Reis 22 Jeremias 28). Estes foram freqüentemente combatidos pelos verdadeiros profetas (Miquéias 3,5 So 3,4 Jeremias 5,31 Ezequiel 13,9s).
No Antigo Testamento Deus comunicou-se com os homens por meio de Moisés e dos profetas. Nos últimos tempos falou por meio de seu Filho Jesus Cristo (João 1,1-18 Hebreus 1,1s), o profeta como Moisés (Deuteronômio 18,15 João 1,21 João 6,14 João 7,40).
Fala-se de profetas também no Novo Testamento (Atos 2,17 Atos 11,27 Atos 13,1 Atos 15,32 Atos 21,9 1Coríntios 12 1Coríntios 14,26-32 Efésios 4,11 Romanos 12,6 Apocalipse 1,3 Apocalipse 2,7 1Tessalonicenses 5,19s; 1Timóteo 1,18 1Timóteo 4,14 1Pedro 1,10).

PROMESSA
O termo não ocorre no Antigo Testamento,mas o conceito está presente. Deus promete ao homem e cumpre a sua palavra (Isaías 40,8), que é eficaz (Isaías 55,9-11). Deus prometeu numerosa descendência, uma terra e a bênção a Abraão. A Davi prometeu uma dinastia estável (2Samuel 7,5-16 1Reis 2,4), promessa atualizada pelas promessas messiânicas e escatológicas (Isaías 2,2-5 Isaías 11,1-9). As promessas, fruto da bondade e misericórdia de Deus, são garantidas por sua fidelidade.
No Novo Testamento o aspecto profético da palavra de Deus e a história do povo eleito são chamados promessa, que teve sua realização em Cristo. A promessa realizada se torna o anúncio da boa-nova (Atos 13,32). A promessa caracteriza a gratuidade dos dons divinos em oposição às obras da Lei (Romanos 4,13-21 Gálatas 3,17-22). Em Cristo as promessas divinas se tornaram um "sim" (2Coríntios 1,20 Apocalipse 3,14).

PROPICIATÓRIO
Ver Êxodo 25,17s e nota.

PROSÉLITO
Pagão convertido ao judaísmo, que se agregou ao povo judeu pela circuncisão (Mateus 23,15 Atos 2,11). Alguns prosélitos converteram-se ao cristianismo (Atos 6,5 Atos 13,43).

PROSTITUIÇÃO
Relações sexuais com mulheres, por dinheiro, não eram desconhecidas em Israel (Gênese 38,15-23 Juízes 16,1). Mas era uma prática condenada pela Lei (Levítico 19,29) e por S. Paulo (1Coríntios 6,15s). Em Canaã era comum a prostituição de homens e mulheres, que se ofereciam em santuários, nos cultos de fertilidade em honra de alguma divindade; a prática era repelida pela Lei (Deuteronômio 23,18).
Dentro do simbolismo conjugal da aliança, os profetas caracterizam como "prostituição"a conduta infiel de Israel em relação a seu Deus (cf. Cântico dos Cânticos 14,12 Oséias 4,10).

PROVIDÊNCIA DIVINA
Em geral: Salmo 104,27s; Salmo 145,15s; Cântico dos Cânticos 6,7 Mateus 6,25-30 Atos 17,28 Colossenses 1,17 1Pedro 5,7.
Em particular: Salmo 23,1 Salmo 37,23 Salmo 147,8s; Eclesiástico 17,19 Isaías 43,1s; Lucas 12,6s. Lucas 12,22-32.
Tudo acontece por vontade ou permissão de Deus: Jó 5,6 Jó 5,17s; Jó 34,21 Provérbios 5,21 Provérbios 16,9 Provérbios 19,21 Lm 3,37 Amós 3,6 Mateus 10,29-31 Romanos 8,28 2Coríntios 4,17 Hebreus 12,11s; 2Pedro 3,9.

PRÓXIMO
Próximo para o israelita era o irmão, o conterrâneo, membro da mesma tribo e da mesma raça (Êxodo 20,17). A estes se devia amar em primeiro lugar (Levítico 19,18 e nota). Mas já no Antigo Testamento este amor é extensível também ao estrangeiro que mora junto com o israelita (Levítico 19,33s). Jesus amplia a noção de próximo, exigindo amor não só a estrangeiros mas até a inimigos (cf. Lucas 10,29 e nota). Ver "Amor".

PRUDÊNCIA
Realiza as obras planejadas com sabedoria (Provérbios 24,3 Cântico dos Cânticos 9,11).
Obtém-se com a oração (1Reis 3,9 Provérbios 2,6-9 Cântico dos Cânticos 8,21 Cântico dos Cânticos 9,9-11) e com a docilidade aos pais, mestres e anciãos (Provérbios 1,8s; Provérbios 6,20-22 Provérbios 7,1s; Provérbios 23,22-25 Cântico dos Cânticos 4,9 Eclesiástico 25,3-6 Eclesiástico 44,1-4).
Quem observa as palavras de Cristo é prudente (Mateus 7,24-27).
A máxima prudência é dar tudo para entrar no Reino (Mateus 13,44s; Mateus 19,21 Mateus 25,26s; Lucas 14,28-32).
O cristão prudente vigia, esperando o seu Senhor (Mateus 25,8-11 Mateus 26,41 Lucas 12,35-37 Marcos 13,35 1Pedro 4,7).
Também existe uma prudência falsa, mundana (Isaías 5,21 Isaías 7,12 Lucas 12,16-20 Lucas 16,8).

PSEUDOEPÍGRAFOS
Livros que têm título falso, isto é, falsamente atribuídos a certo autor. Com este termo as Igrejas protestantes englobam os livros do Antigo Testamento que na Igreja Católica são considerados apócrifos.

PUBLICANO
Cobrador de impostos a serviço do governo romano. O posto era leiloado e por isso muito cobiçado nos vários distritos e vilas. Para cumprir o compromisso assumido com o governo cobravam-se pesadas taxas; por isso, os publicanos eram odiados pelo povo em geral. Mateus exercia este ofício em Cafarnaum (Mateus 9,9) e Zaqueu em Jericó (Lucas 19,1-10). Jesus era acusado de ser amigo de cobradores de imposto e de pecadores (Mateus 9,10-13 Mateus 11,19).

PUREZA
Pureza cultual: é a aptidão exigida pela Lei para participar no culto. Não tem relação direta com a pureza em sentido moral (Levítico 11,11-15). Vários fenômenos tornavam o homem impuro (veja "Puro-impuro").
A verdadeira impureza é o adultério religioso, a idolatria (Oséias 2 Ezequiel 16 Ezequiel 23), própria de um coração incircunciso (Jeremias 9,24s; Romanos 2,25-29).
Pureza moral: Oséias profetas insistem na pureza interior, frente aos formalismos cultuais (Isaías 1,15-17 Isaías 29,13 Oséias 6,6 Amós 4,1-5 Amós 5,21-23 Salmo 18,21-25 Salmo 51,12). Ver "Circuncisão".

PURGATÓRIO
2Macabeus 12,43-46 Mateus 5,25s; Mateus 12,32 Lucas 12,48 1Coríntios 3,13-15 2Coríntios 5,10 Gálatas 6,8 Apocalipse 21,27.

PURIFICAÇÃO
Rito que visava recolocar na esfera da comunicação com a divindade indivíduos que contraíam alguma "impureza". Havia ritos para purificar quem tivesse tocado um cadáver (Números 5,2s; Números 6,9-12 Números 19) ou contraído uma doença de pele (Levítico 14-15) e para a mulher que deu à luz (Levítico 12,8 Lucas 2,21-24). Ver "Puro-impuro".

PURIM
Palavra de origem persa, que significa "sortes". É a festa que comemora a libertação dos judeus ameaçados de extermínio.

PURO-IMPURO
Puro e impuro são noções encontradas quase em todas as religiões antigas e povos primitivos. Não se trata de pureza física, moral ou de castidade. Impuro é o que está carregado de forças perigosas ou pode desencadeá-las, e por isso deve ser evitado. A impureza não significa, pois, culpabilidade ou pecado; por exemplo, a mulher após o parto ou durante a menstruação é considerada impura; tocar um morto, estar atacado por certas doenças ("lepra") torna a pessoa impura.
Certos animais ou alimentos de origem agrícola são considerados impuros e por isso rejeitados pela cultura nômade da qual provinham os israelitas. Assim os animais elencados em Levítico 11,29s são considerados impuros pois tinham um papel no culto cananeu; o porco era impuro porque era usado no culto de Adônis-Tamuz. Tais proibições visavam evitar misturas e manter a integridade. Por isso também animais ou coisas híbridas deviam ser evitados (Levítico 18,23 Levítico 19,19). O motivo original de tais práticas podia ser um simples tabu. Mas, no contexto atual, Israel deve evitar certos alimentos e atos que o tornam impuro, porque impedem de participar no culto divino (Levítico 11,1-47).
Jesus criticou este conceito de pureza ritualística e meramente exterior (Mateus 23,25s), mostrando que o que torna impuro o homem não são as coisas que vêm de fora, mas o que procede do coração: os maus pensamentos que levam ao pecado (Marcos 7,15-23). Ver Levítico 12,1-8 Levítico 14,33-53 Levítico 15,1-33.





DICIONÁRIO BÍBLICO - LETRA Q

QUERUBINS
Seres da mitologia babilônica que guardavam os portais dos templos e palácios (cf. Gênese 3,24 2Samuel 22,11 Ezequiel 10,2). Nos apocalipses judaicos e no cristianismo foram equiparados aos anjos. Ver "Anjo".

QUMRÂN
Localidade junto à costa noroeste do mar Morto, a 13 km ao sul de Jericó, em cujas proximidades se descobriram em 1947 preciosos manuscritos da Bíblia hebraica. Oséias manuscritos são datados entre o ano 150 a.C.e 68 d.C., pois neste ano foi destruído pelos romanos o edifício (uma espécie de mosteiro) onde vivia em comunidade uma seita religiosa, provavelmente composta de essênios. Esta seita, parecida com a dos fariseus, mantinha-se separada do templo e do judaísmo oficial, aguardando a instauração dos tempos messiânicos. Oséias manuscritos bíblicos copiados pela seita atestam grande afinidade com o texto hebraico do Antigo Testamento que nos foi transmitido. Ver "Manuscrito".





DICIONÁRIO BÍBLICO - LETRA R

RABI
Título respeitoso que recebiam os doutores da Lei. O termo é hebraico e significa "mestre" (Mateus 26,25 Marcos 10,51 João 3,26). Jesus criticou este uso do termo (Mateus 23,7s).

RECONCILIAÇÃO
Processo pelo qual se restabelecem as relações de amizade entre homens ou entre Deus e o homem, ou o povo de Deus. Deus oferece perdão e o homem lhe responde pedindo perdão e cumprindo ritos de expiação para aplacá-lo. Esta reconciliação foi obtida de modo perfeito pelo sacrifício de Cristo na cruz (Hebreus 9-10). Ver "Expiação".

REDENÇÃO
O termo vem do latim redimere, "pagar resgate", "redimir". "Redimir" é pagar o resgate para libertar da escravidão. Cristo é simultaneamente o nosso redentor e o preço do nosso resgate.
O direito hebraico incluía o "goel" - redentor, libertador, com uma tríplice função: executar a "vingança" (Números 35,9-29 Deuteronômio 19,1-13 Josué 20); resgatar as propriedades familiares (Rute 2,19s; Rute 4,4; Levítico 25,8-34); ser "goel" na lei do levirato (Deuteronômio 25,5-10 Rute 3,13 Rute 4,1-8).
Esta tríplice função do "goel" atribuía-a o Antigo Testamento a Javé e o Novo Testamento a Cristo:
- "Vinga o sangue dos seus" (Isaías 47,3 Isaías 49,25s; Isaías 59,16-20). Também Cristo, o Juiz universal, "vingará os seus discípulos perseguidos" (1Tessalonicenses 1,6-10 Apocalipse 6,9-11 Lucas 18,7).
- Javé resgatará o patrimônio daquele que, no ano jubilar, não tiver nenhum "goel" (Levítico 25,10 Isaías 61,2 Isaías 53,4). Cristo inaugura o ano jubilar, ou ano da graça (Lucas 4,21).
- Deus tomará conta de Jerusalém na sua viuvez (Isaías 54,1-8 Isaías 44,6 Isaías 49,20s; Isaías 62,4s). Cristo é também o salvador da sua Esposa, a Igreja (Efésios 5,23-25).
"Remir" é libertar da escravidão:
- Leis sobre o resgate dos escravos (Êxodo 21,1-11 Deuteronômio 15,12-18 Levítico 19,20).
- Deus resgata o seu povo do Egito (Deuteronômio 13,6 Deuteronômio 24,17s; Isaías 19,20-22) e das garras de Babilônia (Isaías 35,8-10 Isaías 51,9-11 Jeremias 31,10-12). Base para uma teologia sobre a libertação dos escravos.
- Cristo liberta-nos da escravidão do pecado (Mateus 11,2-6 Lucas 1,77 Lucas 4,21 Efésios 1,7); da Lei (Gálatas 3,10-13 Gálatas 4,1-7 1Pedro 1,17-19) e do "príncipe deste mundo" (João 8,44 João 12,31 1Coríntios 2,8 2Coríntios 4,4 Efésios 2,2 Hebreus 2,14 1João 5,18 Apocalipse 12,7s).
Cristo é o preço do nosso resgate, porque nele Deus realiza a nova aliança (Mateus 20,28 1Timóteo 2,6 João 10,17s; Romanos 5,6-8 1Pedro 2,9).

REINO DE DEUS
No Antigo Testamento Deus apresenta-se como Rei-Pastor do seu povo. Israel era o reino, a pertença de Javé, entendido, a princípio, em sentido material (Êxodo 15,18 Êxodo 16,9 Êxodo 19,6 Isaías 5,4 Juízes 8,23 1Samuel 8,7 Salmo 24,7-10 Salmo 11,4 Salmo 47,3 Salmo 103,19 Jeremias 10,7-10).
Instaurada a monarquia real, esta deve estar subordinada à realeza de Javé (1Samuel 8,1-7 1Samuel 8,19s; 2Coríntios 13,8 2Samuel 7,14 Salmo 2,7).
As infidelidades dos reis, a divisão do reino e o exílio permitiram a espiritualização do conceito de Reino, despertando a esperança para uma realização definitiva do reinado de Javé nos tempos escatológicos (Miquéias 2,13 Ezequiel 34,11 Isaías 40,9s; Isaías 52,7 So 3,14s). Será um reino universal (Zacarias 14,9 Isaías 24,23 Salmo 47 Salmo 96 Salmo 99 Daniel 2,4-44 Daniel 7,14-27 Cântico dos Cânticos 3,8).
No tempo de Jesus o povo tinha nostalgia deste passado e esperava que Deus estabelecesse seu reinado definitivo sobre Israel e as nações. Oséias judeus esperavam uma intervenção maravilhosa de Deus, de caráter político, mas numa relação particular com Deus (Mateus 4,3-9 Mateus 20,21 João 6,14s; Atos 1,6).
Jesus dá ao Reino de Deus (Marcos) ou ao Reino dos Céus (Mateus) o primeiro lugar na sua pregação (Mateus 3,2 Mateus 4,17 Mateus 9,35 Mateus 10,7 Lucas 12,31 Lucas 16,16 Lucas 22,29 João 12,13-15). Apresenta a sua ação na linha das manifestações do reinado messiânico escatológico, anunciado pelos profetas (Mateus 4,23 Mateus 12,28 Lucas 7,21s; cf. Isaías 35,5s; Isaías 61,1-3).
Oséias apóstolos recebem de Cristo a missão de proclamar o Evangelho do Reino (Mateus 10,7).
Depois de Pentecostes o Reino é o tema central da pregação evangélica (Atos 14,22 Atos 19,8 Atos 20,25 Atos 28,23-31 1Tessalonicenses 2,12).
Só aos humildes e aos pequenos é dado conhecer os mistérios do Reino (Mateus 11,25).
O Reino é "como a semente depositada na terra" (Mateus 13,3-9 Mateus 13,18-23) que crescerá por seu próprio poder como o grão (Marcos 4,26-29). É como "fermento na massa" (Mateus 13,33). Converter-se-á numa grande árvore onde se aninharão as aves do céu (Mateus 13,31s).
O Reino é dom de Deus (Mateus 5,3 Mateus 13,44-46 Mateus 18,1-4 Mateus 20,1-16 1Coríntios 6,9s; Gálatas 5,21 Efésios 5,5).
O Reino está em crescimento até a Parusia (Mateus 9,37s; Mateus 11,12s; Mateus 13 Mateus 25,34 Marcos 2,19 João 4,35 João 2,1-11 Atos 1,9s; Lucas 21,31 Lucas 22,14s. Lucas 22,17s). Ver "Senhor".

RELIGIÃO
Ver "Culto".

REMISSÃO DOS PECADOS
Ver "Batismo", "Penitência", "Perdão", "Justificação", "Paz".

RESIGNAÇÃO
Exortação: Jó 1,21 Provérbios 3,11s; Eclesiastes 7,15 Hebreus 12,6s.
Motivos: Deuteronômio 32,4 1Samuel 3,18 Jó 2,10 Mateus 26,39 1Coríntios 10,13 2Coríntios 1,5 2Coríntios 4,8s; Hebreus 12,11.

RESPONSABILIDADE
De todos: Mateus 12,36 Mateus 18,23 Romanos 14,12 2Coríntios 5,10 1Pedro 4,5. Dos superiores: Cântico dos Cânticos 6,7 Lucas 16,2 1Coríntios 4,1-4 Hebreus 13,17.

RESSURREIÇÃO
Javé é o Senhor da vida e da morte (Oséias 13,14 Deuteronômio 32,39 1Samuel 2,6). Cristo tem as chaves do reino dos mortos (Apocalipse 1,18 1Pedro 3,19 1Pedro 4,5s; Efésios 4,8-10 Colossenses 1,18 Apocalipse 20,1).
Primeiras afirmações bíblicas da Ressurreição (s; Salmo 16,9-11 2Macabeus 7).
Manifestações de Cristo Ressuscitado (Mateus 28,9s; Marcos 16,9s; Lucas 24,13s; João 20,16s; 1Coríntios 15,6s).
Testemunhas da Ressurreição (Atos 1,21s; Atos 2,32 Atos 3,15 Romanos 1,4s; Romanos 6,4).
Pela Ressurreição Cristo comunica a vida ao mundo(João 7,37-39 João 10,14-17 João 12,2-24 João 11,1s) e por ela nos redime (Romanos 4,24 Romanos 10,9 2Coríntios 5,14-16 Efésios 2,5 Colossenses 2,12 Colossenses 3,1).
A Ressurreição de Cristo é a causa da nossa ressurreição escatológica (1Coríntios 15,1-58 1Tessalonicenses 4,13-18), batismal (Romanos 6,1-11) e moral (Efésios 4,17-24 Colossenses 3,1-7).
A ressurreição dos mortos é anunciada no Antigo Testamento (Jó 19,25 Isaías 66,14 Ezequiel 37,1-14 2Macabeus 7,9 2Macabeus 7,14). É afirmada no Novo Testamento (Mateus 22,31 João 5,25-29 João 6,39 João 11,24 Atos 24,15 1Coríntios 6,14 2Coríntios 1,9 1Tessalonicenses 4,13-18 Apocalipse 20,12. Ver "Retribuição".

RESTITUIÇÃO
No Antigo Testamento: Êxodo 21,33-36 Êxodo 22,3-15 Levítico 24,18 Levítico 24,21 Números 5,7 Ezequiel 33,15. No Novo Testamento: Lucas 19,8s; Romanos 13,8 Phm 1,18-19.

RESTO
O termo, usado sobretudo pelos profetas, designa os sobreviventes de grandes catástrofes, como o dilúvio (Gênese 7,1s) e o exílio (Isaías 6,13).
"Resto Santo" não é, porém, o resto histórico, mas a comunidade a ser salva no fim dos tempos (Isaías 4,4 Isaías 10,22 Jeremias 23,3 Miquéias 5,6-8).
"Resto fiel"é a parte do povo que permaneceu fiel em vários momentos da história (1Reis 19,18 Isaías 10,18-22 Isaías 17,4-6 Amós 3,12 Amós 9,8-10 Deuteronômio 4,27 Miquéias 4,7 Miquéias 5,2 Zacarias 8,6-13 Romanos 11,3-5). O "resto fiel"é símbolo do "novo Israel", formado de judeus e pagãos (Romanos 9,27). O Messias reunirá um "resto", um "pequeno rebanho" (Jeremias 23,3-6 Miquéias 2,12s; Miquéias 5,1-8 Zacarias 3,8 Zacarias 6,12 Lucas 12,32), que será fermento na massa (Lucas 13,20s), como uma semente no seio da terra (Lucas 13,18s), como luz e sal do mundo (Mateus 5,13-16).

RETRIBUIÇÃO
Na Bíblia não se fala da retribuição em sentido propriamente jurídico, como se fosse uma paga adequada. Esta aparece, sobretudo, como uma dádiva de Deus (Romanos 3,27 Romanos 8,14-17 Filipenses 2,13 1Coríntios 15,19 1Coríntios 15,50 Colossenses 1,13).
A retribuição, no início, é entendida como castigo coletivo dos inimigos de Israel (Êxodo 23,27 Josué 24,12); depois, como um juízo de ira sobre o povo de Deus (Números 25,3 Josué 22,20 Êxodo 32 Números 11,1 Números 14,38 Números 17,6-15). A retribuição pode ser um prêmio ou um castigo segundo o esquema teológico pecado-castigo; conversão-perdão-recompensa (Juízes 2,11-23 Juízes 3,7-9). As bênçãos e as maldições são disso uma prova (Deuteronômio 28,1s; Deuteronômio 4,40 Deuteronômio 5,33 Deuteronômio 7,12-26 Deuteronômio 15,4-10 Deuteronômio 30,15-20).
O povo do Antigo Testamento,não tendo a perspectiva de uma vida futura, interpreta tudo o que lhe acontece de bem e de mal como um prêmio ou um castigo divinos pelo bem ou mal que fez (Juízes 2,11-15 Juízes 3,7s; Deuteronômio 28 Jó 11,14s; João 18,1-21 João 22,25s; Provérbios 3,2s. Provérbios 10 Provérbios 23 Provérbios 26 Provérbios 4,10-22 Provérbios 8,18s; Provérbios 9,11). Concluía-se que por detrás de cada desgraça, coletiva ou individual, havia o pecado. Contra isso se levanta a consciência de muitos justos atribulados como o testemunha o livro de Jó e outros textos sapienciais (Jó 3,1-26 Jó 9,14-35 Jó 10,7).
No exílio em Babilônia, perante o fato dos justos que morrem perseguidos sem nenhuma recompensa temporal, surge a esperança da ressurreição (Daniel 12,2s; 2Macabeus 7,9-23 2Macabeus 12,44s; 2Macabeus 14,46). Sob a influência grega, nasce a fé na imortalidade (Cântico dos Cânticos 3,7s. Cântico dos Cânticos 3,14 Cântico dos Cânticos 4,2 Cântico dos Cânticos 5,16 Cântico dos Cânticos 6,19 Salmo 49).
A literatura sapiencial ensina: "aquilo que cada um semeia isso recolherá" (Provérbios 24,12 Eclesiastes 11,4 1Coríntios 9,11 Mateus 13,28s).
Jesus fala de prêmio e castigo temporais, sempre numa perspectiva transcendente (Marcos 10,29s; Marcos 12,1-9 Lucas 13,1-5 Lucas 19,41-44 Mateus 11,20-24 Mateus 23,37s).
Cristo fala, sobretudo, de castigos e prêmios transcendentes. Consistem em receber o Reino ou em rejeitá-lo(Mateus 20,1-15 Mateus 5,3-12 Mateus 25,1-46 Mateus 6,1-21 Mateus 7,24-27 Mateus 10,32s; Mateus 11,28-30 Mateus 19,28-30 Lucas 14,7-14 Lucas 15,11-32 Lucas 16,19-31 Lucas 17,1-10 Lucas 18,9-14 Lucas 19,13-27 Marcos 8,35 Marcos 9,41 Marcos 12,1-9).
Cada um será recompensado segundo as suas obras (Romanos 2,6 2Coríntios 5,10 Apocalipse 20,12) no dia da vinda ( parusia) do Senhor (1Pedro 4,13 1Pedro 5,4 Apocalipse 22,12 João 12,48).

REVELAÇÃO
Existe uma revelação natural (Atos 15,17 Atos 17,27s; Romanos 1,18s).
Deus invisível tornou-se visível em Cristo (Efésios 1,9 Colossenses 1,15 1Timóteo 1,17 Êxodo 33,11 João 15,14-15 2Timóteo 1,10 Tito 3,4).
Manifestou-se para vivermos em comunhão com ele (1João 1,2s; Efésios 2,18 2Pedro 1,4).
Cristo é o mediador e a plenitude da revelação (Mateus 11,27 João 1,14 João 1,17 João 14,6 João 17,1-3 2Coríntios 3,16 Efésios 1,3-14 Hebreus 1,1s).
Estrutura sacramental da revelação: Deus manifesta-se por palavras (Hebreus 1,1s; João 1,18 João 10,34) e por obras (Romanos 1,19s; João 5,36 João 17,4).
A Deus que se revela deve prestar-se a "obediência da fé" (Romanos 1,5 Romanos 16,26 2Coríntios 10,5s).
A revelação é transmitida oralmente (Mateus 28,19s; Marcos 16,15 Atos 1,8 Hebreus 1,1s; 1Coríntios 15,3 1Timóteo 3,16 2Timóteo 1,13 2Timóteo 4,17 Gálatas 2,2) e posta por escrito sob a ação do Espírito Santo, segundo as necessidades litúrgicas, catequéticas e apologéticas da comunidade cristã (João 20,31 2Timóteo 3,16 2Pedro 1,19-21 2Pedro 3,15s; Atos 8,35 Lucas 24,47).

REVOLUÇÃO
Conseqüências Juízes 12,1-6 2Samuel 15,10-19,8 Marcos 15,7 Atos 5,36s; Atos 19,23-40 NM 16,1-35).
Jesus respeita as instituições (Mateus 5,17 Mateus 17,24 Mateus 23,2s); não se compromete com as autoridades (Marcos 12,13-17 Lucas 13,32 Lucas 20,1); prevê perseguições (Mateus 10,16); repele a resistência armada (Mateus 26,52 Lucas 22,38 Lucas 22,49); luta contra a desordem estabelecida (Marcos 3,1 Marcos 11,15 Mateus 23,5-38).
O que importa é a reforma interior (Lucas 6,27 1Coríntios 7,17 1Coríntios 7,29 Romanos 12,2 Romanos 13,1).

RICO (RIQUEZA)
A riqueza no Antigo Testamento é considerada como um bem relativo. Era apreciada porque dava prestígio e poder e era um dom dado por Deus aos homens justos e sábios (Provérbios 8,18 Provérbios 10,22 Provérbios 22,4 Jó 1,1-3 Jó 42,10-17). Mas o homem pode adquiri-la pelo próprio esforço (Provérbios 10,5 Provérbios 13,11 Eclesiástico 11,18); por isso ela é fonte de orgulho (Jó 31,25 Provérbios 11,28) e torna difícil a convivência com o rico (cf. Eclesiástico 13,1-24 e nota). A riqueza torna-se perigosa quando adquirida por meios injustos (Provérbios 28,6 Provérbios 28,22 Provérbios 30,7-9) e causa muito sofrimento aos pobres (Amós 2,6s; Amós 4,1-3 Amós 8,4-6 Miquéias 2,1s). O rico deve lembrar-se de que a riqueza é passageira, pois com a morte perde tudo (Provérbios 11,4 Provérbios 23,4s; Eclesiastes 11,19s).
No Novo Testamento Jesus tomou posição frente à riqueza (Marcos 10,17-31 Lucas 12,13-24 18,24s). Ela é um dom de Deus, mas pode causar decepções (Eclesiastes 5,9-6,6 Mateus 13,22) e colocar em perigo a salvação do homem (6,19.24; 19,24). Jesus condenava a avareza (Lucas 12,13-15) e exige dos que o querem seguir mais de perto a renúncia a todos os bens (Mateus 19,18-30). As riquezas devem servir para ajudar os pobres (Deuteronômio 15,7s; Tobias 4,8s; Eclesiástico 29,1-13 Lucas 16,9 Lucas 12,33 2Coríntios 8-9 1Timóteo 6,17-19 Gálatas 2,10 1João 3,17). Ver "Pobre".

ROLO
As folhas escritas de um documento antigo podiam ser emendadas umas nas outras em tiras e depois enroladas num bastão, formando um rolo ou "livro enrolado" (cf. Ezequiel 2,9 e nota; Zacarias 5,1s). Ver "Manuscrito", "Códice".





DICIONÁRIO BÍBLICO - LETRA S

SÁBADO
É o sétimo dia da semana, consagrado a Deus porque após os seis dias da criação o Criador descansou (Gênese 2,2s). Era um dia festivo (Êxodo 16,4s Êxodo 16,14s. Êxodo 16,16-36 Êxodo 35,1-3 Isaías 1,13 Oséias 2,13), no qual o israelita se abstinha de qualquer trabalho (Êxodo 20,8-11 Ezequiel 46,1-12 Ezequiel 20,12) e se dedicava à oração (cf. Êxodo 31,13 Números 15,32-36 1Macabeus 2,32-41). Sábado é também o dia do anúncio dos bens futuros, escatológicos (Isaías 56,1-6 Isaías 58,13s; Isaías 66,22s; Jeremias 17,19-27 Ezequiel 44,1-12).
Mas, quando Cristo veio, o jugo dos fariseus fizera do sábado um dia de escravidão (Mateus 12,1-14 Atos 1,12 Lucas 6,6 Lucas 13,10-17 João 5,9-18 João 7,21-24 João 9,14-16).
Cristo transforma o sábado no dia da sepultura (Lucas 23,53s; João 19,31-42) e fixa para o dia seguinte -domingo -o dia da Ressurreição, da libertação, da nova criação (Marcos 16,2-9 João 20,1 João 20,19).
O domingo é o dia em que o Senhor se manifesta (João 20,16 João 20,26) e transmite o seu perdão (João 20,19-23). É o dia da reunião da comunidade cristã (Atos 20,7 1Coríntios 16,2). Por isso, o sétimo dia no qual o cristão repousa e se dedica à oração é o domingo (Atos 20,7 Apocalipse 1,10 e nota). Ver "Domingo", "Culto", "Festa".

SABEDORIA
Salomão destacava-se como o grande sábio de Israel (1Reis 5,9-14 Eclesiástico 47,12-17 Provérbios 1,1 Eclesiastes 1,1 Cântico dos Cânticos 8,19 1Reis 3,4-15).
Progressivamente a sabedoria é considerada como uma participação da sabedoria divina, manifestada no temor de Deus e na observância da Lei (Provérbios 15,16 Provérbios 15,33 Provérbios 16,6 Eclesiastes 3,12s; Eclesiastes 9,7-9 Cântico dos Cânticos 1,1-5 Eclesiástico 15,1-6 Eclesiástico 24,23s; Baruc 3,9-4,4).
Daniel Lei -sabedoria de Deus no meio do povo -passa-se à personificação da sabedoria divina (Provérbios 8,23-31 Jó 28 Eclesiástico 24 Cântico dos Cânticos 7,22-8,1).
João, no seu evangelho, diz-nos que a sabedoria personificada é Cristo, o Verbo de Deus (João 1,18).
Como a sabedoria, também Cristo põe a mesa, oferecendo pão e vinho (João 6,35 Provérbios 9,1-6; cf. Eclesiástico 24,19-22 Isaías 56,1-11 Marcos 2,22 Isaías 55,1s).
Paulo, partindo de Cântico dos Cânticos 13,1-10, fala de um plano sábio de Deus, que levaria o homem a conhecê-lo; mas este falhou por causa da sabedoria humana(Romanos 1,19-25). Então Deus apresentou o "escândalo da cruz" (1Coríntios 1,19-25 1Coríntios 2,6-16).

SACERDÓCIO
Dos cristãos: Cristo é o único Sumo Sacerdote (Hebreus 3,1 Hebreus 4,14-16 Hebreus 5,5 Hebreus 5,10 Hebreus 6,20 Hebreus 7,23-28).
O povo de Deus é um reino de sacerdotes (1Pedro 2,9 Êxodo 19,5s; Apocalipse 1,5s; Apocalipse 5,9s; Apocalipse 20,6). Deve oferecer sacrifícios espirituais (Romanos 12,1 Hebreus 13,15s; Filipenses 2,17 Filipenses 4,18) e anunciar a Morte e Ressurreição de Cristo na "Ceia do Senhor" (Atos 2,42 1Coríntios 10,16-22 1Coríntios 11,23-26 Lucas 22,7-20).
Unido a Cristo, pedra angular, cada membro do Povo de Deus constitui uma pedra viva do novo Templo espiritual (1Pedro 2,4-6 João 2,19-22 1Coríntios 3,16s; 1Coríntios 6,19). Ver "Ministérios", "Carismas".

SACERDOTE
Ministro sagrado, encarregado de oferecer diariamente sacrifícios e holocaustos e queimar incenso no altar. O sacerdócio era hereditário: chegando à idade estabelecida na lei, o sacerdote era consagrado (Êxodo 29 Levítico 8-10 Números 18). Além das tarefas cultuais, aos sacerdotes cabia a instrução do povo em assuntos religiosos e administração dos bens do templo.
No Novo Testamento os anciãos, ordenados pelos apóstolos (Atos 14,23), supervisionavam as comunidades (20,17), pregavam, instruíam e dirigiam os fiéis (1Timóteo 5,17 1Pedro 5,1).

SACRIFÍCIOS
De louvor, de reparação e pelo pecado. Ver Levítico 1-7. Ver "Expiação".

SACRIFÍCIOS DE COMUNHÃO
Nesse tipo de sacrifícios, chamados também pacíficos, a carne da vítima era dividida em três partes: A primeira era queimada sobre o altar e era a parte que cabia a Deus; a outra ficava para os sacerdotes e a última, a maior, era devolvida às pessoas que ofertavam a vítima para o sacrifício. Essa parte da carne era consumida num banquete sagrado, em que as pessoas consideravam Deus presente como comensal. Assim Deus e os homens participavam misticamente, mediante a fé, da mesma mesa (cf. Levítico 3,1-17 Levítico 7,12-21 1Samuel 20,8). Sob este aspecto, os sacrifícios de comunhão eram prefiguração do banquete eucarístico, no qual, num sentido mais verdadeiro, o cristão é admitido à mesa do Senhor. Ver "Holocaustos", "Oblação", "Expiação" (cf. Levítico Levítico 1-7).

SADUCEUS
Partido religioso e político, cujo nome se relaciona com Sadoc, o Sumo Sacerdote colocado por Salomão em lugar de Abiatar (1Reis 2,35). Oséias saduceus separaram-se dos fariseus quando Jônatas usurpou o sumo sacerdócio (135 a.C.). Desde então os saduceus entraram em luta com os fariseus, dos quais se distinguem pelas crenças religiosas (Mateus 22,23 Marcos 12,18 Atos 23,8). Na política, apoiavam a dominação romana e controlavam a nomeação dos sumos sacerdotes.

SAGRADA ESCRITURA
Ver "Bíblia", "Revelação". 3640

SAGRADO
Aquilo que é separado do profano, ou do uso comum, para servir a Deus (cf. Ezequiel 19,1-23 Números 1,53). Ver "Santo".

SALOMÃO
Ver "Sabedoria".

SALVAÇÃO
Deus é aquele que salva, dando vitória a Israel (1Samuel 11,9 1Samuel 11,13 1Samuel 19,5), ou salvando de algum perigo. Ele é o salvador por excelência, que deu a Israel a salvação, tirando-o do Egito (Êxodo 14,30 Salmo 106,21 Atos 7,25). Mesmo quando a salvação é uma conquista humana a vitória é de Deus (cf. Juízes 6,36). A salvação é esperada no sentido universal também no fim dos tempos; é a salvação messiânico-escatológica. Então se realizarão todas as esperanças de felicidade para Israel, que será libertado do poder dos inimigos, da miséria material e do pecado.
No Novo Testamento o termo "salvação"é usado no sentido de cura do corpo e da alma (Marcos 5,34 Lucas 8,48 Lucas 18,42). A salvação temporal se orienta no sentido da salvação espiritual, do perdão dos pecados (Lucas 17,19) e da libertação de todo o tipo de escravidão que resulta do pecado (Mateus 1,21 Lucas 1,77 Atos 5,31). A salvação que Deus preparou em Cristo se destina a todos os homens (João 4,42 1Timóteo 4,10 Tito 3,4-6). O próprio nome de Jesus significa "Salvador" (Lucas 1,31 Lucas 2,21 Mateus 1,21 Atos 4,12). A fé é condição para receber a salvação (Marcos 16,16 João 11,25 Romanos 10,9-13 Hebreus 11,7). Ver "Redenção".

SAMARIA
Fundada em 880 a.C.por Amri (2Reis 16,24), estava situada 77 km ao norte de Jerusalém, numa colina de 450 m de altitude e de fácil fortificação, no entroncamento de estradas importantes e no centro do reino de Israel. Ficou sendo a capital do reino de Israel até a ruína da nação, em 722 a.C.(2Reis 18,9-12), e depois tornou-se o centro administrativo da província persa da Samaria. Herodes o Grande a reconstruiu magnificamente, dando-lhe o nome de Sebaste ("Augusta") em homenagem ao imperador Augusto, nome que subsiste na designação atual Sebastie. O diácono Filipe pregou ali o Evangelho (Atos 8,5-9).

SAMARITANOS
Com a destruição do reino do Norte, grande parte da população foi deportada para a Assíria. Em seu lugar foram enviados colonos assírios (2Reis 17,24-41). A população mista que então se formou deu origem aos "samaritanos", que permaneceram monoteístas. Quando os cativos do reino de Judá foram repatriados pelos persas (538 a.C.), os samaritanos quiseram aliar-se aos judeus e participar na reconstrução do templo e da cidade. Mas Zorobabel (Esdras 4,2) e Neemias não aceitaram (Neemias 13,28). Desde então vinha a inimizade entre judeus e samaritanos, mencionada no Novo Testamento (Lucas 9,52-54 João 8,48).
Jesus, porém, mostrou simpatia para com os samaritanos (Lucas 10,30-37 Lucas 17,11-19), aos quais mandou pregar o Evangelho (Atos 1,8 Atos 8,4-25). Oséias samaritanos, que só reconhecem como canônico o Pentateuco, ainda hoje vivem numa comunidade de uns 300 membros no monte Garizim, onde anualmente celebram a Páscoa segundo os antigos ritos.

SANGUE
O sangue significa vida (Gênese 9,5 Levítico 17,10-14 Deuteronômio 12,23). Beber o sangue seria destruir a vida. Derrama-se junto do altar para significar o regresso da vida a Deus (Gênese 9,4 Levítico 17,3-14 Levítico 19,26 Salmo 58,11 Ezequiel 39,11-19 1Reis 21,19 1Reis 22,38).
A custo, os cristãos conseguiram libertar-se deste modo de conceber o sangue (Romanos 14,14-20 1Coríntios 10,23-27). A proibição de comer sangue no cristianismo foi uma lei transitória para facilitar a convivência entre cristãos de origem judaica e pagã (cf. Atos 15,20 Atos 15,29 e nota.
Visto que o sangue é vida, e esta pertence a Deus, ele vinga o sangue do inocente (Deuteronômio 32,43 Ezequiel 14,19 Ezequiel 33,6-8 Lucas 11,50s; Apocalipse 16,3-6).
Oséias prodígios com intervenção de sangue anunciam a vingança divina (Êxodo 4,9 Êxodo 7,17-21 Salmo 105,29 Cântico dos Cânticos 11,6s; Apocalipse 6,12 Apocalipse 8,8 Apocalipse 11,6).
O sangue desempenha um papel importante nos sacrifícios (Levítico 1-8). O sangue de Cristo, que é vida, transmite a vida (João 6,54-57 Mateus 26,28 João 19,34s). O sangue é reparador e expiatório (Romanos 3,25 Romanos 5,9 Efésios 1,7 Efésios 2,13 Colossenses 1,15-20 Apocalipse 1,5 Apocalipse 7,14; Colossenses 22,14 Hebreus 9,14 Hebreus 13,12).

SANTO
É tudo aquilo que está afastado, separado do impuro ou do profano para o serviço de Deus. Santo é sobretudo aquilo que constitui o "numinoso" da divindade, isto é, a majestade de Deus inacessível às criaturas, a própria glória divina. O povo de Deus deve ser "santo"para assemelhar-se a Deus e entrar em comunhão com ele (Levítico 20,7 Levítico 20,26). Oséias cristãos são chamados "santos"porque pelo batismo foram consagrados a Cristo (Romanos 1,7 1Coríntios 1,2) para viver uma vida nova (Romanos 6,3-14).
Santo é também o compartimento da tenda da aliança (Êxodo 26,33) e do templo (1Reis 6,3 1Reis 6,5 1Reis 6,17) que dava acesso ao Santo dos Santos. No Santo estava o altar do incenso (Êxodo 30,1-30), a mesa dos pães da proposição e o candelabro de sete braços (Êxodo 25,23-40).
Santos são nossos intercessores (1Coríntios 12,12 1Coríntios 12,20s, Apocalipse 5,8 Êxodo 32,11 Êxodo 32,14 1Samuel 7,8-10 Romanos 15,30 Efésios 6,18s; 1Tessalonicenses 5,25 Hebreus 13,18 Tiago 5,16). Temos comunhão com eles (1Coríntios 12,26s). Estão com Cristo no céu (2Coríntios 5,1-8 Filipenses 1,23s; Apocalipse 4,4 Apocalipse 6,9 Apocalipse 7,9 Apocalipse 7,14s, Apocalipse 14,1-4 Apocalipse 19,1-6 Apocalipse 20,4). Deus opera milagres por meio deles (Êxodo 8,9-11,10 1Reis 17-18 2Reis 2,8 2Reis 2,14 2Reis 2,21 Marcos 6,13 Atos 3,6 Atos 5,15 Atos 14,7 Atos 19,11s; Tiago 5,17).

SANTO DOS SANTOS
Ou Lugar Santíssimo (1Reis 6,3), era a parte mais sagrada da tenda da aliança (Êxodo 26,33s) ou do templo de Jerusalém (1Reis 6,16). Nela estava guardada a arca da aliança. Ali só o Sumo Sacerdote podia entrar no dia da Expiação (Levítico 16,2 Hebreus 9,3-10). Este recinto estava separado do Santo pelo véu protetor (cf. Números 4,5 e nota).

SANTUÁRIO DAS ALTURAS
Ver "Lugares altos".

SATÃ
O termo hebraico "Satã", ou Satanás, significa" acusador", "adversário" (Jó 1,6 cf. e nota). Mais tarde passou a designar o inimigo de Deus e do homem (Zacarias 3,1 e nota), tornando-se o nome próprio do anjo decaído e tentador do homem (Cântico dos Cânticos 2,24 e nota; cf. Apocalipse Apocalipse 12,9).
Jesus venceu as tentações de Satanás, que o queria desviar de sua missão (Mateus 4,1-11 Lucas 22,28). Inaugurando o Reino de Deus neste mundo, Jesus veio pôr fim ao reino de Satanás (Mateus 12,28 Lucas 10,18 João 12,31). O cristão participa desta vitória de Cristo (2Coríntios 6,14 1João 5,18s), que no fim dos tempos será definitiva (Apocalipse 12-20). Ver "Demônios", "Dominações".

SEFELA
Região entre a planície da costa do mar Mediterrâneo e as montanhas de Judá, entre 300 e 400 m de altitude (Josué 10,40 1Crônicas 27,28).

SERAFIM
O termo vem do hebraico saraf, "arder". Em Nm 21,8s (ver a nota) indica as serpentes "ardentes"ou venenosas. Mais tarde designa uma espécie de seres celestiais que purificavam pelo fogo (Isaías 6,2). Oséias serafins simbolizam a santidade divina que purifica o pecador.

SERPENTE
Havia muitas serpentes venenosas na Palestina (Amós 5,19 Provérbios 30,19 Salmo 140,4). Segundo a opinião popular alimentavam-se de pó (Gênese 3,14 Miquéias 7,17 Isaías 65,25).
Oséias israelitas associavam serpentes e espíritos maus. Ela era símbolo do mal e da desgraça (Gênese 3,1-5 Isaías 27,1 Sl 74,13s; Jó 3,8), da falsidade (Gênese 49,17), da astúcia (Gênese 3,1 Mateus 3,7 Mateus 10,16 Mateus 23,33); constituindo, por isso, um perigo mortal (Eclesiástico 21,2 Provérbios 23,32).
Também em Israel havia encantadores de serpentes (Salmo 58,5s; Jeremias 8,17 Eclesiastes 10,11 Eclesiástico 12,13 Tiago 3,7).
Entre os orientais, certas serpentes são adoradas, como deuses da fecundidade e transmissores da vida (emblemas fálicos). Por isso, no templo se adorava a serpente de bronze (Números 21,4-9 2Reis 18,4 Cântico dos Cânticos 16,7). Cristo, pendurado na árvore da morte (a cruz) é a serpente que dá a vida (João 8,28 12,32s), vencendo a serpente que se pendurara na "árvore da vida" (Gênese 3,1s).

SERVIÇO
Ver "Ministérios".

SERVO
Deus libertou Israel do Egito para que o servisse no deserto (Êxodo 7,16 1Reis 8,23). Por isso o povo de Deus em geral (Salmo 34,23 Salmo 35,27) e os escolhidos de Deus (Gênese 26,24 Êxodo 14,31 Apocalipse 10,7) são chamados servos. Por causa do uso do termo nos cânticos do "servo do Senhor" (Isaías 42,1-9 Isaías 49,1-13 Isaías 50,4-11 Isaías 52,13-53,12) o título foi aplicado em sentido messiânico a Jesus (Mateus 12,18 Atos 3,13 Filipenses 2,7-9).

SETENTA
(Septuaginta, LXX). Nome dado à tradução dos livros do Antigo Testamento,escritos em hebraico e aramaico, para o grego. Foi feita no Egito entre 250 e 100 a.C.. O nome "Setenta" provém da lenda, segundo a qual a tradução foi levada a termo por setenta e dois doutores da Lei enviados de Jerusalém. Oséias escritores do Novo Testamento e os cristãos dos primeiros séculos utilizaram esta tradução. No Ocidente, a partir do século V foi substituída pela Vulgata.

SIÃO
Colina de Jerusalém situada ao sul do templo e ao norte da piscina de Siloé. Em geral se identifica com Jerusalém (2Samuel 5,7 Isaías 2,2s).
Na fenomenologia religiosa, a montanha é o lugar da presença divina. Deus se revela no Sinai ou Horeb (Êxodo 3,1 Êxodo 33,6 Êxodo 19,11-20 1Reis 19,1s).
Na Palestina, o povo sente atração pelos lugares altos (Êxodo 17,9 Números 22-24 1Samuel 7,1 1Samuel 9,12-25 1Reis 3,4 1Crônicas 16,39).
Cristo escolhe os apóstolos, anuncia as bem-aventuranças, transfigura-se, aparece ressuscitado sobre uma montanha (Lucas 6,12 Lucas 9,28 Marcos 3,13 Marcos 6,46 2Pedro 1,18 Mateus 5,1s; Mateus 17,1-9 Mateus 28,16-20).
A luta contra os lugares altos é uma das causas da centralização do culto no templo, situado no monte Sião. Paulatinamente, vão sendo atribuídas a Sião todas as prerrogativas do Sinai (Deuteronômio 12,1-14 Deuteronômio 14,22-26 2Crônicas 30 2Reis 23,1s; Salmo 9,12-15 Salmo 84,5-8 Salmo 20,2s; João 4,20).
Em Sião aparecem a Lei, a "Glória"e os fenômenos teofânicos do Sinai (2Reis 22-23 Isaías 2,3 Salmo 99 Gálatas 4,25s; Hebreus 12,18-24).

SIDÔNIA
Antigo porto fenício na costa do Mediterrâneo, ao norte de Tiro. Junto com Tiro simboliza a civilização pagã corrupta (Lucas 10,13-15).

SILO
Antigo santuário, ao norte de Betel, onde foi depositada a arca da aliança (Josué 18,1-10). O santuário foi destruído pelos filisteus (1Samuel 1,9 1Samuel 4-5).

SILOÉ
Piscina dentro dos muros de Jerusalém, na parte baixa da cidade, para onde corriam as águas da fonte de Gion, através de um túnel construído pelo rei Ezequias (2Reis 20,20).

SINAGOGA
Edifício em que os judeus celebravam as suas reuniões religiosas (Mateus 4,23 Mateus 6,2), especialmente aos sábados. Ser expulso da sinagoga equivalia a ser excluído da comunidade judaica (Lucas 6,22 João 9,22 João 12,42 João 16,2).

SINAI
Ver "Horeb", "Sião", "Deserto" e "Peregrinação".

SOBERBA
Ver "Humildade", "Orgulho".

SODOMA
Ver Gênese 18,20 (e nota) e "Gomorra".

SOFRIMENTO
De Jesus ver Cristo, o "Servo do Senhor".
De Maria, ver Maria, mãe do "Servo Sofredor".
Dos justos e pecadores, ver "Retribuição", "Perseguição".
Como fonte de Redenção, ver "Cruz", "Redenção".

SUMO SACERDOTE
É o chefe dos servidores do templo e supervisor do culto. Como mediador por excelência entre Deus e seu povo, oferecia o sacrifício cotidiano (Êxodo 29,42) e fazia os ritos do dia da Expiação (cf. Levítico 16,1-34). Era o presidente do sinédrio, desde o reinado dos hasmoneus. O cargo era vitalício, mas por razões políticas o Sumo Sacerdote acabava sendo deposto. Por isso, no Novo Testamento fala-se em sumos sacerdotes. Jesus é o Sumo Sacerdote por excelência, cujo sacerdócio é perfeito e eterno, superior ao sacerdócio imperfeito de Aarão (Hebreus 5,1-10 Hebreus 7).





DICIONÁRIO BÍBLICO - LETRA T

TABERNÁCULOS
Ver "Festa", "Jerusalém".

TADEU
Um dos doze apóstolos (Mateus 10,3 Marcos 3,18), chamado Judas por Lucas (Lucas 6,16 Atos 1,13).

TALIÃO
Lei que no Antigo Testamento permitia ao indivíduo vingar-se na mesma proporção da ofensa ou crime sofridos (cf. Êxodo 21,23-25 Levítico 24,17-19 Deuteronômio 19,21). Contra esta lei. Jesus exige de seus discípulos a não-violência e o amor aos inimigos (Mateus 5,38-48). Ver "Vingança de sangue".

TÁRSIS
Colônia fenícia na Espanha (cf. Ezequiel 27,12 João 1,3).

TEMOR DE DEUS
Na evolução bíblica podem perceber-se duas classes de temor: o temor sagrado (Gênese 15,1-7 Gênese 18,27 Gênese 28,15-17 Êxodo 3,1-5 Êxodo 34,10-13 Juízes 6,22s); e o temor moral, ocasionado pelo pecado (Gênese 3,9s; Isaías 6,3-7).
Mas a noção de temor interioriza-se: deixa de ser terror para se transformar na atitude religiosa de evitar o mal e observar os mandamentos (Deuteronômio 5,28-6,13 Deuteronômio 17,19s; Êxodo 20,18-21 Jó 1,6-12 Provérbios 8,12-21 Eclesiástico 2,14-18).
Desse modo, o temor é o grande mandamento e o princípio da sabedoria (Deuteronômio 31,12s; Provérbios 1,7 Provérbios 9,7-12 Jó 28,23-28 Eclesiástico 1,11-20 Eclesiástico 15,1-6).
Oséias justos - judeus ou pagãos - são os tementes a Deus (Gênese 22,11-13 Êxodo 1,17-21 Jó 1,1-8 Atos 9,31 Atos 10,1s); os ímpios são os que não temem a Deus (Salmo 35,2-4 Isaías 63,17s; Romanos 3,10-18).
O temor teofânico transforma-se em admiração ante as palavras e as obras de Cristo (Mateus 8,27 Lucas 4,22 Lucas 2,9-18 Lucas 2,33 Lucas 2,47); o temor de Javé passa a ser o "temor do Senhor" (Atos 9,31 2Coríntios 5,11 Efésios 5,21).
O Antigo Testamento foi o período do temor; o Novo Testamento é o do amor (Romanos 8,14-16 2Timóteo 1,6s; 1João 1,3-8 Hebreus 12,18-24).

TEMPERANÇA
Não devemos deixar-nos levar por excessos no comer e no beber (Eclesiástico 31,12-31 Eclesiástico 32,1-13 Eclesiástico 37,27-31 Provérbios 23,1-3 Provérbios 23,20s, Provérbios 23,29-35 Isaías 28,1-4).
No contexto hebraico, os jovens são convidados a afastar-se das mulheres estrangeiras por causa do perigo de idolatria (Provérbios 2,16-19 Provérbios 5,3-14 Provérbios 6,24-35 Eclesiástico 9,9 Eclesiástico 23,22-27 Eclesiastes 7,26-28).
Por falta de temperança o homem porta-se às vezes como os animais (Romanos 1,26-29 1Coríntios 6,9s; 1Timóteo 1,9s; 1Pedro 4,3).
O cristão, filho da luz pelo batismo, não deve tomar parte nas orgias noturnas (Romanos 13,11-14 João 12,36 1João 1,6s; 1João 5,7s; Gálatas 5,19-21 Colossenses 3,5-10 1Coríntios 6,11).
O cristão, chamado a receber o prêmio eterno, deve portar-se como um atleta (1Coríntios 9,25 1Tessalonicenses 5,6-8 Efésios 5,18 1Pedro 1,13 2Timóteo 4,7s; Apocalipse 2,10 Apocalipse 21,8 Apocalipse 22,15).
Uma das paixões mais difíceis de dominar é o amor do dinheiro. A temperança ajuda a vencê-la (Eclesiástico 31,1-11 Provérbios 10,2 Provérbios 11,4 Jeremias 17,11 Mateus 6,24 Mateus 19,21-26 Lucas 16,9-24).
Outra paixão humana, que a temperança deve moderar, é o orgulho. Ver "Humildade".

TEOFANIA
Revelação ou manifestação sensível da glória de Deus, ou através de um anjo, ou através de fenômenos impressionantes da natureza. Assim Deus apareceu a Abraão (Gênese 18), a Isaac (Gênese 26,2) e a Jacó (Gênese 32,25-31 Gênese 35,9); revelou seu nome a Moisés (Êxodo 3), sua Lei a Israel (Êxodo 19s).
No Novo Testamento Deus já não aparece nas forças da natureza. Aparece no Homem-Cristo: na encarnação (Lucas 2,1-2 João 1,14-18 Tito 2,11-14 Tito 3,4-7 1João 3,2-8); na ressurreição (Marcos 16,9-20 Lucas 24,1s; João 20,21).
Manifestações teofânicas temos nas descrições do batismo de Jesus (Mateus 3,16s), de sua transfiguração (Mateus 17,1-8), ressurreição (Mateus 28,1-7) e ascensão ao céu (Atos 1,3-11).

TEMPLO
O primeiro templo, construído por Salomão entre 967 e 964 (1Reis 6-8), foi destruído por Nabucodonosor em 587 a.C..
O segundo templo, construído por Zorobabel em 515 a.C., foi profanado por Antíoco Epífanes em 167 a.C.(cf. 1Macabeus 4,59 2Macabeus 1,9). Herodes o Grande o restaurou a partir do ano 20 a.C., tornando-o uma das construções mais grandiosas do Médio Oriente. Mas foi destruído pelos romanos no ano 70 d.C..
Ver "Cristo", "Peregrinação", "Festa", "Jerusalém"e "Sião".

TESSALÔNICA
Fundada em 315 a.C., tornou-se cidade livre e capital da província romana da Macedônia. Na sua segunda viagem missionária, Paulo visitou a cidade e fundou ali uma florescente comunidade, para a qual escreveu duas epístolas (Atos 17,1-13 Atos 20,4 Atos 27,2).

TEMPO
A eternidade é o "tempo"de Deus: Ele existia antes de qualquer criatura (Jeremias 1,5 2Timóteo 1,9 Salmo 89,2 1Coríntios 2,7); e existirá depois (Apocalipse 21,6 Apocalipse 22,13).
O tempo de Israel decorre entre a libertação do Egito e o "dia de Javé" (Isaías 13,6-11 Amós 5,18-20 Ezequiel 7,5-10 Zacarias 12-14).
No Novo Testamento,o "século presente", o reino de Satã, estende-se desde a Criação até a Parusia (Romanos 12,2 1Coríntios 10,11 Gálatas 1,4 Hebreus 9,26). Opõe-se ao "século futuro", o Reino de Deus, que não terá fim (Apocalipse 14,1-5 Apocalipse 21,2 Apocalipse 22,5 Romanos 8,18-23 Hebreus 6,5). Entre a Redenção e o "século futuro"decorre o "tempo favorável"da conversão (Romanos 13,11s; 2Coríntios 6,1s; Tito 2,11-14). É um tempo breve, um tempo de prova (1Pedro 1,6 2Coríntios 6,1-10 Colossenses 4,5 Efésios 5,16 João 16,16-22).
Nenhum cálculo humano pode fixar o tempo determinado por Deus (Mateus 12,38s; Mateus 16,1-4 Atos 1,1-7).
Hora de Jesus, ver "Caná".

TESTAMENTO
O termo significa "disposição testamentária", ato jurídico pelo qual alguém divide seus bens em favor dos herdeiros, após sua morte (Lucas 22,29 Gálatas 3,15-17 Hebreus 9,16). Significa também a aliança, ou pacto, pelo qual Deus se compromete a cumular de bens o seu povo, desde que este cumpra certas condições. O "Antigo Testamento" (2Coríntios 3,14) é a aliança do Sinai; o "Novo Testamento"é o pacto que Deus estabeleceu por meio de Jesus Cristo (Jeremias 31,31 Lucas 22,20), superando o Antigo Testamento (2Coríntios 3,6).

TENDA DA REUNIÃO
Chamada também "tabernáculo", "tenda do encontro", "tenda da aliança" (Números 7,89 e nota), "tenda do testemunho" (Atos 7,44) ou "morada" (Êxodo 25,9 e nota), é o santuário israelita do deserto. Neste santuário portátil Moisés encontrava-se com Deus para receber revelações ou suplicar pelo povo. A tenda da reunião tinha duas repartições, separadas por um véu: o Santo e o Santo dos Santos.

TESTEMUNHO
O testemunho humano está regulado pela Lei (Números 5,13 Números 35,30 Deuteronômio 6,7); o falso testemunho é severamente sancionado (Êxodo 20,16 Êxodo 23,1 Deuteronômio 5,20 Deuteronômio 19,16-20 Provérbios 19,5 Provérbios 24,28 Daniel 13 Marcos 10,19).
Oséias profetas dão testemunho do nome de Deus (Miquéias 1,2 Jeremias 29,23 Malaquias 3,5). Mas é sobretudo o povo de Deus que deve dar testemunho (Isaías 43,9-10 Isaías 44,8 Isaías 55,4).
Jesus, a grande testemunha (João 18,37 1Timóteo 6,13 Apocalipse 1,5 João 13,11 João 13,32 João 5,31-40 João 8,12-14 João 15,26 1João 5,6-8).
Oséias cristãos devem ser testemunhas (Atos 1,8 Atos 1,21s; Atos 10,41 Atos 5,32).
O martírio é o testemunho supremo (Atos 7 Apocalipse 2,13 Apocalipse 6,9).
O falso testemunho em juízo é proibido porque prejudica inocentes e inocenta culpados (Êxodo 20,16 Êxodo 23,1 Deuteronômio 5,20 Provérbios 19,5 Provérbios 24,28 Mateus 19,18 Marcos 10,19).

TENTAÇÃO
A tentação bíblica não se situa propriamente no quadro da luta pessoal por adquirir a perfeição, mas na realização do plano de Deus. A tentação, portanto, é a fuga do homem ao plano de Deus: tentação de Abraão (Gênese 22,1-18 Eclesiástico 44,20 1Macabeus 2,52): tentação do Povo no deserto (Deuteronômio 8,2-5 Êxodo 16,4 Salmo 77,17-56 Salmo 94,6-11); tentação de Cristo por um falso messianismo (Mateus 4,1-11 Mateus 16,21-23 Mateus 26,36-46 Hebreus 2,14-18 Hebreus 4,15).
A tentação tem uma origem (Gênese 3,1s; João 13,2 Atos 5,3 Romanos 7,22s; 1Pedro 5,8s). Todos nós somos tentados (1Coríntios 7,5 1Tessalonicenses 3,5). Deus a permite porque nos chama para a vida do Homem-Novo (Tiago 1,13-15 1Coríntios 10-13). Liberta da tentação aos que lhe pedem (Eclesiástico 33,1 Mateus 6,13). A tentação deve ser combatida (Mateus 18,7s; Mateus 26,41 Efésios 6,11-16 1Pedro 5,9), e pode ser vencida (Lucas 22,31s; 1Coríntios 10,13 2Coríntios 3,5 Filipenses 4,13 Tiago 1,12 2Pedro 2,9 Apocalipse 2,10).

TETRARCA
Governador da quarta parte de um determinado território. No Novo Testamento o título indica qualquer governante de um reino dividido, ou um príncipe inferior ao rei (Mateus 14,1 Lucas 3,1 Lucas 9,7), ou mesmo igual ao rei (Mateus 14,9).

TEXTO MASSORÉTICO (TM)
É o texto crítico da Bíblia Hebraica, estabelecido definitivamente entre 750 e 1000 d.C.. É o fruto do trabalho árduo dos massoretas, iniciado após a destruição de Jerusalém, para chegar a um texto hebraico definitivo. A massorá (= tradição) consta de sinais de vocalização do texto consonantal, para a pronúncia correta das palavras, e de estatísticas marginais sobre ocorrências do texto. O TM das atuais edições críticas do texto hebraico da Bíblia baseia-se num manuscrito hebraico do séc. X d.C., e apresenta poucas divergências em relação aos manuscritos descobertos em Qumrân.

TIAGO
Conhecem-se vários personagens do Novo Testamento com este nome:
1. Tiago o Maior, filho de Zebedeu e irmão de João, apelidado "filho do trovão" (Mateus 10,2 Marcos 3,17); foi decapitado por Herodes Agripa entre 41 e 44 d.C. (Atos 12,2);
2. Tiago filho de Alfeu, um dos Doze (Mateus 10,3);
3. Tiago o Menor, irmão de José e Judas, primo de Jesus (Mateus 13,55 Mateus 27,56 Gálatas 1,19). É o bispo de Jerusalém e considerado também como o autor da Epístola de Tiago; morreu martirizado em 62 d.C..

TIBIEZA
Ver "Zelo".

TIMÓTEO
Era filho de um grego pagão e de uma mãe judia. Converteu-se ao cristianismo, foi companheiro de missão de Paulo (Atos 16,1-3) e seu amigo fiel (Romanos 16,21).

TIRO
Famosa cidade marítima da Fenícia, situada numa ilha. Seus navegadores e navios controlavam o comércio e a navegação no Mediterrâneo (cf. Isaías Isaías 23 Ezequiel 26-28 Mateus 11,19-22 Mateus 14,37-42). Ver "Sidônia".

TOMÉ
Um dos doze apóstolos, chamado Dídimo (Mateus 10,3 Marcos 3,18), que teve dificuldades em crer na ressurreição de Jesus (João 20,24-29).

TRABALHO
Na ótica bíblica é anterior ao pecado (Gênese 2,15), embora, após o pecado, apareça como penoso (Gênese 3,19 Jó 5,7). Recorda a obra criadora de Deus (Êxodo 20,8s; Gênese 1,1-2,3 Eclesiástico 38,34), que aparece como um trabalhador (Gênese 2,7 Salmo 8,4 João 5,17 João 6,28). A Bíblia exorta ao trabalho (Êxodo 20,9 Eclesiastes 9,10 Eclesiástico 7,15 1Tessalonicenses 4,11 2Tessalonicenses 3,10-12), critica o preguiçoso e elogia a pessoa trabalhadora (Provérbios 6,6-11 Provérbios 13,4 Provérbios 16,26 Provérbios 21,25 Provérbios 31,13-27 Eclesiástico 38,25s; Mateus 25,14s).
Também Jesus é um operário, "filho do carpinteiro" (Marcos 6,3 Mateus 13,35).
Paulo gloria-se do trabalho das suas mãos (Atos 18,3 Atos 20,34 1Coríntios 4,12).

TRADIÇÃO
No Antigo Testamento (Êxodo 12,26 Juízes 6,13 Deuteronômio 32,7 Salmo 44,2 Jeremias 6,16). No Novo Testamento (Mateus 28,20 Marcos 16,15 João 20,30 João 21,25 Atos 15,41 1Coríntios 11,2 1Coríntios 15,3s; Filipenses 4,9 2Timóteo 2,2 2João 1,12). Ver "Revelação".

TRANSFIGURAÇÃO
Entronização de Jesus como Messias Sacerdotal (Mateus 17,2-8 Isaías 9,1s; Isaías 42,6 Êxodo 28,4-13 Zacarias 3,1-5 Salmo 103,1s; Hebreus 5,5 Ezequiel 44,17 Apocalipse 1,12-17 Apocalipse 5,1-14) e novo Moisés. Ver "Teofania".

TREVAS
A ausência de luz, ou escuridão, simboliza o afastamento de Deus e de sua salvação. Ao criar o mundo Deus triunfou sobre as trevas (Gênese 1,2 Isaías 45,7). As trevas significam a desgraça (Êxodo 10,21-23 Êxodo 14,20 Amós 5,18), o reino de Satanás e do pecado (Atos 26,18 Efésios 6,12). O homem tem que se decidir entre o reino das trevas e o da luz (João 1,5 João 3,19 João 8,12). Quem ama o próximo, caminha na luz (1João 1,6 1João 2,9-11).

TRINDADE
Cristo apresenta-se como Filho de Deus: há entre ambos um mútuo conhecimento (Mateus 11,25-27 Mateus 21,33-41 Lucas 2,49s; João 6,40-57 João 8,12-59 João 12,20-28 João 17,4-26).
A vida cristã é apresentada por Paulo em referência a um Deus-Trindade (Romanos 8,12-33 Colossenses 1,13-20 Efésios 2,12-18 Efésios 4,1-6). O batismo, tanto em Cristo como em nós, tem uma dimensão trinitária (Romanos 6,3-11 1Coríntios 6,11 Tito 3,1-7 Mateus 3,13-17). A atividade cristã tem origem na vida trinitária (1Coríntios 12,4-6 Gálatas 4,4-6 Romanos 5,1-5).
Fórmulas trinitárias (Mateus 28,19 2Coríntios 1,21s; 2Coríntios 13,12s; 2Tessalonicenses 2,13 1Pedro 1,2).

TRÔADE
Porto marítimo da província da Ásia, no mar Egeu. São Paulo passou por ali na segunda e na terceira viagens missionárias (Atos 16,8-11 Atos 20,5-10).

TRONOS
Ver "Dominações".





DICIONÁRIO BÍBLICO - LETRA U



UNÇÃO
De altares, reis e sacerdotes (Gênese 28,11-19 1Samuel 10,1-8 1Samuel 16,1-13 1Reis 1,38-40 Êxodo 29,44 Êxodo 30,22s).
Depois do exílio, a unção é relacionada com o Espírito (Isaías 42,1-9 Isaías 61,1s).
Cristo, recebendo o Espírito sem o rito da unção, é o ungido pelo Espírito (Mateus 3,16 Atos 10,36-38).
A Unção ou Crisma é um rito muito apto para exprimir o dom do Espírito (2Coríntios 1,21s; Atos 13,2s; Atos 9,17 2Timóteo 1,6s).
A Unção dos Enfermos (Lucas 10,34 Marcos 6,12s; Tiago 5,14s).

UNGIDO
Ver "Cristo".

UNIDADE
Todos os membros da Igreja receberam dos apóstolos a mesma vida cristã, que devem aceitar pela fé (1Coríntios 1,10-16 Romanos 10,14-17 1Tessalonicenses 1,8 Colossenses 2,6s; Gálatas 1,6-9).
Fé-Batismo-Espírito são os três laços que unem os cristãos (Romanos 10,9-11 Gálatas 2,16-20 Efésios 3,17 Efésios 4,1-6).
Cristo, Cabeça da Igreja e centro de unidade do universo (Colossenses 1,18-20 Colossenses 2,9s; Efésios 1,9 Efésios 1,22 João 17,21-26).
Serviço pastoral, fonte de unidade na Igreja (Mateus 16,18s; Mateus 12,25 Mateus 18,15-18 Lucas 22,32).
Paulo prega o mistério de Cristo que realiza a unidade entre judeus e gentios (Efésios 1,22 Efésios 2,13-18 1Coríntios 12,13 CL 3,10s).
Alegorias paulinas que exprimem a unidade da Igreja (1Coríntios 3,6-16 Romanos 11,17-29 2Coríntios 11,2-6 Efésios 4,2-6).
Unidade na variedade dos carismas (1Coríntios 12-14 Efésios 4,1-16 Filipenses 2,1-5). Ver "Eucaristia, sacramento da unidade".

UNIVERSALISMO
No Antigo Testamento aparecem certos impulsos universalistas (Gênese 22,18 Isaías 2,2-4 Miquéias 4,1-3). Anuncia-se até a conversão dos pagãos (Isaías 66,18-24 Zacarias 2,15 Malaquias 1,11). Recordam-se personagens que não pertencem ao povo bíblico (Gênese 14,18 Josué 2,1 Rute 4,10).
Mas predomina a tendência ao fechamento, para não se contaminar (Deuteronômio 7,1-8 Êxodo 19,5).
Segundo os Evangelhos, Cristo nega-se a fazer apostolado entre os pagãos (Mateus 10,5 Mateus 15,24 Marcos 7,27). Acolhe, contudo, alguns estrangeiros (Mateus 8,5-10 Mateus 15,28). Ante a recusa dos judeus, anuncia a passagem aos gentios (Mateus 21,43 Lucas 13,28). Após a ressurreição aparece a missão universalista (Mateus 28,19 Marcos 16,15 Atos 1,8).
A redação dos Evangelhos deixa transparecer a preocupação por afirmar o universalismo; magos (Mateus 2,1-12), centurião romano (Marcos 15,39), Simeão (Lucas 2,29-32).
O universalismo da Igreja foi uma dura conquista (Atos 8,5 10,1-11,26; Atos 15,1-33 Gálatas 2,1-14 Gálatas 5,11 Efésios 1,1s; Colossenses 1,15-29).
O Apocalipse vê todas as raças na Jerusalém celeste (Apocalipse 7,9 Apocalipse 21,24-26).

URIM E TUMIM
Ver Êxodo 28,30.





DICIONÁRIO BÍBLICO - LETRA V

VAIDADE
Prevenir-se contra (Salmo 119,37 Eclesiastes 1,2 Eclesiastes 2,1 Eclesiastes 2,11 Eclesiastes 2,15 Isaías 5,21 1Pedro 3,3-5). Exemplos (2Samuel 24,9-15 Isaías 39,1-6 Mateus 23,4-7 Atos 12,21-23). Vaidade feminina (2Reis 9,30 Isaías 3,16-24 Jeremias 4,30 1Timóteo 2,9 1Pedro 3,3-5).

VERBO
Ver "Cristo", "Palavra".

VERDADE
Para nós, ocidentais, a verdade é a conformidade entre o pensamento e a realidade. Na Bíblia a verdade corresponde a um desejo de conhecimento prático para a vida. Está relacionada com a Lei, a revelação e a palavra de Deus. Verdade identifica-se por isso com fidelidade.
Verdadeiro é aquilo que tem firmeza, consistência e em que o homem pode confiar. Deus é verdadeiro porque é fiel à sua aliança e às suas promessas (Êxodo 34,6s; Deuteronômio 7,9 2Samuel 7,28s; Salmo 31,6 Salmo 138,2). Sobre a palavra de Deus, que é a verdade, o homem pode basear sua vida (Salmo 26,3 Mateus 7,24-27).
A Lei é verdadeira porque constitui um apoio firme que dá proteção ao homem (Neemias 9,13 Salmo 93,5 Salmo 119,86).
Na literatura sapiencial, verdade é igual a sabedoria (Provérbios 23,23 Eclesiastes 12,10 Eclesiástico 4,28).
No sentido moral, verdade equivale a sinceridade de coração (2Reis 20,3), justiça e honestidade (Isaías 59,14). No Novo Testamento a verdade adquire um cunho cristão, equivalendo a "evangelho" (Gálatas 2,5 Gálatas 2,14 Colossenses 1,5 2Timóteo 2,15). Para João, a verdade é o próprio Cristo (João 1,1 João 8,40 João 14,6 João 17,17 João 18,37), a palavra do Pai que Cristo veio anunciar neste mundo (João 1,17 João 8,40-46).
A verdade de Deus manifesta-se em Cristo (2Coríntios 1,20 Efésios 4,20); por isso, o Apocalipse chama-o "Fiel" e "Verdadeiro" (Apocalipse 19,11).
O testemunho de Cristo é completado pela ação do Espírito (João 14,26 João 16,13).
O conhecimento da verdade exige disposições prévias (2Timóteo 2,10-12 2Timóteo 3,7 Efésios 4,15 Efésios 6,14). O cristão é aquele que anda na verdade de Cristo (2João 1,4 3João 1,3s).

VIDA
O Deus de Israel é um Deus vivo (Josué 3,10-13 Deuteronômio 5,22-27 Salmo 36,6-10 Salmo 84,1-3 Jeremias 2,13). A vida é um dom precioso (Eclesiastes 9,4 Jó 2,4). Mas a vida é instável e breve (Gênese 45,26s; Números 21,8s; Juízes 15,19 2Reis 1,2 2Reis 8,9 Jó 20,8 Jó 33,22 Salmo 18,5s; Salmo 22,16 Salmo 31,11 Salmo 88,4 Salmo 88,7 Salmo 116,8 Eclesiastes 5,12 Eclesiastes 8,13 Eclesiástico 18,10 Eclesiástico 40,1-4 Eclesiástico 51,10 Cântico dos Cânticos 2,5 Mateus 6,25).
A verdadeira vida se manifesta em Cristo (João 5,26 1João 1,1s; 1João 5,9-13 1João 5,20s, o Autor da Vida (Atos 3,15). Pelo Batismo ele comunica a vida aos que crêem (Romanos 6,3-11 Colossenses 2,11-13 Gálatas 2,19s; Efésios 2,5-10 1Coríntios 15,21s).
Por isso a vida do cristão é uma vida em Cristo: é preciso viver nele (Colossenses 2,6-8 Filipenses 2,5): falar e agir nele (2Coríntios 2,12 2Coríntios 13,3); sofrer com ele (Romanos 16,12 1Coríntios 15,18 Filipenses 4,1 1Tessalonicenses 3,8); alegrar-se nele (Filipenses 3,1 Filipenses 4,4-10); ser glorificado nele (Romanos 15,17 1Coríntios 1,30s; 1Coríntios 15,31 2Coríntios 10,17 Filipenses 3,3); amar nele (Romanos 16,8 1Coríntios 4,17 Gálatas 3,27s; Colossenses 3,11). Ver ,"Retribuição".

VIGILÂNCIA
No contexto da Parusia é um dos pilares da moral cristã(Marcos 13,33-37 Mateus 24,42-44 Mateus 25,13 Lucas 12,36-40 1Tessalonicenses 5,1-7 2Timóteo 4,5-7 2Pedro 3,10).
É preciso vigiar nas tentações (Mateus 26,37-46 1Coríntios 16,13 Colossenses 4,2 Efésios 6,1-20 1Pedro 5,8).
Oséias anciãos de Éfeso devem vigiar nos combates pela fé (Atos 20,29-31 1Coríntios 16,13).
A vigilância tende a manifestar-se nas vigílias litúrgicas e na oração (Efésios 6,18 Colossenses 4,2 Lucas 6,12 Lucas 21,36 Marcos 14,38).

VINDA DE CRISTO
Ver "Parusia".

VINGANÇA DE SANGUE
Na concepção bíblica, o sangue derramado de uma pessoa clama ao céu por vingança (Gênese 4,10 2Macabeus 8,3 Ezequiel 24,6-8). O vingador do sangue, um parente da vítima, age em nome de Deus para punir o crime (Gênese 4,11 2Samuel 4,11 Deuteronômio 24,16), aplicando a lei do talião (Êxodo 21,12-23). Para impedir que o homicida involuntário fosse morto injustamente, a Lei previa cidades de refúgio (Josué 20,1-9).
Jesus, em vez da vingança, manda suportar as injustiças e amar os inimigos (Mateus 5,38-42). O cristão deve vingar o mal com o bem (Romanos 12,19-21). A vingança pertence a Deus (Deuteronômio 32,35 Deuteronômio 32,41 Jeremias 51,36) e não ao homem (Levítico 19,18 Provérbios 20,22 Eclesiástico 28,1-6 Mateus 6,14 Lucas 11,4 1Coríntios 6,7 Efésios 4,26 1Tessalonicenses 5,15). Ver "Redenção".

VINHA
A Terra Prometida era uma vinha (Números 13,20-26 Isaías 27,2-5). O povo de Israel é uma videira transplantada do Egito (Salmo 80,9-19). A restauração de Israel é uma nova plantação da vinha (Amós 9,13-15 Oséias 14,5-10).
A festa dos Tabernáculos é a festa da colheita da uva (Levítico 23,40 2Macabeus 10,7); mas esta acabará, porque a vinha não dará mais fruto (Isaías 5,1-30 Jeremias 8,13-17).
Israel é uma vinha estéril (Isaías 5,1-7); por isso, Deus escolherá uma nova vinha (Mateus 20,1-16 Mateus 21,28-46) que é Cristo (João 15,1-12).
Cristo, nova Videira, dá o vinho novo da sabedoria (Provérbios 9,1-5 Isaías 55,1s; João 2,1-11 Marcos 2,22 Mateus 26,29).

VIRGEM MARIA
Ver "Maria".

VIRGINDADE
No Antigo Testamento,a esterilidade era uma vergonha, mas a estéril pode ter uma fecundidade espiritual (Cântico dos Cânticos 3,13s; Cântico dos Cânticos 4,1).
Certos atos sagrados exigiam abstinência conjugal (1Samuel 21,5-7 Êxodo 19,15).
Cristo faz um convite à castidade perpétua (Mateus 19,12 Mateus 19,21 1Coríntios 7,1 1Coríntios 7,7s, 1Tessalonicenses 4,1-7).
O termo "virgindade"tem um sentido metafórico: não cair na idolatria (Apocalipse 14,4 Apocalipse 21,2 2Coríntios 11,2).
A castidade é uma virtude matrimonial (Romanos 13,13 1Coríntios 6,15 Gálatas 5,23-25).
A castidade é recomendada particularmente aos mensageiros do Evangelho (2Coríntios 6,6 1Timóteo 4,12 1Timóteo 5,2 1Timóteo 5,22).

VIRTUDE
Natureza (Mateus 7,13 Mateus 7,18s; Marcos 12,28-34 Gálatas 5,6 Gálatas 6,2 Colossenses 3,2 Colossenses 3,14 2Pedro 1,10). Progresso na virtude (Provérbios 4,18 Romanos 12,9-17 Filipenses 3,12s; 1Tessalonicenses 4,1 1Tessalonicenses 5,22 1Timóteo 4,7 2Pedro 1,5-8 2Pedro 3,18 Apocalipse 22,11.

VIÚVAS
A lei do levirato e as leis sociais insistem na proteção às viúvas (Êxodo 22,21-23 Deuteronômio 10,18 Deuteronômio 24,17-21 Deuteronômio 26,12s; Isaías 1,17-23 Jó 29,13).
Situação miserável das viúvas. Alguns milagres anunciam a sua felicidade messiânica (1Reis 17,8-15 2Reis 4,1-7 Salmo 146,9).
Por isso, Jerusalém, esposa infiel, quando abandonada de Deus, é chamada viúva (Isaías 54,4-8 Lm 1,1 Baruc 4,12 Apocalipse 18,7).
As viúvas na Igreja apostólica constituíam uma espécie de ordem religiosa (1Coríntios 7,8 1Coríntios 7,39s, 1Timóteo 5,3-16 Atos 6,1-6 Tiago 1,27 Lucas 21,1-4)

VOCAÇÃO
Cristo é o grande "chamado". Nele todas as coisas foram chamadas à existência (Efésios 1,4-6 Efésios 1,11-14 Romanos 8,29 1Pedro 1,20s; Colossenses 1,15-23 João 1,1-3 Gênese 1,1-2,4).
Esta vocação em Cristo pode ser individual e comunitária. Deus chama grandes homens para formar comunidades: Abraão (Gênese 12); Moisés (Êxodo 3,6); Samuel (1Samuel 3); Isaías (Isaías 6); Cristo (Hebreus 10,2-5 Mateus 26,28 Atos 20,28 1Pedro 2,9s) que fundou a comunidade apostólica. Chama também comunidades ou povos através desses homens escolhidos; assim chamou Israel e a Igreja.
Esquema bíblico-literário da vocação:
- Procede da liberdade soberana de Deus (Jeremias 1,4s; Romanos 8,30 1Coríntios 1,9s; Gálatas 1,15).
- Exige o despojamento, na fé, pela obediência (Gênese 12 Mateus 4,18-22 Mateus 16,24-26 Mateus 8,18-22).
- Suscita quase sempre o temor no coração dos chamados (Êxodo 3,6 Juízes 6,22 Isaías 6,5 Jeremias 1,6).
- Investe o "chamado"de uma missão, que a Bíblia costuma assinalar com a mudança do nome (Gênese 17,4-8 Gênese 17,19 Lucas 1,13 Lucas 1,31s, Lucas 1,59-63 João 1,42). Esta investidura corresponde, geralmente, a uma comunicação do Espírito: Profetas (1Samuel 10,6 1Samuel 16,13 Isaías 11,2 Isaías 42,1); apóstolos (João 20,22 João 15,26 João 16,7 Atos 2,1s).
Na Igreja todos somos iguais por razão da vocação em Cristo (Efésios 1,22s; Efésios 4,11-16 Efésios 5,23 Colossenses 1,18 Colossenses 2,19 1Coríntios 12,13 1Coríntios 10,17 Gálatas 3,28s; Mateus 23,8-12).
Contudo, temos funções diferentes, que supõem uma vocação na e para a comunidade. Ver "Carisma", Igreja", " Ministérios", Sacerdócio", "Profeta".

VONTADE DE DEUS
Ver "Mistério", "Salvação", "Obediência".

VULGATA
Tradução da Bíblia feita por S. Jerônimo entre 385 e 405 d.C., em parte dos originais gregos, hebraicos e aramaicos, em parte aproveitando traduções latinas anteriores. Chama-se "Vulgata"por ter sido traduzida para a linguagem então falada pelo povo no Império Romano. Esta tradução tornou-se o texto que a Igreja Católica usa ainda hoje em seus documentos oficiais. Mas as traduções da Bíblia em línguas modernas são, hoje em dia, feitas diretamente dos originais.

DICIONÁRIO BÍBLICO - LETRA X

XEOL
É o nome hebraico dado no Antigo Testamento para os "infernos", "abismo" ou "morada dos mortos" (Gênese 37,35 Isaías 38,18 e nota). Julgava-se que o Xeol ficava debaixo da terra.
Jesus, ao morrer, desceu ao Xeol (Atos 2,24-31 Romanos 10,7 Efésios 4,8-10) para anunciar aos mortos a sua vitória sobre a morte pela ressurreição (Apocalipse 1,18 Mateus 27,51-53 1Pedro 3,19s e nota). Ver "Hades", "Abismo".





DICIONÁRIO BÍBLICO - LETRA Z



ZACARIAS
Há três personagens com este nome, que significa "o Senhor se recorda":
1. Um profeta assassinado no templo (2Crônicas 24,20-22 Mateus 23,35);
2. Um profeta que exortou os judeus a reconstruir o templo (Esdras 5,1);

3. Um sacerdote da classe de Abias, esposo de Isabel e pai de João Batista (Lucas 1,5-67 Lucas 3,2).


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